Segundo nota da secretaria, embora nenhuma manifestação tenha sido protocolada, os agentes vão permanecer em estado de prontidão

EBC Agência Brasil - 02/08/2017 10:16

A Secretaria de Segurança e da Paz Social do Distrito Federal deve reforçar hoje (2) o efetivo na área central de Brasília, em razão da votação, na Câmara, da admissibilidade da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer.

Segundo nota da secretaria, embora nenhuma manifestação tenha sido protocolada, os agentes vão permanecer em estado de prontidão, podendo ser acionados a qualquer momento. A Polícia Militar (PM) destacará uma equipe especializada para atuar na Esplanada dos Ministérios, onde fica o Congresso Nacional.

Apesar de não terem sido confirmadas junto à secretaria, as manifestações tomam forma nas redes sociais. No Twitter e no Facebook, a Frente Brasil Popular informou que um ato está marcado para as 17h.

Acesso aos ministérios
Nenhuma via de acesso às imediações da Esplanada será bloqueada, a princípio. O acesso dos servidores dos ministérios não tem, até o momento, nenhum procedimento atípico ou especial e está sendo feito pelas portarias principais.

No prédio do Ministério da Agricultura, os tapumes existentes são de maio, quando a frente do prédio foi atingida por chamas provocadas por manifestantes.

“A gente estreita um pouco a abertura da porta principal. Orientamos a equipe a fechá-la de imediato, se houver alguma ameaça, e a aguardar a PM, até porque ela monitora os ônibus que entram em Brasília. Como a gente tem um efetivo [de segurança interna] limitado, não há como aumentá-lo, mas tomamos todas as medidas que julgamos necessárias. Nós temos um canal direto com o 6º Batalhão da PM. Mantemos também vigilantes nas guaritas, que operam, nesses dias, como sentinelas”, disse o supervisor de segurança do ministério, Ricardo Teles.

A reportagem da Agência Brasil avistou – no início da manhã – cerca de sete ônibus e cinco carros da PM próximos ao Ministério da Justiça, e duas motos da corporação diante do Ministério da Defesa.

Dois agentes policiais instalavam taipas na lateral direita do Congresso. Na Rodoviária de Brasília, não foram constatadas revistas de transeuntes. Também não foi observado nenhum grupo da Força Nacional na área.

 

Algumas questões e argumentos no Brasil são desmoralizados pela repetição verborrágica sem uma correlação de fato entre a tese e a prática. Uma delas é a ladainha do excesso de partidos, a que algumas pessoas costumam se referir como meras “siglas partidárias”.

Que existe excesso, todos dizem; por que isso é ruim todos repetem que é por causa do excesso. Quando explicam as razões, a argumentação enfraquece a defesa. O principal fundamento seria a confusão ideológica gerada nos cidadãos, além de os pequenos partidos venderem alguns minutos no horário de televisão nas campanhas eleitorais para as grandes agremiações.

Não existe prejuízo com excesso de ideologias porque são poucos os filiados capazes de entender o significado de ideologia. Menos, ainda, são aqueles com capacidade de fazerem uma associação entre sua posição ideológica e aquela adotada por um partido político.

Quanto à venda do tempo, também não se sustenta, pois se resolveria se não houvesse os “receptadores”, numa disputa típica de um leilão.

Ainda nessa linha de distância entre filiados e partidos, muitos são filiados sem sequer terem conhecimento de que o são. Por isso, ainda é comum se detectar a duplicidade de filiação na Justiça Eleitoral.

Esses argumentos são insustentáveis, a não ser para bancar salários de “analistas políticos” e encher o peito de políticos sem outra coisa importante para dizer. Mas não faltam razões que justifiquem a insignificância dos partidos brasileiros.

Uma primeira seria a ausência de uma atuação política de fato. As agremiações partidárias limitam-se exclusivamente à escolha de candidatos a cargos eletivos. Não realizam nenhum trabalho de conscientização política nem de cidadania. Entregam candidatos sem nenhuma capacidade de gestão, e cobram voto consciente do cidadão. Não é sem razão que a corrupção grassa de ponto a ponto deste país.

