Projeto de pesquisa desenvolvido na Universidade Católica de Brasília é reconhecido em diferentes países como modelo de sustentabilidade, reaproveitamento e soluções para o lixo eletrônico

Você sabia que cerca de 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são gerados por ano no mundo? E que entre os países emergentes, o Brasil é o que mais gera lixo eletrônico por habitante? Os dados apontados pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) mostram que a cada ano o nosso país descarta cerca de 97 mil toneladas de computadores, 2,2 mil toneladas de celulares e 17,2 mil toneladas de impressoras. Só fica atrás da China e Estados Unidos.

Com essa preocupação, em 2010 os cursos de Tecnologia da Informação (TI) da Universidade Católica de Brasília (UCB) criaram o Projeto de Extensão “Reiniciar: E-Lixo Universitário” com a proposta de oficina prática e inclusão digital na UCB, por meio do reaproveitamento e remontagem de configuração de máquinas. Desde 2015 o projeto foi reformulado e transformado em pesquisa, o que gerou novos avanços, descobertas e reconhecimentos internacionais.

A professora Graziela Ferreira Guarda, coordenadora do projeto na UCB, explica que o E-lixo desenvolve pesquisas dentro da temática do Lixo Eletrônico com dois grandes eixos: a hidro metalurgia, por meio da lixiviação, que é um processo químico de transformação da matéria prima. “Nós pegamos os pinos das placas de equipamentos eletrônicos e fazemos o choque com ácidos. Desse processo temos a modificação da matéria-prima, transformada em pó (ouro ou prata) e submetida à análise”, explica. E as pesquisas com lisímetros. “Onde inserimos o lixo eletrônico na natureza, em um ambiente simulado, e mapeamos os impactos que eles causam. Nós observamos o que a natureza pode sofrer com a contaminação desses metais tóxicos”, complementa a coordenadora.

Atualmente o projeto E-lixo é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) e conta com o apoio de outros cursos como Relações Internacionais, Engenharia Ambiental e Sanitária e o curso de Química.  Tem produzido resultados significativos com a extração de ouro e prata e, agora, inicia a extração do Índio (In), um metal raro e muito versátil, presente nas telas de celulares. “Nossa proposta é tirar do lixo alguma coisa que tenha valor. Estamos transformando a matéria-prima, removendo o material que constituem essas placas e fazendo um reaproveitamento desses materiais. Fora isso, trabalhamos o viés ambiental, com a proteção da natureza. É uma forma de reduzir essas contaminações causadas por esse lixo descartado”, ponderou Graziela

TI Verde – Uma preocupação do projeto E-lixo

A indústria de equipamentos eletroeletrônicos é umas das que mais cresce no mundo. A modernização e a diversidade de equipamentos promovem uma cultura de consumo e descarte desses objetos, gerando um grande problema ambiental. “As estatísticas mostram que o consumo no Brasil é muito grande. Em média esses equipamentos são trocados a cada seis meses”, afirmou a professora. 

O estudante do 7º semestre de Engenharia Ambiental e Sanitária da UCB, Marcelo Silva dos Santos, bolsista no projeto E-lixo, explica que uma das propostas do projeto é fazer com que o lixo eletrônico capturado, normalmente descartado em aterros sanitários, lixões, no meio ambiente sem nenhum critério de avaliação de coleta, retome para a cadeia produtiva. “Todo esse lixo é composto por polímeros, ferro, cobre e metais preciosos. Então, conclui-se que a reutilização é economicamente lucrativa e ambientalmente correta. O resultado da extração desse material pode voltar à cadeia produtiva em outra forma, às vezes, até da mesma forma, porque se quiser reutilizá-lo em equipamentos eletrônicos não tem problema”, afirmou o futuro engenheiro.  

A rentabilidade econômica é a linha de pesquisa do Vitor Neves Palmeira, estudante do 7º semestre de Relações Internacionais. Há pouco mais de um ano no Projeto E-lixo, Vitor investiga o comércio internacional do lixo eletrônico. “Existem grupos ilegais, de crime organizado, que trabalham com isso. É um mercado que envolve muito dinheiro, justamente por essa questão da extração de ouro. Esses grupos acabam retirando o lixo eletrônico de grandes produtores como a União Europeia e Estados Unidos e enviam de forma clandestina para os países da África, da Ásia e principalmente da China para fazerem a extração”, revela. Vitor Neves afirma que mesmo com a Convenção de Basiléia, que procura coibir o tráfico ilegal e prevê a intensificação da cooperação internacional para a gestão ambientalmente adequada desses resíduos, falta fiscalização e o crime ocorre.

