Estudo da Universidade de Brasília mostra como se desenvolveram 27 casos de assédio moral sofridos por mestres em escolas públicas do DF. Levantamento serviu de base para produção de cartilhas distribuídas dentro do ambiente de trabalho

imgThaísa Tiba, antropóloga 

O professor sujeito às ações de assédio moral, por vezes, demora a reconhecer e a assumir que está sendo submetido ao assédio, entre outros motivos, pela sutileza das ações que visam a desestabilização psicológica. Thaísa Tiba, antropóloga

Todos os dias, Amanda* caminhava de casa até o colégio onde lecionava, a poucos metros da residência, no Plano Piloto. Viveu essa rotina durante 10 anos dos 27 de carreira. Mas os dois últimos, em 2010 e 2011, foram os mais difíceis para ela. ...

Sempre que se aproximava da escola, ela se sentia mal. “As minhas pernas travavam e vinha uma forte vontade de vomitar. Pensei várias vezes que fosse em função de alguma doença, mas isso era fruto das experiências que vivia ali dentro”, relembra Amanda.

A mesma pessoa que todas as tarde assumia o quadro-negro e falava com convicção aos alunos era uma vítima silenciosa de colegas de trabalho. Alvo de assédio moral, Amanda terminou por desenvolver problemas de saúde, fruto de um processo de perseguição sistemática. Foi expulsa da escola 10 dias antes do fim do ano letivo de 2011.

Assim como ela, 26 professores foram protagonistas na dissertação de mestrado apresentada pela professora e antropóloga Thaísa Tiba, enquanto aluna da Universidade de Brasília (UnB). O estudo, inédito no DF, constatou que o assédio moral é frequente dentro das instituições públicas, mas é de difícil identificação e comprovação. Os casos analisados pela antropóloga remontam os últimos 15 anos. Alguns culminaram em processos sindicantes e na destruição de carreiras.

“O professor, sujeito às ações de assédio moral, por vezes, demora a reconhecer e a assumir que está sendo submetido ao assédio, entre outros motivos, pela sutileza das ações que visam a desestabilização psicológica”, argumenta. Thaísa menciona que a maioria das vítimas entrevistadas apresentou algum distúrbio por consequência da experiência, como a síndrome do pânico, a depressão, a perda e o ganho de peso. “As reações são variadas, mas, comumente, o profissional, ao ser isolado do grupo, adoece e se fragiliza em decorrência da grande violência psicológica a que é submetido”, justifica.

A dissertação de Thaísa auxiliou o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) a desenvolver uma cartilha sobre o assédio moral nas escolas públicas. Além de esclarecer o problema, o manual explica como reconhecer o assédio, além de apontar os possíveis caminhos para denúncias, como é o caso dos departamentos jurídico e psicológico da entidade. “Por conta dessa debilidade física e emocional, é comum que pessoas não procurarem nenhuma instância para formalizarem uma denúncia, já que também têm medo das possíveis retaliações no ambiente de trabalho após a efetivação”, afirma Thaísa.

Números

Embora o Sinpro-DF confirme a existência de casos de assédio moral entre professores e também a assistência às vítimas, a entidade não possui estatísticas ou pesquisas a esse respeito. Manoel Filho, da Secretaria de Saúde do Trabalho do Sinpro-DF, pondera que o enfrentamento e o atendimento a professores acontecem há anos. “Damos total assistência, inclusive, no ambiente de trabalho. O assediador, normalmente, não se reconhece como tal. No geral, ele também é vítima de assédio”, elucida. Entre janeiro e setembro de 2013, a Ouvidoria da Secretaria de Estado de Educação do DF (SEE-DF) registrou 23 denúncias de assédio moral nas escolas da rede.

*Nome fictício

Fonte: Correio Braziliense. Por MARIANA LABOISSIÈRE. Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 8/10/14 - 18/10/2014 - - 08:21:28

Os cursos de formação de professores têm evasão maior que 30%, acima da média registrada por outras graduações.

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Apesar de haver escolas sem professores no Brasil, o número de licenciados entre 1990 e 2010 seria suficiente para atender à demanda atual por docentes. É o que revela a pesquisa inédita do professor José Marcelino de Rezende Pinto, da Universidade de São Paulo (USP). Faltam, portanto, profissionais interessados em seguir carreira dentro da sala de aula.