Os filiados servem apenas de número e não participam de atividade nenhuma. Quando são chamados a participar, limitam-se a legitimar escolhas já feitas pelos caciques. É assim com a escolha de todos os candidatos.

Além de não estimular a participação dos seus integrantes, os partidos são verdadeiros fantasmas. Pouquíssimas pessoas sabem como são estruturados, como se organizam, muito menos conhecem o endereço de um deles. Esse anonimato decorre, inclusive, da falta de cobertura da mídia, dos institutos de pesquisas, que só falam de partidos em época de eleição. Indaguem a alguém para que serve um partido.

Até mesmo os sítios dessas instituições não trazem nada de interesse coletivo. Os textos constituem-se em autoelogios, ou críticas deliberadas aos adversários, num padrão “botequim de esquina”.

De um mal gigantesco nenhum brasileiro escapa: os partidos são sustentados pelo Fundo Partidário, um repasse constitucional de dinheiro público a pessoas jurídicas de direito privado. Essa transferência automática mereceria um questionamento sobre a sua constitucionalidade, já que não há um elo lógico entre os interesses de um partido com o interesse público ou coletivo.

Definitivamente, os partidos são ruins por seus próprios equívocos, por falta de atuação, por falta de clareza sobre os fins para que são constituídos. O Brasil não tem boas lembranças do bipartidarismo. Pelos argumentos utilizados, não faz a menor diferença de que eles sejam duzentos ou apenas dois.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

   Bacharel em direito

Por: Regis Machado*

Pare um pouco e reflita: você está satisfeito com a política no Brasil? Se você é uma pessoa normal, que acompanha o que vem acontecendo ultimamente no seu país, a resposta a essa pergunta só pode ser um indignado e contundente “NÃO. Claro que NÃO!”, seguido de um “Tá louco?”.

A Lava Jato não para, a chamada “delação do fim do mundo” era apenas a ponta do iceberg. Um a um, junto com seus assessores, operadores e doleiros, caem em sequência os reis e as rainhas desse castelo de cartas marcadas que é a estrutura político-partidária no Brasil.

A ideologia virou mera peça publicitária, ardil para sequestrar, de quatro em quatro anos, os votos de incautos e inocentes. O que importa mesmo, de verdade, é apenas abocanhar cargos e gerenciar orçamentos na estrutura pública, podendo, assim, empregar apaniguados, fraudar licitações e de mil e uma maneiras distintas sangrar e embolsar, em conluio com empresários e “amigos”, os mais de dois trilhões em impostos pagos anualmente pelos cidadãos. Recursos que, não fossem desviados pela corrupção, certamente seriam suficientes para entregar à população educação, saúde, segurança e outros serviços públicos essenciais com a mínima qualidade que deles se espera.

Mas vamos ao ponto central. Não bastassem os recursos do Fundo Partidário, da ordem de quase R$ 1 bilhão/ano [1], bem como os outros vários bilhões a título de isenções fiscais para custear o horário eleitoral obrigatório e a propaganda partidária no rádio e na TV [2], agora os políticos querem que você, eleitor, também pague pelas suas campanhas, num montante inicialmente estimado (ou seja, poderá ser ainda maior!) em astronômicos R$ 6 bilhões [3].

Parece piada, mas, num país em que um Deputado ex-palhaço exerce o cargo com mais seriedade do que seus pares, não se pode confiar no senso de humor dos parlamentares. E o perigo é maior ainda, tendo em vista que, devido à regra da anualidade na legislação eleitoral, a criação desse fundo extra precisaria ocorrer a toque de caixa, com votação e publicação até o final de setembro.

Se não houver ampla mobilização para barrar essas e outras propostas estapafúrdias, a exemplo do voto em lista fechada [4], elas podem se tornar realidade, mesmo sendo flagrantemente contra a vontade popular. Há muito os congressistas não se comportam como “representantes do povo”, mas atuam, isso sim, em causa própria e na defesa dos interesses dos seus financiadores ilícitos de campanha. A desfiguração do projeto das “10 medidas contra a corrupção” no final de 2016, por exemplo, demonstrou esse desvirtuamento de forma cristalina. A descriminalização do caixa 2 também está na pauta.