Já Regianne Sousa Martins, também integrante do E-lixo há pouco mais de um ano, pesquisa a parte de política nacional de resíduos sólidos, principalmente a logística reversa do uso dos equipamentos eletroeletrônicos. “A política reversa é a responsabilidade compartilhada desses equipamentos, indo desde o produtor até o consumidor, no ciclo de início e fim da vida útil desses objetos. Como já existe uma lei de responsabilidade, eu quis saber se as empresas estão cumprindo ou não a lei”, explica Regianne. A pesquisadora identificou que de 5 empresas fornecedoras, apenas duas recolhem os equipamentos que perderam a vida útil. Dessas, a Itautec é uma referência. Outra descoberta da estudante foi a coleta realizada por empresas que não produzem, mas que apenas comercializam e recolhem o lixo eletrônico, como a Leroy Merlin.

Regianne Martins afirma que uma saída para as empresas reduzirem a quantidade de lixo eletrônico no mundo, seria a virtualização dos equipamentos e o reaproveitamento do lixo eletrônico. “Quando elas recolhem, elas podem de forma legal, ter retorno financeiro com esses equipamentos”.

Como sugestão de solução para o fim do lixo eletrônico global, Marcelo também aponta uma educação ambiental, tal qual as pessoas conhecem atualmente. “Existem as coletas seletivas de lixo orgânico, seco, vidro, papel, eu penso que deveria popularizar a consciência da coleta do lixo eletrônico. Isso facilitaria um descarte consciente e a reutilização desse lixo”, sugere.

Reconhecimento Nacional e Internacional

Os artigos desenvolvidos pelo projeto de pesquisa E-lixo da Universidade Católica de Brasília têm recebido reconhecimento e são apresentados em congressos internacionais. Recentemente, o E-lixo foi apresentado no Congresso Interamericano de Resíduos Sólidos, em Cuenca, no Equador, ocorrido de 25 a 28 de abril. Esse evento é o mais importante de resíduos sólidos organizado pela AIDIS - Asociación Interamericana de Inginería Sanitaria Ambiental, e acontece a cada 2 anos, em diferentes países da América Latina. A UCB foi a única universidade particular brasileira presente no evento, ao lado outras instituições federais de Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia. “Nesta oportunidade, identifiquei que a Universidad de Lima – Perú, bem como a Pontifícia Universidad Católica de Chile, estão produzindo pesquisas similares as nossas. A ideia é estreitarmos os laços para produzirmos juntos pesquisas comparadas entre os países, sobre lixo eletrônico e legislação”, explica a professora Graziela.

No segundo semestre haverá apresentação da publicação referente ao projeto E- Lixo, em San Margherita di Pula, na Itália. Esse é um dos simpósios mais importantes do mundo na área, e o estudante Vítor Neves fará apresentação de sua pesquisa.

Foto: Faiara Assis

Pesquisadores do projeto E-lixo

Informou UCB 

Gostaria de começar essa carta com um fragmento de um poema, que não é meu, mas que é perfeitamente adequado ao que vou dizer em seguida:
Por Juan Ricthelly - Blog Gama Livre - 21/05/2017 - 22:04:46

 

_“(...)Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na Segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores, matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada. (...)”_ (Eduardo Alves da Costa)

A luta pelo Parque Urbano e Vivencial do Gama (PUVG) não é de hoje, e infelizmente seguirá por tempo indeterminado, pois há uma combinação danosa de forças e pessoas que de sua posição cômoda lutam para que o PUVG não se torne realidade.

Um fato curioso é que o desenho da cidade é nítido e não mente, o parque é um losango e insistem em querer transformá-lo em uma figura geométrica sem definição muito clara, doando consideráveis partes dele, a entidades que o invadem de longa data.

Já tivemos várias audiências e consultas públicas sobre essa questão, normalmente essas reuniões seguem um roteiro:

I - O Poder Público convoca a audiência;

II - A população comparece, e se divide entre:

-Os invasores, que insisto em chamar de invasores;

-Os que querem implantação do parque, mas defendem a permanência dos invasores, que chamo de pseudo defensores;

-Os que querem a implantação do parque em sua integralidade sem concessões a nenhum grupo, que chamo defensores;

III - Os grupos se manifestam:

-Os invasores defendem a sua permanência no parque exibindo pedaços de papéis puídos alegando legitimidade e se demonstram ofendidos quando ouvem a palavra invasor e suas variantes;

-Os pseudo defensores, falam da importância do meio ambiente, que seria legal ter um parque, e ao fim defendem os invasores, alegando a importância das atividades que os mesmos desenvolvem dentro do Parque, e obviamente não se referem aos invasores como invasores;

-Os defensores, falam da importância do parque para cidade, e são irredutíveis em sua posição contra o loteamento do Parque, o querem inteiro e a disposição da coletividade como um todo.

