O número equivale a uma média de 398 professores afastados por mês

Jornal Destak - 14/08/2017 - 07:58:57

 

Até maio deste ano, o governo do Distrito Federal registrou quase 2 mil professores da rede pública de ensino afastados do trabalho por mais de dez dias, a maioria por problemas causados por estresse. 

Em todo o ano de 2016, os afastamentos nas mesmas condições chegaram a 5.776, uma média 481 professores afastados mensalmente. De todos os atestados homologados pela Subsecretaria de Saúde do DF, a maior parte é por problemas psicológicos como estresse, depressão e ansiedade.

A situação da saúde dos professores é uma preocupação antiga da categoria. Segundo a coordenadora de saúde do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Gilza Camilo, os atestados por transtornos mentais e comportamentais justificam em média 80% dos afastamentos. "O adoecimento vem aumentando", afirma.

Todas as licenças passam pela Subsecretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, que por determinação legal não disponibiliza o teor dos afastamentos. A pasta não quis se manifestar.

Exaustão

Segundo a psicóloga Luciane Kozicz Araújo, são vários os fatores apontados pelos próprios profissionais para explicar o adoecimento. Eles relatam desde assédio moral, assédio organizacional (da própria direção das escolas), até as condições de precariedade em sala de aula. "Eles se defrontam o tempo todo com o fracasso" atesta a pesquisadora, que supervisiona a clínica de psicodinâmica do Sinpro-DF.

O grupo tem reuniões semanais, é aberto a todos os professores e funciona como uma terapia em grupo focada nos problemas nas relações de trabalho. "O estado trata os afastamentos por atestados como má-fé, por exemplo. Mas ninguém adoece porque quer", diz Luciane.

Estudo feito entre 2011 e 2012 verificou que os afastamentos por doença custaram R$ 256 milhões aos cofres públicos. Do total de licenças de servidores analisadas, 59% eram de professores. Luciane reclama da diferença de metodologia no levantamento do GDF e da falta de continuidade das pesquisas, que impedem uma gestão mais eficiente.