Apesar da crise que assola o país e cujo saldo já são mais de 14 milhões de desempregados [5], reduzir o custo das campanhas não precisa ser uma preocupação. Basta transferir mais uma conta pro povo, tratando, sempre que convém, o dinheiro “público” como infindável. Para cumprir a lei e implementar o voto impresso, alega-se falta de recursos [6], mas, de repente, como num passe de mágica, cogita-se a instituição de um desavergonhado “fundo eleitoral” em montante três vezes superior. Piada sem graça nenhuma.

Enfim, a triste realidade é que até o slogan do Deputado-palhaço foi propaganda enganosa. As coisas sempre podem piorar. Sábio mesmo era o falecido Ulysses Guimarães, a quem se atribui a célebre frase: “Se você acha que o Congresso atual é ruim, então espere pelo próximo”. É rir para não chorar.


#2018RenovaGeral

#MudeaPolitica

*Auditor do Tribunal de Contas da União (TCU)

www.mudeapolitica.com.br

[1] http://www.tse.jus.br/partidos/fundo-partidario

[2] http://www.ebc.com.br/noticias/politica/2014/09/horario-eleitoral-custara-r-839-milhoes-aos-cofres-publicos, http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/12447, http://www.tse.jus.br/partidos/propaganda-partidaria/propaganda-partidaria

[3] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,valor-do-fundo-eleitoral-pode-chegar-a-r-6-bi-com-proposta-de-relator,70001876979

[4] https://www.facebook.com/mudeapolitica/posts/670768159790835

[5] http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-04/ibge-total-de-desempregados-cresce-e-atinge-142-milhoes

[6] http://g1.globo.com/politica/noticia/reforma-politica-corregedores-eleitorais-pedem-adiamento-do-voto-impresso.ghtml

Zé Roberto Arruda tem a oportunidade de limpar a sua biografia, preservar os filhos no futuro sendo o cara que passou Brasília a limpo. Mostrar que nem tudo está perdido. A cidade vai agradecer.

Por Ricardo Callado - 24/07/2017 - 05:28:37
 


O fim de semana se agitou com a informação de uma possível delação do ex-governador José Roberto Arruda (PR). Se for concretizada – e não passar de envio de recados – a política de Brasília vai ser passada a limpa.

Arruda conhece o bastidor político como ninguém. É personagem desde a emancipação política do Distrito Federal. Sabe das coisas. Foi protagonista em algumas delas. Outras, fez participações. A delação faria um grande favor à cidade. Muitos que arrotam moralidade terão suas máscaras caídas.

Zé Roberto, como os mais próximos o chamam, teve idas e vindas. Foi responsável pela implantação do metrô no DF, deputado mais votado da história, senador, líder do governo FHC no Senado e governador com altos índices de aprovação popular. Também teve o mandato de senador cassado no escândalo do painel, foi o primeiro governador do país preso acusado de corrupção na Operação Caixa de Pandora e, mais recentemente, preso novamente na Operação Panatenaico.

Mesmo assim, Arruda possui um cacife eleitoral invejável para alguém que não pode mais ser candidato. A sua mais recente derrota na justiça foi a prisão por suspeita de fraudes de quase R$ 1 bilhão na reforma do Mané Garrincha – inicialmente orçada em cerca de R$ 600 milhões e que, ao final, custou R$ 1,575 bilhão. Ele teve a companhia na carceragem do também ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB).

Mesmo como uma trajetória marcada pela bipolaridade, Arruda não dá ponto sem nó. E só por existe a intenção de delação, o pânico dissemina nos políticos locais.

O Distrito Federal não é diferente de outras unidades da Federação. Casos de corrupção existem desde o primeiro governo eleito. E muitos dos envolvidos continuam na política gritando por ética e moral.

A delação de Arruda vão colocar tudo às claras. E pode ser gerador de várias investigações. A sociedade brasiliense pode até ficar escandalizada, mas é preciso que isso aconteça.