IV – Comparecem várias autoridades públicas, algumas de órgãos que muitos nem sabiam da existência, secretários do governador, diretores de repartições, deputados e assessores de deputados:

-O governador nunca comparece, e envia secretários que se manifestam dizendo que o governo tem interesse na implantação do parque, que o meio ambiente é importante e blábláblá e nada falam sobre os invasores;

-O administrador da cidade fala que ama o gama, em algum momento diz a frase ‘quem ama mora no gama’ e repete o discurso do governo;

-Os diretores de repartições falam dos problemas das repartições, criticam diretores anteriores por não terem feito nada e dizem que estão trabalhando muito para a implantação do parque, que já existe o projeto e que semana que vem estará tudo pronto;

-Os deputados comparecem com uma comitiva de assessores, falam frases de efeito, dizem estar lutando nas comissões da CLDF pela implantação do parque, que a população pode contar com o apoio do gabinete dele, promete emenda parlamentar, distribui cartões e normalmente vai embora antes do fim da reunião para cumprir sua agenda de fim de semana;

-Os assessores comparecem também representando os deputados ausentes, e repetem a mesma coisa que acham que o deputado diria caso ele estivesse presente, só não prometendo emenda.

V- A audiência segue, vários embates são travados, e termina do mesmo jeito que começou, sem resolver nada.

Outro ponto importante de se olhar a situação é sobre a perspectiva do interesse de cada grupo envolvido:

-O Executivo e todos os seus asseclas, tem medo de perder votos ao enfrentar o problema do parque de forma efetiva e apresentam soluções meia boca;

-O Legislativo compartilha do mesmo medo e não apresentam nenhuma solução real;

-Os invasores, estão em uma situação cômoda, estão usufruindo da sua invasão no parque, aumentando vez ou outra suas cercas e muros, hora de forma sorrateira, hora descaradamente, defendem nitidamente os interesses dos grupos que representam, que embora possa ser numeroso, não corresponde a maioria de nossa cidade.

-Os pseudo defensores, são um grupo que não entendo e prefiro nem me alongar falando sobre eles.

-Os defensores querem um parque que sirva a todos e a todas, e não privilegie de forma alguma nenhum grupo especificamente.

Terminada essa preleção onde falei da dinâmica das audiências e dos interesses envolvidos, peço permissão para reproduzir um pequeno trecho de um manifesto em defesa do parque que escrevi em outra ocasião:

“Sou partidário da ideia de que todos devem sair de lá, que não devemos abrir mão de um único metro quadrado do Parque seja para quem for.

Infelizmente, entraves políticos, burocráticos, religiosos, corporativos e eleitoreiros, precedem o interesse coletivo, de modo que pergunto aos senhores: Quem seria homem ou mulher o bastante para comprar a briga e mandar passar o trator em todas edificações que se encontram naquele Parque?

Não é necessária uma reflexão profunda para responder tal questionamento, pois a resposta é uma só: Ninguém!

Quem teria peito para derrubar uma igreja católica, duas igrejas evangélicas, um templo maçônico, dois centros de idosos e várias casas? Desgraçadamente ninguém que queira se eleger.

Aos católicos e evangélicos cumplices dessa situação digo: “Deem a César o que é de César! E ao seu deus o que acreditam ser direito dele.” Por favor, saiam do nosso parque que curiosamente também é de vocês, já que fazem parte dessa coletividade.

Aos Maçons que se orgulham de seu passado aonde acreditam terem deflagrado a Revolução Francesa, e influenciado diretamente a Independência do Brasil, a Abolição da Escravidão, a Proclamação da República, lembrem-se com carinho das três palavras presentes no lema de sua ordem, em especial de duas: Liberdade, IGUALDADE e FRATERNIDADE. A sua ocupação não é isonômica pois serve somente ao seu grupo e a quem paga, e tampouco fraterna pela mesma razão.

Aos pequenos invasores nada digo, pois não são instituições poderosas e influentes, por um lado os moradores são vítimas de uma política de expansão urbana que os excluiu e os relegaram a essa condição marginal de viver dentro de um parque, do outro temos duas instituições que prestam um trabalho social que deveria ser transferido para outro lugar.

Sei que o digo soa radical, e assim o é para ser.” (Manifesto em Defesa do PUVG – Juan Ricthelly)

A ocasião em que escrevi isso foi em Outubro do ano passado, quando o governador cogitou a possibilidade de doar a área do parque ao IPREV em razão da dívida do GDF com esse órgão, a população se movimentou indignada, os que tinham contato com deputados ou quem podia fazer algo se socorreram desses, e felizmente conseguimos por hora barrar mais esse ataque a um precioso patrimônio de nossa amada cidade, infelizmente uma figura pública de nossa cidade que ocupa um cargo público importante, se manifestou em suas redes sociais de forma extremamente personalista, alegando que um pedido seu ao governador solucionou a questão, ignorando toda a movimentação e luta da comunidade.

