Grupo usa camisetas de 'Fora, Temer' em ato contra o presidente na Esplanada, em Brasília.

Por G1 DF/Foto: Marília Marques/G1 - 19/05/2017 - 03:37:49

Até as 21h, manifestação foi pacífica na Praça dos Três Poderes; pouco depois, grupo derrubou grades de proteção do Palácio do Planalto. Policiais reagiram com bombas de gás; houve tumulto.

Manifestantes se reuniram na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, e em frente ao Palácio do Planalto em um ato contra o presidente Michel Temer na tarde desta quinta-feira (18). O protesto foi convocado por redes sociais e reuniu 1,5 mil pessoas no momento de maior público, por volta das 19h, de acordo com a Polícia Militar. No mesmo horário, não havia estimativa de público feita pelos organizadores.

A manifestação que começou pacífica, terminou em confronto entre policiais e um grupo de pessoas. A confusão teve início na Praça dos Três Poderes, por volta das 21h, e se estendeu até a rodoviária do Plano Piloto.

Segundo a PM, o conflito começou porque manifestantes derrubaram grades de proteção que isola o Palácio do Planalto, a cerca de 50 metros da entrada principal do prédio. A Polícia Militar reagiu com spray de pimenta para afastar o grupo.

Os manifestantes começaram, então, a jogar pedras e garrafas de vidro contra a polícia, que voltou a usar spray de pimenta para dispersar o grupo. Alguns jovens levaram grades e cones para o meio da via, formando uma espécie de barricada.

Por volta das 21h30 a Praça dos Três Poderes estava praticamente vazia. A segurança foi reforçada com militares da cavalaria.

Durante a dispersão dos manifestantes, houve novo confronto – desta vez, na plataforma inferior da rodoviária. Segundo a PM, um grupo de pessoas arremessou pedras contra a corporação, e os policiais voltaram a usar spray de pimenta.

Início pacífico

A concentração de manifestantes na rodoviária do Plano Piloto começou por volta das 17h. Uma hora depois, o grupo ocupou as seis faixas do Eixo Monumental no sentido Esplanada, e começou uma passeata em direção à Praça dos Três Poderes – área entre o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.

Em frente ao Planalto, um pequeno grupo chegou mais cedo, por volta das 16h, pouco antes do presidente Michel Temer anunciar que não renunciaria ao cargo frente às denúncias de delatores da JBS.

Por volta das 20h20, um grupo de manifestantes começou a atirar latas na direção da Polícia Militar, os ânimos ficaram exaltados. Algumas pessoas protegeram o rosto com panos, temendo o uso de spray de pimenta. Mas não houve confronto.

Com bandeiras de partidos e faixas pedindo "Fora, Temer" e eleições diretas, os manifestantes também gritaram palavras de ordem contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e contra o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Um grupo a favor da intervenção militar também compareceu ao local, e houve troca de provocações, mas sem registros de confronto físico.

O sociólogo Daniel Galvão, 42 anos, levou os filhos de 6 e de 2 anos para o protesto. Junto eles carragavam um cartaz pedindo eleições diretas.

"Esse é um momento histórico que demanda extrema responsabilidade de cada cidadão no que diz respeito ao estabelecimento do estado democrático de direito. É a hora de exercer a nossa cidadania e todos precisam ocupar as ruas", apontou Galvão.

As denúncias

O Supremo Tribunal Federal (STF) enviou no fim da tarde desta quinta-feira (18) à Presidência da República uma das gravações que integram a delação premiada da JBS. No início da noite, o conteúdo também foi liberado para a imprensa.

O arquivo de áudio tem duração de 39 minutos com conversas entre um dos donos da JBS, Joesley Batista, e o presidente Michel Temer.

As delações premiadas de Joesley e Wesley Batista já foram homologadas pelo ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, o que dá validade jurídica ao acordo e permite novas investigações com base nos relatos.

Além de documentos, há gravações e vídeos feitos pelos delatores e também pela Polícia Federal no caso.

Diante da intensa repercussão do assunto, o presidente Michel Temer fez um pronunciamento nesta quarta no qual declarou que não renunciará ao cargo.

Com base nas delações dos empresários, Fachin autorizou a abertura de um inquérito para investigar o presidente.

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