O que não se pode mais aceitar são os esquemas de corrupção que existem até hoje e que quebraram o Governo do Distrito Federal. Dinheiro do povo que foi usado para roubalheiras como o Estádio Mané Garrincha, o Centro Administrativo, Jardim Mangueiral, obras do PAC no DF, da EPTG e o BRT Expresso DF só para citar os mais recentes.

Zé Roberto Arruda tem a oportunidade de limpar a sua biografia, preservar os filhos no futuro sendo o cara que passou Brasília a limpo. Mostrar que nem tudo está perdido. A cidade vai agradecer.

Fale Arruda, a população espera por isso e você é o homem certo para essa missão. Medo é algo que você nunca teve. E não vai ser agora que vai arregar.

 

 

Justiça considerou que ele causou dano ao erário ao reintegrar o ex-distrital Marco Lima à Polícia Militar, ignorando parecer contrário


O ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e o ex-consultor jurídico e atual advogado do petista foram condenados por improbidade administrativa pela 7ª Vara da Fazenda Pública do DF. O juiz Paulo Afonso Cavichioli Carmona entendeu que os dois praticaram “ato flagrantemente nulo”, permitindo a reintegração do ex-deputado distrital Marco Lima à Polícia Militar. Além de ser reincorporado, ele ganhou o direito de receber a quantia de R$ 1 milhão, referente a salários retroativos do período em que ficou afastado.

O juiz condenou o petista à perda de função pública, se houver; ao ressarcimento integral de todos os valores recebidos retroativamente por Marcos Lima; e à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de oito anos. Paulo Guimarães foi punido com perda de função pública, se houver, e suspensão dos direitos políticos pelo prazo de cinco anos.

De acordo com a sentença, Agnelo “praticou, dolosamente, conduta que ensejou perda patrimonial para o Distrito Federal, bem como por violação aos deveres de imparcialidade e legalidade, ao anular ato administrativo atingido pela prescrição/decadência e permitindo o reingresso de policial militar excluído da corporação há mais de dez anos”.

Esta é a quinta condenação do ex-governador por improbidade administrativa. Em processos anteriores, foi considerado culpado por não nomear servidores concursados no Procon, por alterar a própria jornada de trabalho como médico da Secretaria de Saúde, pela negociação da Fórmula Indy em Brasília e por nepotismo.

Agnelo e Paulo Guimarães vão recorrer da decisão. O Metrópoles não conseguiu contato com Marco Lima.

Histórico
Marco Lima ingressou na PMDF em 1987 e, em 1992, foi afastado da corporação por razões disciplinares. Em 1994, candidatou-se ao cargo de deputado distrital. Eleito, tomou posse em 1º de janeiro de 1995. Segundo o processo, em agosto do mesmo ano, foi editado um decreto distrital que anulou o afastamento de Lima e de outros oito ex-policiais.

No entanto, em 2000, a PMDF teria expedido portaria, respaldada pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF), afastando Marco Lima da corporação a partir do registro de sua candidatura, em julho de 1994. Em 2012, de acordo com o Ministério Público, foi editado o Decreto nº 33.790, reintegrando o ex-distrital à corporação, mesmo com parecer contrário da PGDF.

De acordo com o processo, no dia 30 de setembro de 2010, o então senador Gim Argello enviou ofício ao GDF solicitando a reintegração de Marco Lima. Na ocasião, o comandante-geral da PMDF consultou a Procuradoria-Geral do DF sobre a legalidade do ato. Um parecer foi expedido solicitando que o pedido de reintegração dos ex-policiais militares fosse indeferido, em decorrência da prescrição quinquenal administrativa.

Apesar do parecer contrário, a Consultoria Jurídica do GDF elaborou novo entendimento, sendo favorável à reintegração, que culminou na edição de um decreto pelo então governador Agnelo Queiroz. No entendimento do magistrado, a medida foi tomada após o transcurso de lapso temporal superior a 12 anos, o que não é permitido pelo ordenamento jurídico, que estabelece prazo de cinco anos para prescrição.