O estudo aponta para a necessidade de tornar a profissão mais atrativa e de incentivar a permanência estudantil na área. Isso porque o número total de vagas na graduação é três vezes maior que a demanda por professores estimada nas disciplinas da educação básica. Em todas as áreas, só as vagas de graduação nas universidades públicas já seriam suficientes para atender à demanda...

Para realizar a pesquisa, o autor cruzou a demanda atual por profissionais na educação básica com o número de formados nas diferentes disciplinas curriculares entre 1990 e 2010. Assim, apenas em Física é possível afirmar de fato que o número de formandos não é suficiente para suprir a necessidade.

Segundo Marcelino, os titulados preferem ir para outras áreas a seguir a docência. "A grande atratividade de uma carreira é o salário. Mas, além da remuneração, o professor tem um grau de desgaste no exercício profissional muito grande. E isso espanta", afirma o pesquisador, que é da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto.

Os cursos de formação de professores têm evasão maior que 30%, acima da média registrada por outras graduações. "Em vez de financiar novas vagas, muitas vezes em modalidade a distância sem qualidade, precisamos investir para que o aluno entre e conclua."

Dados recentes mostram que há um déficit nas escolas brasileiras de 170 mil professores apenas nas áreas de Matemática, Física e Química. Só na rede estadual de São Paulo, 21% dos cargos necessários estavam vagos no ano passado, como revelou o Estado na ocasião. A maior lacuna era em Matemática e Português, esse último com falta de 7,1 mil docentes - o governo do Estado afirma que os alunos não ficam sem aula, mesmo que acompanhados por professores de outras formações.

Em Língua Portuguesa, a pesquisa revela um dos maiores abismos. O número de concluintes entre 1990 e 2010, de 325 mil, é quase três vezes maior que a demanda calculada, em torno de 131 mil.

Só três disciplinas aparecem com razão negativa entre concluintes e demanda: Ciências, Língua Estrangeira e a já citada Física (veja o infográfico ao lado). Nas duas primeiras, os dados não refletem algumas condições: a área de Língua Estrangeira é atendida por formados em Letras, que tem alto índice de estudantes, e muitos professores de Ciências têm formação em Biologia - que tem a maior proporção de concluintes.

Ganho. O salário de um professor é, em média, 40% menor que o de um profissional de formação superior. Foi essa diferença de renda que fez Simone Ricobom, de 40 anos, deixar a docência em 1998 - após cinco anos na área - para trabalhar na Previdência Social. "Havia o pensamento de que o professor tinha de ser um pouco mãe e eu queria ser profissional. Também percebi que não havia projeção na carreira." Ela voltou a atuar na educação infantil entre 2008 e 2012, dessa vez na rede particular, mas se decepcionou novamente.

O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, diz que o resultado da pesquisa desconstrói um falso consenso sobre um "apagão". "Os dados reforçam que a principal agenda na questão docente é a da valorização", diz. "Valorização é garantia de boa formação inicial e continuada, salário inicial atraente, política de carreira motivadora e boas condições de trabalho."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Revista Istoé / AE - 01/09/2014 - - 18:23:54

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No início de 2013 o Orçamento Público do Distrito Federal previa uma verba de 19 milhões de reais destinada às escolas públicas através do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira, PDAF. Em abril, com grande estardalhaço, o GDF publicou portaria ampliando esta verba para 104 milhões. O problema é que deste valor somente 20% foi repassado e hoje a maioria das instituições de ensino estão endividadas junto aos fornecedores.

Em 2014, após denúncias neste blog, mobilização dos diretores e pressão do Sinpro, o Secretário anunciou o repasse da primeira parte do PDAF 2014 em 3 parcelas: 31 de janeiro, 14 e 29 de fevereiro.

E o que aconteceu? Até agora nada foi repassado.

O ano letivo já começou e os gestores das escolas púbicas estão submetidos a todo tipo de constrangimento junto a papelarias e outros fornecedores para garantir o mínimo de recursos necessário ao desenvolvimento das atividades pedagógicas.

Isso é um absurdo! Uma vergonha! Uma falta de respeito com gestores, professores, servidores, alunos, pais e comunidade em geral.

