AMANDA MARTIMON, DA AGÊNCIA BRASÍLIA - 25/10/17

De 10 pilares avaliados em pesquisa nacional, Brasília subiu posições em cinco e se manteve bem em outros três. Mereceu destaque, por exemplo, em ações de destinação de lixo

Com ações como o programa Qualifica Mais Brasília, que oferece capacitação profissional, e a abertura do Aterro Sanitário de Brasília, que permitirá a destinação correta do lixo, o Distrito Federal é considerado o primeiro do Brasil em sustentabilidade ambiental e capital humano.

Os resultados constam no Ranking de Competitividade dos Estados 2017 — pesquisa organizada pelo Centro de Liderança Pública e feita pela Tendências Consultoria Integrada e a EIU, divisão de pesquisa e análise do The Economist Group.

No ranking-geral, o DF se manteve em 4º lugar, atrás apenas de São Paulo (1º), Santa Catarina (2º) e Paraná (3º). De 10 pilares avaliados por pesquisa nacional, Brasília subiu posições em cinco e se manteve em outros três itens.

Em comparação com 2015, a capital brasileira saltou de 24º para 6º lugar em potencial de mercado, de 20º para 9º lugar em relação à segurança pública e de 12º para 5º na análise de eficiência da máquina pública.

O ranking analisa a competitividade das unidades da Federação por meio de 10 pilares — capital humano, educação, eficiência da máquina pública, infraestrutura, inovação, potencial de mercado, segurança pública, solidez fiscal, sustentabilidade ambiental e sustentabilidade social —, cada um com uma série de indicadores.

Abertura do primeiro Aterro Sanitário de Brasília

Para a diretora-presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Kátia Campos, a boa pontuação de Brasília — que passou de 8º para 1º lugar no indicador de destinação do lixo — é reflexo direto da inauguração do primeiro Aterro Sanitário do DF.

“O primeiro passo para uma cidade fechar o seu lixão é ter outro local para colocar os resíduos. Isso só foi possível porque houve uma decisão de governo. O SLU não conseguiria sozinho, são 17 órgãos trabalhando”, avalia.

Além do Aterro Sanitário e medidas adotadas para concluir o fechamento do Lixão da Estrutural, como a construção de centros de triagem de resíduos, o governo local criou iniciativas para a gestão do setor, entre elas os papa-entulhos e os papa-lixos.

Os papa-entulhos, segundo a diretora-presidente, atuam em um dos problemas mais graves das grandes cidades. “É quando a população deixa resíduos de forma inadequada, coisas que não cabem na coleta do caminhão compressor, como colchões, galhos de árvores”, exemplifica.

No DF, são sete em seis regiões administrativas com o dispositivo. Já os papa-lixos atendem áreas onde o caminhão não consegue acesso, como nos casos em que a rua é muito estreita.

Em sustentabilidade ambiental, o DF obteve nota máxima nos indicadores de destinação de lixo, de serviços urbanos e de tratamento de esgoto.

Os desafios para a capital, de acordo com o ranking, estão nos índices de infraestrutura, com queda da 9ª para a 11ª posição, e de solidez fiscal, de 10ª para 22ª.

Ambos estão atrelados ao cenário de crise financeira, enfrentado desde o início da gestão, e que levou a medidas de austeridade para cumprir as regras impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e retomar o reequilíbrio das contas.

50%Porcentual dos formados pelo Qualifica Mais Brasília em 2016 que declararam ter obtido colocação profissional

Qualificação de trabalhadores ganha nota máxima

No ranking, Brasília avançou ao primeiro lugar na avaliação de capital humano ao ter também nota 100 — a maior no parâmetro adotado na pesquisa — em produtividade do trabalho, população economicamente ativa com ensino superior e qualificação de trabalhadores.

Nesse último, um dos programas de destaque do governo é o Qualifica Mais Brasília. De acordo com o último balanço, em 23 de outubro, o portal registra 17.524 alunos matriculados e 5.151 alunos certificados.

“Os cursos são de extrema qualidade. Temos muitos relatos de pessoas que não teriam condições de pagar pela qualificação e que conseguiram um emprego. Elas se sentem mais preparadas, vão mais encorajadas a uma entrevista”, opina o secretário adjunto do Trabalho, Thiago Jarjour.

Segundo ele, 50% dos que concluíram os cursos em 2016 declararam que conseguiram uma colocação profissional. “Isso tudo a um custo baixo para o governo, uma média de R$ 30 por aluno certificado”, destaca.