“O dolo da conduta dos réus é, ainda, evidenciado pelo fato de decorrido apenas um dia após a reintegração de Marco Antônio dos Santos Lima às fileiras da Polícia Militar, o então governador do DF tê-lo nomeado para o cargo de assessor técnico da Casa Militar da Governadoria, inclusive, com o recebimento de gratificação de função militar, (…), o que consubstancia nítido interesse pessoal dos requeridos no retorno do aludido servidor militar à atividade, em total contradição do interesse público para os casos da espécie”, finaliza a sentença, assinada no último dia 14.

Da Redação do portal Metrópoles - 

 

Governo para idosos
Por Ana Maria Campos-Correio Braziliense/Luis Nova/Esp. CB/D.A Press - 11/07/2017 - 08:24:29

A liderança de Luiz Inácio Lula da Silva na pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPad), publicada pelo Correio no fim de semana, revela que o PT, ao contrário do que muita gente pensa, não está morto no Distrito Federal. Uma eventual candidatura do petista à Presidência da República pode valorizar um concorrente da legenda em Brasília para o Palácio do Buriti ou ao Senado. Mesmo que o ex-presidente não entre na disputa, tê-lo como cabo eleitoral pode significar força eleitoral no mínimo para eleger uma bancada de deputados distritais. O levantamento indicou que Lula tem de 16,7% a 17,3% dos votos, a depender dos cenários. O segundo colocado, de acordo com a pesquisa, é o deputado Jair Bolsonaro (PSC), com 10% a 14,8%.

Governo para idosos

Homens com mais de 60 anos são os que mais aprovam o governo Rollemberg. É o que indicou a pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD). Para 15% dos idosos, a administração é ótima ou boa. Nessa faixa etária, 18% consideram regular. 

Rejeição menor entre jovens

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) consegue um desempenho melhor também entre as pessoas com 16 a 24 anos. O político que sempre foi identificado com a juventude encontra nessa parcela da população a menor taxa de rejeição: 60%. A média foi de 67%.

Elas são mais críticas 

Numa comparação por gênero, as mulheres são mais críticas em relação ao atual governo. A pesquisa mostrou que 70% das eleitoras estão insatisfeitas com a atual administração. O número é mais baixo no sexo masculino (64%). 

Tudo pode piorar

Nos últimos meses, o governador Rodrigo Rollemberg mudou o estilo. Adotou um tom mais severo em relação ao corporativismo dos sindicatos, vestiu o capacete de obras, lançou um projeto novo para a saúde, o Instituto Hospital de Base, e anunciou a regularização de condomínios, mas a população está pessimista. Em meio a um cenário nacional de crise e uma total desconfiança em relação aos políticos, a pesquisa do IBPad revelou que metade dos cidadãos acha que as coisas vão piorar até o fim do mandato. Outras 31% acreditam que nada muda. Apenas 14% apostam em melhorias. 

Sinal pró-Temer

O deputado Rogério Rosso (PSD/DF) defende um rito diferente para a análise sobre o recebimento de denúncias contra presidentes da República, com produção de provas e depoimentos. Avalia que não dá para afastar um presidente no exercício do mandato sem elementos que detalhem a acusação. Foi o que disse ontem na CCJ, sinal de que vai votar contra o parecer do relator, Sergio Zveiter (PMDB-RJ), favorável à abertura de processo contra Michel Temer.

Pior ou igual a Agnelo

Um dos aspectos da pesquisa que deve incomodar Rollemberg é a comparação com a gestão de Agnelo Queiroz. O governador passou os dois primeiros anos batendo na tecla da herança maldita que impede avanços, mas 8 entre 10 pessoas acreditam que a gestão atual é pior ou igual à anterior. Para 41,3%, a situação andou para trás e 31,3% apontaram que nada mudou. Apenas 16,4% enxergam avanços. Essa análise é preocupante para quem quer disputar a reeleição. Agnelo não conseguiu sequer chegar ao segundo turno em 2014. Além disso, a pesquisa foi realizada entre 1° e 5 de julho, depois que o ex-governador petista já havia sido preso por indícios de corrupção na Operação Panatenaico.

À QUEIMA-ROUPA 

Max Stabile-Diretor executivo do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPad)

O resultado das pesquisas indicou alta rejeição?

