Em pleno domingo de páscoa quando as igrejas ficam lotadas e as ruas ficam vazias, alguns jovens que estão fora das duas realidades ficam sem o que fazer. Não querem ficar em casa assistindo a enfadonha TV do domingão, ou acessando as tediosas telas dos seus smartphones. Coisas dos novos tempos que a inteligência desumana não conseguiu solucionar. O super poder público, concentrador de soluções como pretenso e todo poderoso, só entende de ocupação de cargos e de “ilicitações”. Assim os espaços sob a ordem dos poderosos permanecem inacessíveis aos seus verdadeiros donos, o contribuinte. Ou seja, aquele que literalmente contribui para a existência destes e de outros espaços.

O organograma do governo também chamado gerente do estado é formado por “N” secretarias e obviamente seus secretários, e seus cargos, todos ocupados com seus assessores muito bem remunerados, e que, diga-se de passagem, muitas vezes não contribuem em nada para solucionar tais questões. Assim imensos espaços que deveriam ser públicos, ou do público, permanecem restritos ao uso apenas dos seguranças contratados a peso de ouro. Estes que estão ali com a missão de não permitir que o contribuinte tenha acesso a essas instalações. E, quando alguém quer inverter a ordem do tedioso domingão e fazer alguma coisa verdadeiramente fora do arcabouço, tem de se virar. Alugar espaços comerciais pagando com recursos próprios, recursos esses que deveriam ser usados para investir em proveito familiares, mas que acabam sendo desviados para cobrir aquilo que é de atribuição dos famigerados secretários. Foi o que o Gama Cidadão pode constatar ontem durante aquele domingo de páscoa no Recanto das Emas, cidade localizada na zona sudoeste do DF.

O Coletivo de artistas que prestigia a cultura africana e dá nome ao coletivo Ubuntu que quer dizer “Coisas feitas coletivamente”. Ali vários grupos das mais variadas regiões do DF se encontram em uma celebração muito particular. O espaço, que é alugado por um dos coletivos, agrega diversas atividades de artistas vindos de Santa Maria, Gama e até de são Sebastião.

São poetas, encenadores, músicos, artesãos, escritores e gente que sai de casa apenas com o objetivo de driblar o tédio do domingo. Segundo José Garcia, poeta, ambientalista e ativista cultural, morador do Gama, aquele domingo entrou para a história. “Pude encontrar gente de todas essas regiões, gente jovem bonita querendo estar junto de pessoas como elas, que não se enquadram nesse formato horrível de falta de opção.” Afirmou o poeta.

Dedé, como é conhecido, ressalta o encontro com o escritor Rodolfo Melo que está com seu segundo livro em pleno lançamento, quentinho na hora. Um livro de contos ambientado em Brasília com uma abordagem crítica e severa sobre as questões sociais inerentes a uma classe média emergente ornada por preconceito. O livro, cujo o titulo é “Meu Deus s que cidade linda”, já trata de profunda ironia. É, segundo Garcia, um retrato da cidade. Com contos ambientados, inclusive na mais nova cidade do DF que poderia ser utilizada como referência desse segmento. Essa classe média emergente. Ali mesmo o poeta, que apresenta um programa mensal na Rádio Nacional em parceria com outro ativista, o poeta Luiz Felipe Vitelli, já cuidou de incluir o contista na programação do próximo programa. Este que irá ao ar no dia 6 de maio, e que será dedicado às mães. Mas as boas novas não ficam por aí.

Uma jovem moradora de São Sebastião, chamada Rejane, surpreendeu o poeta com a declaração de que teve de tomar dois ônibus para vir e terá de tomar outros dois para voltar. Todo esse esforço, segundo a moça, se deve ao fato de que onde a poesia estiver ela faz um esforço a mais para estar presente. Isso devido o tamanho gosto por esse gênero literário.

Rejane de São Sebastião - DF

“Realizar esse Sarau foi muito importante para mim, ainda mais na cidade em que fui criada. Levar um pouco de cultura ao Recanto das Emas foi maravilhoso. É satisfatório poder ver essa mistura de gerações unidas em um só propósito: A Arte!

Recebemos latas com poesias pintadas do projeto Afeto na Lata, que sorteamos durante todo o dia. Tivemos, também, livros doados pelos participantes.

Agradeço a Afeto na Lata, pela contribuição, aos artistas que se apresentaram e a comunidade e os amigos que compareceram. A Banca de Poetas, pela força de sempre, ao espaço UBUNTU que nos cedeu um espaço tão bonito, e segue o abrindo para a comunidade. E em especial a Beatriz, colaboradora da página, braço direito e amiga”, disse Kimberly Carolyne administradora da pagina Poetas de Sofá.

Brindes dos apoiadores sendo entregues pela Kimberly Carolyne da Poetas de Sofá

No espaço cultural Ubuntu estavam presentes as meninas do grupo “Poetas de Sofá”. Que, na ocasião, eram quem promovia o Sarau. Juntamente com várias tribos de outras cidades. A exemplo, o projeto “2 Coelhos” de Santa Maria, que nada mais é do que uma banda de Rock super divertida. Várias outras Bandas de jovens iniciantes na música também encontraram espaço nesse meio para mostrar o seu trabalho.

Ali pode se ver vários ramos da economia solidária sendo usados como forma de gerar recurso para que, no final do mês, as contas possam serem pagas. Assim fazendo com que o espaço possa continuar vivo, propiciando esse encontro tão agradável. Porém uma constatação não pode ser deixada de lado. Naquele ambiente o estado e seus secretários não estavam. Nem os seus assessores bem remunerados. O diretor de cultura de administração regional que deveria estar ali para executar a função para a qual foi contratado, não passou nem na porta. Isso de certa maneira foi até bom, pois quem não ajuda sempre atrapalha. E quem não atrapalha já ajuda um bocado.

Segue Bandas, artistas, escritores e dançarinas que se apresentaram no Sarau domingo de páscoa: Emily Bandeira; 2 Coelhos, Sol; Armando; Mosaico; Millena; Cold; João Pedreira; Anillá; Sorteio; José Garcia Caianno (Banca de Poetas); Felipe Fernandes; Daniel Néia; Luzes.

Galeria de fotos. Clique aqui! 

Da Redação do Gama Cidadão

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