Por meio de ensino a distância on-line, são oferecidos 29 cursos gratuitos com certificados. Quem não tem acesso à internet pode recorrer às Agências do Trabalhador de Taguatinga e do Setor Comercial Sul e à Fábrica Social, na Estrutural. As inscrições estão disponíveis até julho de 2018.

O caso é gravíssimo. Invasores estão aterrando brejos, eliminando buritis, desmatando nas margens dos cursos d'água dentro de APP (Área de Proteção Permanente) localizada em uma das entradas da cidade do Gama, Distrito Federal.

Denúncia já foi encaminhada às ouvidorias do MPDF, Ibram/DF, Adasa/DF, Agefis, PMDF, PCDF-Dema (Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística). Espera-se que esses órgãos em conjunto, com a maior brevidade possível, 'para ontem', realizem operação para constatar a situação de descalabro, identificar os infratores, e salvar as nascentes, o meio ambiente, o patrimônio público.

Leia a seguir a denúncia feita na última terça-feira (24/10) por dirigente da "Unidade da Geoambiente para o DF e Entorno". A seguir o texto:

Uma  APP com várias nascentes vem sendo destruída com desmatamento para invasões num assentamento irregular denominado Paraíso, localizado na entrada do Gama, abaixo do Detran-DF e  SLU.  Ocupantes irregulares desmatam  nas margens de nascentes e dos cursos d'água  dessas fontes  para invasão e ocupação. Até os buritis têm sido eliminados. Uma pá mecânica a serviço da CAESB  foi vista destruindo buritis, em lotes invadidos por empresários do Gama, segundo moradores.

Torna-se mais que necessário  uma operação conjunta  nesse local, com agentes públicos  da DEMA-DF, IBRAM, ADASA, BPMA-DF, AGEFIS, acionados pelo  MPDFT, para notificar  esses criminosos ambientais, e evitar a destruição dessas fontes d'água.
 

Estivemos hoje [24/10] pessoalmente nesse local,  e testemunhamos esses crimes.
 

Desde já, aguardamos provimento e colocamo-nos  à disposição.

 

Essa denúncia está em conformidade com o artigo 70 da lei 9.605/98 [ver aqui], e art. 225 da Constituição Federal [veja aqui].
 

Imagem do Google Maps da área: 

 

Vicente Vecci

RJP-DRT-DF 520

Unidade da Geoambiente para o DF e Entorno

Blog Gama Livre - 26/10/2017 com adaptações 

A Barragem do Trampolim já foi um espaço privado bem estruturado, por uma série de questões os donos foram perdendo o controle do lugar que se tornou aberto e de livre acesso.
 

Infelizmente nem todos que começaram a frequentar o local tiveram a consciência do privilégio de ter um lugar tão belo à disposição e da importância de se preservar um espaço que serve a todos tão bem.


Com o tempo as estruturas existentes foram sendo destruídas, precarizando e muito o lugar.


Se faz importante que resgatemos esse espaço e iniciemos um processo que contribua para a criação de uma cultura coletiva de preservação dos espaços ecológicos de nossa cidade, ocupando como opção de lazer, promovendo limpezas e mecanismos de preservação que se mantenham.


Nesse espírito, no dia 28/10/2017 às 8h estaremos nos reunindo na BARRAGEM DO TRAMPOLIM para conhecer pessoas que compartilham da mesma visão, se divertindo, fugindo desse calor que bate recordes de elevação de temperatura e obviamente da Crise Hídrica que é consequência direta de ações impensadas do passado e da insistência na permanência de alguns desses mesmo erros no presente.


Com a colaboração de todos serviremos uma galinhada no local.


Venha participar!  