De fato, é uma surpresa ver essa rejeição para o Distrito Federal tão grande assim. Essa rejeição sempre ocorreu em relação ao sistema político, aos partidos. E, de certa forma, os personagens, os atores políticos, eram descolados desse processo. O que está acontecendo é que colou nos políticos. 

Se está todo mundo com a rejeição tão alta, 

os candidatos começam no mesmo patamar?

Todo mundo dentro do mesmo patamar. Mas vai chegar um momento em que os políticos vão tentar fazer as pazes com o eleitor e se diferenciar dos demais. Assim, taxas de rejeição podem ser reduzidas no processo de afunilamento de uma campanha. Essa rejeição, com certeza, vai diminuir quando chegar mais próximo da eleição. Ocorre a “desrejeição”, num processo de comparação com o menos pior, por exemplo. Mas pode surgir um outsider e mudar esse cenário. 

Pode sugerir o aparecimento de um aventureiro, fora do cenário?

O que a gente tem visto é que isso não é tão simples, aparecer alguém totalmente desconhecido. Ou se tem um personagem, um artista conhecido ou um grande empresário, alguém atrelado a uma marca positiva. 

Nove entre 10 não têm candidato. Isso também é normal?

É coerente com a situação, as circunstâncias políticas, e ninguém sabe ainda quem será candidato. 

Qual é o perfil que vai fazer sucesso?

Nesse cenário atual, a impressão é de que faz sucesso “gente que prende”, no sentido de combate à corrupção. Tanto que Joaquim Barbosa aparece muito bem na pesquisa. 

Senadora é a primeira mulher a presidir o partido. Lula e Dilma participaram do evento em Brasília

Os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff participaram, na noite desta quarta-feira (5/7), da posse do novo comando do partido. Pela primeira vez, a sigla será chefiada por uma mulher: a senadora Gleisi Hoffmann (PR), que foi empossada no evento promovido no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília.

Gleisi assume o PT após um período em que, em pouco mais de três anos, o partido venceu sua quarta eleição presidencial consecutiva, foi alvo de um impeachment que tirou Dilma do poder e viu algumas de suas principais lideranças presas ou investigadas na Lava Jato. Entre elas, Lula e a própria senadora, que se tornou ré pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ela e o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, são acusados de ter recebido R$ 1 milhão para a campanha da senadora em 2010. De acordo com depoimentos de delatores na Lava Jato, o valor é oriundo de recursos desviados de contratos da Petrobras. Ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Delações, denúncias e condenações à parte, Lula foi aclamado pelos militantes presentes como candidato do PT à Presidência da República em 2018. Um a um, os parlamentares do partido se revezaram ao microfone para atacar o atual presidente, Michel Temer (PMDB), e para pedir a convocação de eleições diretas imediatamente. “Vamos recuperar a democracia e eleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou o senador Lindbergh Farias (RJ).

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vargner Freitas, pediu o “fim da perseguição” ao ex-presidente Lula. “Mas, se ele for condenado injustamente, vamos tomar o Brasil”, disse Freitas.

Depois foi a vez de Dilma, Gleisi e Lula falarem. Veja o que disseram:

Dilma Rousseff
É fato que houve um golpe no Brasil. E é fato que esse golpe está caminhando para a ruína, como na ditadura militar. Eles não conseguem criar condições para fazer as reformas que propuseram. Por isso, o PT tem mostrado que sabe se adaptar, mas sem mudar de lado. Estamos nos adaptando.”

Gleisi Hoffmann
Temos que ter clareza sobre para quem nós governamos e saber para quem queremos voltar a governar. Vamos defender os direitos de todos os brasileiros, mas vamos defender o presidente Lula. Não pensem eles que com uma sentença de juiz de primeira instância vamos ter uma eleição sem Lula. Sem o presidente Lula, a eleição será uma fraude.”

Lula
Certamente o Rodrigo Maia [presidente da Câmara dos Deputados, do DEM-RJ] está se preparando para assumir [o governo]. Não podemos pensar que um golpista é melhor do que o outro. Um golpista é um golpista.

Metrópoles - 05/07/2017 21:05