É a confirmação da mediocridade de um Governo com esta área tão importante: a educação pública.

Fonte: Blog Washington Dourado

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O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, assinou dois atos de nomeações na quinta-feira (16/01), às 18h30, no Salão Nobre do Palácio do Buriti, onde 711 professores serão nomeados para a Rede de Ensino e 120 concursados serão nomeados para a carreira de Assistência à Educação. Os professores que serão nomeados fazem parte de um concurso que foi homologado em 31 de dezembro de 2010 para preenchimento do cadastro de reserva.

Segundo o governador, garantir a normalidade da educação pública foi o principal motivo desses dois atos. "Estamos também prorrogando o prazo dos contratos temporários para a educação, pois com alguns imprevistos na saúde ou por outros motivos de licença um professor precisa ser substituído e temos que ter uma reserva sempre para auxiliar no processo", explicou Agnelo Queiroz.

Na ocasião, o secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda, disse que é mais uma ação que fortalece a política de valorização ao servidor, que vem sendo desempenhada por este Governo ao nomear em breve os concursados através desses atos.

"Os docentes serão distribuídos em todas as regiões administrativas, mas vamos dar prioridade para áreas mais carentes, como Brazlândia, Ceilândia e Gama", explicou o secretário-adjunto de Educação, Jacy Braga.

"Com esse chamamento, este governo se tornou o que mais nomeou professores concursados para rede pública de ensino na história do DF, em um período de quatro anos", frisou o diretor do Sinpro, Washington Dourado.

Os profissionais nomeados para a carreira de Assistência à Educação reforçarão as áreas de fonoaudiologia, arquivo, nutrição, psicologia e serviço social.

"Esses profissionais exercem funções estratégicas e importantes para o desenvolvimento integral dos alunos, que precisam de assistência psicológica, alimentação saudável, entre outros apoios", avaliou o presidente do Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar (SAE), Denivaldo Alves.

As disciplinas com os números de vagas para finalizar o cadastro de reserva do concurso dos professores são: Atividades (170); Artes (31); Biologia (71); Português (216); Matemática (09); Informática (52); Francês (09); Inglês (01); Telecomunicações (01); Música/Canto Erudito (01), as outras disciplinas como Física (35); Química (18); Filosofia (36); Sociologia (29); Espanhol (29); e Contabilidade (03) não irão zerar o cadastro de reserva desta vez, restando vagas que poderão ser preenchidas ainda este ano.

Já as 120 nomeações para a carreira de Assistência à Educação serão divididas da seguinte forma: Arquivo (01); Fonoaudiólogos (05) ; Nutrição (50); Psicólogos (59) e Serviço Social (05). Essas nomeações são oriundas de um concurso que foi realizado em 2010 com homologação em 17 de fevereiro de 2011. A maioria desses profissionais atuarão na Regional de Ensino de Brazlândia, onde todas as escolas terão educação integral.

Assessoria de Comunicação da SEAP/Ascom- Tânia Rocha

Fotos: Dênio Santos/Agência Brasília

Fonte: Agência Brasília

Inscrições para bolsas do ProUni estão abertas

FOTO: DIVULGAÇÃO
 

Começam nesta segunda,13,as inscrições para a primeira edição de 2014 do Programa Universidade para Todos (ProUni) pela internet. Segundo o Ministério da Educação, o sistema estará aberto desde o início da manhã, mas não definiu horário. O prazo vai até as 23hs59 da sexta,17. A primeira chamada dos estudantes pré-selecionados será divulgada no dia 20 de janeiro no site do programa, que vai publicar a segunda chamada no dia 3 de fevereiro.

O ProUni é destinado a alunos que querem concorrer a bolsas de estudo, integrais ou parciais, em instituições particulares de educação superior. As bolsas integrais são para os estudantes com renda bruta familiar, por pessoa, até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais são destinadas aos candidatos com renda bruta familiar até três salários mínimos por pessoa. O bolsista parcial poderá utilizar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para custear o restante da mensalidade.

Pode participar da seleção o estudante que tenha feito a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013 e obtido no mínimo 450 pontos na média das notas. O candidato não pode ter tirado 0 na redação e precisa ter cursado o ensino médio na rede pública ou com bolsa integral na rede privada.