💧💦28/10/2017💦💧


💧💦Das 8:00 às 12:00💦💧


💧💦Ponto de Encontro: Início da Avenida Vedovelli Bortolo [ver mapa ao final]💦💧


💦💧Trilha: Fácil (300m)💧💦

RECOMENDAÇÕES:

- Não consumir bebidas alcoólicas e qualquer outra substância que afete a coordenação motora ou julgamento no local;


- Caso resolva levar crianças, ter muita atenção e levar boias;


- Levar água e sacos de lixo;


- Usar protetor solar;

OBJETIVOS DA INTERVENÇÃO

- Iniciar um processo de limpeza coletiva do local que se repetirá outras vezes;


- Apresentar para a comunidade opções de lazer com água em meio ao calor escaldante e a crise hídrica;
- Se divertir;


- Fazer novas amizades;


- Discutir novas intervenções e apropriação dos bens comuns de nossa cidade por todos;

Apoio: 

Nós que Amamos o Gama
Portal Gama Cidadão
Fórum Comunitário e de Entidades do Gama (FComGama)

Realização:

GAMA VERDE 2017

https://www.facebook.com/events/182073629016043

Saiba mais:
 
Jovens gamenses organizam mutirão de limpeza na cachoeira da Loca
http://bit.ly/2fjfOjb

Ação socioambiental movimenta sociedade gamense em prol da “barragem do trampolim”
http://bit.ly/2h76U66

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Veja mapa, indicando o ponto de encontro no início da Avenida Vedovelli Bortolo. No final da comercial principal do Setor Oeste do Gama, entre as Quadras 8 e 14 do setor.

Blog Gama Livre - 27/10/2018 com adaptações 

Níveis dos reservatórios das hidrelétricas estão entre os piores já registrados na série histórica

Por Sabrina Craide - Agência Brasil / Foto: psb40.org - 25/10/2017 - 04:39:29

Por causa do atual cenário de falta de chuvas, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) vai fazer reuniões semanais para analisar as condições de fornecimento de energia no país. A próxima reunião ordinária do colegiado, que estava marcada para o dia 9 de novembro, será antecipada para o dia 1º de novembro. Atualmente, as reuniões ocorrem uma vez por mês.

A decisão foi tomada na reunião de hoje (25) do CMSE. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destacou que este é um dos piores anos do histórico e o mês de setembro foi o pior já registrado em termos de energias naturais afluentes nas principais bacias hidrográficas para a geração hidrelétrica. Nas bacias do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o ano de 2017 está sendo caracterizado como o pior desde 1931, segundo a ONS.

Até ontem (24), o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, os mais importantes do país, estavam em 18,57% de sua capacidade máxima. No mesmo período de 2001, quando houve um grande racionamento de energia do país, o índice estava em 21%.

O CMSE destacou que o suprimento eletroenergético do Sistema Interligado Nacional está garantido, mas com previsão de manutenção do elevado custo associado à geração de energia. Segundo o Comitê, o início das chuvas permanece atrasado em relação ao histórico na área de abrangência das bacias de maior relevância para a geração de energia elétrica.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico foi criado em 2004 com a função de acompanhar permanentemente a continuidade e a segurança do suprimento eletroenergético em todo o país. Participam do colegiado representantes de órgãos como o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o ONS, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Jornal do Brasil/Foto: Fred Loureiro/Secom ES

Desastre ambiental em Mariana (MG) deixou mortos e desaparecidos e completa dois anos em novembro. - 21/10/2017 - 12:08:26

 

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal de Ponte Nova (MG) para que seja retomado, em caráter de urgência, o processo sobre a tragédia ocorrida em Mariana (MG). A ação penal que trata dos crimes que causaram o rompimento da barragem de Fundão está paralisada desde o mês de julho. A tragédia em Mariana ocorreu em novembro de 2015.

Naquela ocasião, o magistrado suspendeu o trâmite da ação após a defesa de dois dos 21 réus alegarem supostas irregularidades em provas juntadas ao processo, que decorreriam, segundo eles, de excesso do período de monitoramento telefônico e de violação à privacidade dos réus. 

Embora já sustentando que não havia qualquer irregularidade, o MPF, em respeito ao direito de defesa, concordou em esclarecer a questão e pediu ao Juízo Federal que fossem oficiadas as companhias telefônicas para que esclarecessem os períodos de efetivo monitoramento de cada terminal, nos moldes da Resolução CNJ 59/2008.

No último dia 11, o Ministério Público Federal encaminhou petição à Justiça, reiterando que, após minucioso levantamento, não foi constatada a utilização, na denúncia, de nenhum monitoramento telefônico feito sem ordem judicial.

"Os réus Ricardo Vescovi e Kleber Terra não foram capazes de apontar sequer um diálogo utilizado e transcrito como prova que tenha sido interceptado sem autorização judicial", afirma o MPF, explicando que a alegação, equivocada, teve por base as datas de realização dos autos circunstanciados, que abrangem todos os monitoramentos, e não as datas de efetiva implementação do monitoramento pela empresa de telefonia.

