Com a reforma do Centro Obstétrico, partos devem ser suspensos na unidade

Maternidade- Gama Foto:Kléber Lima

Antes mesmo de ser colocado em prática, o fechamento do Centro Obstétrico do Hospital Regional do Gama (HRG) preocupa as gestantes e suas famílias. Até porque o local não conta mais com o atendimento infantil, como ocorria antes. De acordo com a Secretaria de Saúde, existe um projeto de reforma do espaço, sem data para início, que deve interromper as atividades.

A operadora de telemarketing Gabriella Moura, 31 anos, está grávida de 41 semanas de Rafael e comemora a proximidade do nascimento do filho. Na semana passada, ela soube da previsão fechamento e se preocupa com as mulheres que entrarão em trabalho de parto nos próximos meses, pois não terão esse apoio no Gama.

A mulher mora na cidade vizinha, Santa Maria, e reclama que não conseguiu atendimento no hospital de lá, porque só gestantes de alto risco recebem atenção médica. “Eu não tenho plano de saúde. Quem tem não se preocupa. Mas quem não tem faz o quê? É um absurdo”, relata Gabriella, no aguardo do segundo filho.

A modificação no HRG foi discutida em uma reunião na quarta-feira passada entre a direção do hospital e a Superintendência da Região de Saúde Sul. O diretor do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (Sindsaúde-DF), Marcos Rogério, relata que os servidores não estão satisfeitos com a situação e procuraram a entidade para uma intermediação junto ao GDF.

Rogério explica que a demanda é muito grande para a região sul do DF, devido à presença dos moradores de cidades de Região Metropolitana, como Valparaíso (GO) e Cidade Ocidental (GO). Desse modo, o fechamento tornará o atendimento ainda mais deficiente. Ele ainda aponta a quantidade de partos no HRG: cerca de 700 por mês.

O Sindsaúde avalia que essa nova ação vai trazer ainda mais problemas para o serviço público, que já apresenta diversas complicações. Está marcada uma reunião da Superintendência da Região Sul amanhã para discutir esse assunto, com a possibilidade de transferência provisória do Centro Obstétrico do HRG para o Hospital de Santa Maria.

Versão oficial

Em nota, a Secretaria de Saúde informa que existe um projeto para reforma do Centro Obstétrico do HRG “de modo a oferecer melhor assistência”. No entanto, ainda não há definição de quando as obras terão início. A pasta esclarece que, quando o projeto for finalizado, trabalhará num fluxo para atendimento da demanda do HRG, para somente então iniciar as obras. Até o presente momento, o CO segue aberto e funcionando dentro da normalidade.

Em relação ao atendimento às gestantes, o HRG é a unidade da região sul responsável pelo atendimento de partos de riscos eventuais, e o HRSM pelos partos de alto risco – além de atender as pessoas das cidades da Região Metropolitana vizinhas.

Maternidade- Gama
Gabriela Moura

Foto: Kléber Lima

Pediatria comprometida

Luziânia (GO) é uma das cidades da Região Metropolitana que direcionam muitos pacientes para o Gama. Mauro Rubens, 30, e sua família são alguns deles. Segundo o mecânico, no município goiano não há como procurar atendimento para a esposa, grávida de 39 semanas. O jeito é vir para o DF.

Ele lembra que o atendimento no HRG nem sempre foi assim. Antigamente, para o mecânico, o atendimento infantil tinha muita qualidade. Neste ano, a pediatria do Gama foi fechada, pela segunda vez, depois de pouco mais de um mês de funcionamento. Antes disso, o espaço ficou seis meses sem nenhum atendimento ao público. À época do fechamento, a Secretaria de Saúde explicou que, apesar de mais de 20 médicos terem sido contratados, a maior parte pediu exoneração do hospital.

João Paulo Mariano
Da Redação do Jornal de Brasília - 18/07/2017

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