Fonte: Gazeta de Taguatinga

Nos últimos dias, a imprensa divulgou intensamente a precária situação da qualidade do ensino no Brasil.

Nos testes do Programa Internacional de Avaliação e Alunos (Pisa) estamos na 57.ª posição, entre 65 países pesquisados. ...

É verdade que aqueles testes mostraram uma pequena melhoria dos alunos brasileiros. Mas a corrida educacional é em direção a um ponto móvel. Os nossos concorrentes avançaram muito mais, mantendo o Brasil na posição em que estava em 2009.

A China, em especial a província de Xangai, disparou na melhoria do desempenho do ensino. A Coreia do Sul continuou brilhando. Japão e Taiwan progridem cada vez mais. Os países do Leste Europeu estão bem melhores que o Brasil.

A baixa qualidade do ensino no Brasil tem um preço alto na concorrência global, disse a professora Maria Helena Guimarães Castro. Ela está coberta de razão, pois a educação de boa qualidade é a chave da produtividade, que, por sua vez, é a base da competitividade.

O trabalhador brasileiro produz, em média, 25% do que produz o trabalhador alemão e 20% do que produz o americano. Tecnologia pesa, é claro. Mas a educação é crucial: o que realmente conta na eficiência de uma máquina moderna é a competência de quem a opera e a mantém.

Todas as pesquisas indicam que a qualidade da educação depende do que ocorre dentro das escolas, em especial nas salas de aula. No caso brasileiro, fala-se que o tempo de aula é insuficiente e que os professores são mal remunerados e não conseguem fazer os alunos apreenderem.

Tudo isso é verdade. Mas há uma agravante importante. Só em 2013, as greves de professores nas escolas estaduais e municipais somaram mais de 400 dias úteis, conforme informou o jornal Valor de 5/12/2013 – e o ano ainda não havia terminado.

Com isso, mais de 1,5 milhão de alunos foram prejudicados, pois, enquanto os professores cruzavam os braços, as mentes dos estudantes ficavam na ociosidade. Só no Rio de Janeiro foram 80 dias perdidos. Se já é difícil ensinar com jornadas normais, imagine com as aulas suspensas!

Essa história de repor dias de aula durante as férias é tão necessária quanto utópica. Na prática, as faltas se transformam em dias perdidos mesmo, em que os alunos deixam de aprender. Nas negociações para terminar com a greve, os administradores e os professores fazem que acreditam numa reposição, que nunca compensa o que se perdeu com as greves.

Falta discutir o mérito 

As principais reivindicações dos mestres se referem a aumentos salariais e melhores promoções nos planos de carreira. Nos movimentos grevistas, porém, não se pronuncia a palavra produtividade. Os sindicatos se recusam a atrelar os aumentos salariais e as promoções ao desempenho dos professores. Isso é muito grave.

A estimulação do mérito é crucial em qualquer campo e tem sido considerada seriamente nas negociações salariais dos professores em países avançados. É isso que ocorreu em 2013 nos Estados Unidos, na Alemanha, na Coreia do Sul e em outras nações.

No Brasil, há não apenas um desprezo, mas, sobretudo, um aberto combate ao mérito. Recentemente, os sindicatos dos professores do Rio de Janeiro tiveram a coragem de desfilar na cidade durante a greve empunhando faixas que diziam “abaixo o mérito!”.

Ou seja, ao problema da má remuneração e da falta de reconhecimento da carreira docente o Brasil soma o estrago de um sindicalismo corporativista que desconsidera inteiramente a razão de existir da escola: uma instituição para formar e estimular as novas gerações.

Para melhorar o ensino, não basta investir mais dinheiro, como promete fazer o governo no recém-aprovado Plano Nacional de Educação e com o uso dos recursos do pré-sal.

O mais urgente é restabelecer a ética do trabalho entre os profissionais da educação. Isso não se compra com dinheiro, e, sim, com exemplos que devem ser dados de cima para baixo. 

JOSÉ PASTORE PROFESSOR DE RELAÇÕES DO TRABALHO DA FEA-USP, É MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.

Fonte: Blog do Riella - 07/01/2014