Além disso, "os períodos de interceptação questionados são de janeiro de 2016, ao passo que a denúncia somente se ampara em diálogos referentes a dezembro de 2015, de maneira que, ainda que houvesse fundamento na alegação, a denúncia não estaria maculada", sustenta o MPF.

Entrega espontânea - A petição também refutou outra alegação da defesa, segundo a qual a Polícia Federal teria feito análise de diálogos transcritos de chats/e-mails corporativos relativos a período excedente ao que deveria ter sido entregue pela Samarco e que, portanto, a utilização dessas conversas constituiria invasão de privacidade.

O mandado judicial determinava que a Samarco entregasse à PF cópias de chats/e-mails corporativos trocados entre diretores nos meses de outubro e novembro de 2015. A medida foi cumprida espontaneamente pela Samarco, que, para não ter de recortar e editar o material, disponibilizou inclusive dados relativos a períodos anteriores.

Para o MPF, a alegação da defesa não se sustenta, porque, inicialmente, tratam-se de documentos corporativos, com informações de cunho estritamente profissional: "Dizem respeito a questões técnicas e sociais da Barragem de Fundão; não eram informações personalíssimas ou íntimas. Não havia sobre tais informações nenhuma razoável expectativa de privacidade oponível à empresa", que foi quem disponibilizou o conteúdo aos investigadores.

Além disso, a obtenção das informações utilizadas como prova na denúncia não decorreu de ato da autoridade policial, mas de ato espontâneo do particular. Portanto, além de não ter havido qualquer abusividade na conduta dos investigadores, deve-se atentar ainda para o fato de ser "inconcebível a oposição de sigilo pelos dirigentes/representantes de uma empresa à própria entidade representada [a empresa]".

Por fim, o MPF ainda esclarece que as informações contidas nesse material "apenas revelam informações que já haviam sido extraídas de vários outros elementos de prova, sobre os quais, inclusive, não há nenhuma discussão de sigilo e que foram obtidos de forma absolutamente independente".

O órgão denunciou 21 pessoas por homicídio qualificado, com dolo eventual [quando se assume o risco de cometer o crime], por 19 mortes ocorridas na tragédia. Entre os denunciados estão o presidente afastado da Samarco, Ricardo Vescovi de Aragão; o diretor de Operações e Infraestrutura, Kleber Luiz de Mendonça Terra; três gerentes operacionais da empresa; 11 integrantes do Conselho de Administração da Samarco e cinco representantes das empresas Vale e BHP Billiton na Governança da Samarco.

Durável, sustentável e de baixo custo, o produto pode ser usado em pisos, decorações, base para mesa, cadeira e como deck para piscina. O painel de madeira plástica é uma alternativa viável para o aproveitamento de materiais que seriam incinerados.

Por Luciete Pedrosa (Texto e foto) – Ascom Inpa - 18/10/2017 - 19:52:56

Um produto inédito, no Amazonas, produzido a partir do poliestireno (plástico) com resíduos de madeira (serragem) resultou num painel de madeira plástica, que misturados proporciona resistência e uma textura com desenhos diferentes e únicos. É resultado do trabalho de mestrado em Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da engenheira florestal Giselle Rebouças, com orientação da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), a doutora em Ciências Biológicas (Botânica), Claudete Catanhede.

A pesquisadora explica que o trabalho de Rebouças teve uma proposta inicial voltada para o meio ambiente com o objetivo de aumentar o rendimento das madeiras amazônicas. “O produto é de excelente qualidade, por conta das propriedades físicas e mecânicas, sendo um painel altamente sustentável porque não irá derrubar a floresta para ser produzido”, afirma.

O poliestireno é um dos plásticos mais utilizados no mundo sendo produzidos milhões de toneladas anualmente. Pode ser naturalmente transparente, mas geralmente é colorido com o uso de corantes e é usado como uma embalagem de proteção. Já a serragem de madeira é o resíduo proveniente das diferentes etapas do corte da madeira.

“A serragem, por ter uma dimensão muito pequena, é um material de maior problemática para sua destinação final e por não poder ser reutilizada na produção de um novo produto”, explica Rebouças.

Ecologicamente correto, economicamente viável, barato e sustentável, o painel é produzido com a utilização dos resíduos descartados do Polo Industrial de Manaus (PIM) e de madeireiras e é também uma resposta viável para solução do aproveitamento desses materiais que seriam incinerados ou jogados fora.

Além disso, tem diferentes aplicabilidades e pode ser usado tanto como piso, quanto para a confecção de artesanato em geral, em decorações ou como base para mesa, cadeira e bandeja e como deck para piscina.

Para Rebouças, o painel é um produto que tem um ótimo valor agregado e utiliza a madeira que já está disponível (serragem). Segundo ela, o resíduo pode se tornar um prejuízo ambiental se continuar no ambiente. A indústria fornecedora de poliestireno para o projeto produz atualmente 18 toneladas mensais de resíduos na alta temporada, que são incinerados e que poderiam ser aproveitados para produzir os painéis. Na indústria madeireira parceira do projeto são nove toneladas diárias de resíduos produzidos, entre eles a serragem.

“Pode-se produzir aproximadamente 35 mil unidades de painéis no tamanho de 20 X 20 centímetros”, explica Rebouças, ao acrescentar que isto representa um aproveitamento de 100% do material plástico que requer uma maior preocupação, já que não é um produto biodegradável e leva anos para se decompor. “Os resíduos produzidos pelas indústrias nos segmentos poderão atender demanda de produção em escala industrial”, destaca.

Vantagens

Uma das vantagens do painel é que eles têm uma produção barata e rápida porque não precisam de muito tempo para ser produzido, além de não necessitam de água para o resfriamento após o processo de fabricação na prensagem. “O tempo para se produzir um painel é de aproximadamente 25 minutos”, garante a mestre. “Os ensaios de flexão e de compressão do painel apresentaram resultados de resistência semelhantes a algumas madeiras amazônicas”, revela.

De acordo com a mestre, a junção da madeira com o poliestireno como base do painel favoreceu uma melhor resposta aos testes e também na trabalhabilidade do painel quanto à facilidade de corte na serra, perfuração por broca, prego e parafuso. “Por isso é um produto bastante versátil”, destaca.

Conforme Rebouças, comprova-se a agregação de valor das madeiras da Amazônia ao utilizar resíduos na produção de produto sustentável com qualidade para ser inserido no mercado e com alta competitividade, o que contribui para o aumento do rendimento das madeiras amazônicas e comprova a viabilidade do manejo na região.

“Com isso estaremos contribuindo, não só para uma maior valorização da madeira e com o seu aproveitamento completo, mas também para manter a floresta em pé porque não precisaremos derrubá-la para a confecção dos painéis, pois é utilizado somente o pó de serragem”, explica.

Patente

O painel ecológico está em processo de pedido de depósito de patente conjunto entre a Ufam e o Inpa no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).

O empreendedor que se interessar em produzir este produto terá vários benefícios: rapidez no processo de produção (25 minutos), produto barato, competitivo e resistente à chuva e ao sol, pois não corre o risco de deformar ou quebrar.

Diferencial

Cada painel tem um desenho próprio e único, o que favorece ainda mais o seu diferencial. Pode-se ter até três desenhos diferentes porque o material-base da composição é coletado em três etapas diferentes. Além disso, o painel também pode ter o tamanho desejado, dependendo do tipo de prensa utilizada.

Segundo a pesquisadora do Inpa e orientadora do trabalho de mestrado, Claudete Catanhede, o painel é um produto inédito, porque é produzido com madeiras amazônicas, o que poderia ser um fator de dificuldade para a sua produção por causa da complexidade que essas diferentes espécies possuem como as resinas, que dificultam a aglutinação das partículas.

O painel não é feito de várias espécies ao utilizar a serragem de diferentes madeiras de alta densidade, a exemplo do angelim, maçaranduba, breu e diversos louros, cada um com sua particularidade. “Apesar de serem diferentes não influenciaram na qualidade do produto”, explica Catanhede, que também é integrante do Instituo Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Madeiras da Amazônia/Inpa.

Coletas

Os materiais para a produção do painel foram coletados a partir dos resíduos descartados numa serraria em Itacoatiara (AM), que trabalha com madeiras certificadas, e em indústria do Polo Industrial de Manaus. “Com isso, o trabalho de Rebouças veio atingir uma das metas do INCT Madeiras da Amazônia, que é agregar valor para as madeiras amazônicas em toda sua essência”, diz a pesquisadora. “Se tiver um resíduo que não esteja nos tamanhos padronizados eles podem ser transformados em serragem para aumentar a produção”, acrescenta.