Dia 20 de Maio (Sábado) foi convocada mais uma reunião sobre o parque, para tratar de sua recriação, já que legalmente ele não existe, lamentavelmente não pude me fazer presente, mas os amigos que estavam, me disseram do interesse do governo em recriar o PVUG mantendo as invasões que nele se encontram e que dia 27 de Maio estarão aqui para dar efetividade ao ato.

É conhecido que a lei de criação do parque foi declarada inconstitucional por vício de iniciativa, já que caberia ao Executivo e não ao Legislativo a sua criação. Como advogado bem sei que nem sempre a lei é capaz de acompanhar a realidade, uma é estática a outra é dinâmica, e embora não exista uma lei, a realidade fala por si, então mesmo que o parque não exista de direito, ele existe de fato, pois assim a população reconhece aquela área e isso não é de agora.

Faço parte do grupo que não aceitará sem luta um parque fragmentado em nome de interesses que considero individualistas e que não atendem a coletividade, quero viver em um mundo, em um país, em uma cidade e uma sociedade justa, fraterna e solidária, onde o espaço público é público e disponível a todos e todas independentemente de qualquer distinção que exista.

Aos invasores digo uma coisa, embora a sua condição possa não ser ilegal, ela é flagrantemente imoral, pois vocês sequestraram um local público com a ajuda ou omissão de gestores públicos coniventes e agora seguem lutando pela manutenção desse estado vergonhoso em que se encontram.A sua presença no parque é como o câncer alojado em uma célula que já foi sadia, e mesmo que o câncer saia vencedor ao final, não o terá sido sem alguma resistência dos anticorpos sociais que lutarão até o último suspiro.

Chegamos em um momento crítico, e não há mais diálogo possível diante do que se desdobra, vocês não irão sair amigavelmente e isso é claro e de conhecimento geral, o Estado tampouco fará algo, e assim sendo convoco a todos os interessados para as seguintes ações a serem tomadas o mais breve possível:

A - Redigir um Manifesto Coletivo em defesa do Parque e dar publicidade a ele em todos os meios de comunicação possíveis e disponíveis, assinado por várias pessoas que compartilhem da mesma ideia.

B – Comparecer dia 27 de Maio de 2017 no teatro que será armado pelo GDF no PUVG para protestar e contestar, essa decisão de legitimar o ilegítimo.

C – Entrar com uma Ação Popular nos moldes da que foi vitoriosa em Águas Claras exigindo a implantação de um parque sem invasões e que seja de todos e todas;

Quem ama luta pelo Gama!

Juan Ricthelly

#PUVG #IBRAM #GDF #Gama #MeioAmbiente

 

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Comentário do Gama Livre: Correta a posição exposta por Juan Ricthelly.

Acrescentamos apenas a observação de que a despeito de na audiência pública realizada ontem (20/5) no Gama o Ibram ter declarado que o Parque Urbano e Vivencial do Gama não existe porque a lei distrital 1.959, de 8 de junho de 1998, foi declarada inconstitucional —anulação de fato ocorrida— o Parque EXISTE de DIREITO. Vez que continua em vigência o Decreto nº 11.190 de 5 de agosto de 1988, dispositivo legal assinado pelo governador José Aparecido de Oliveira. 

Não há anulação, revogação, ou qualquer outra coisa que tenha tornado sem efeito o Decreto 11.190 de 1988. Portanto: 

O PARQUE URBANO E VIVENCIAL DO GAMA TEM SUA CRIAÇÃO AINDA VIGENTE, POR FORÇA DE DISPOSITIVO LEGAL VÁLID0, VIGENTE, AINDA HOJE.

A Câmara Legislativa aprovou em segundo turno o Projeto de Lei nº 244/2015 de autoria da deputada distrital Luzia de Paula (PSB), que dispõe sobre a utilização de telhas ecológicas nas obras realizadas ou contratadas pela Administração Pública do Distrito Federal.

A Lei pretende inserir uma cultura voltada para produtos ecologicamente corretos. Entende-se por telhas ecológicas, àquelas fabricadas a partir de fibras naturais ou de materiais recicláveis.

“A telha ecológica promove a economia de matérias-primas, o reaproveitamento de resíduos sólidos, a redução da poluição e, também, do volume de material encaminhado a aterros sanitários. Esperamos que com o tempo, não apenas o governo, mas a população se conscientize e substitua as telhas pelas ecológicas”, afirmou a parlamentar.

A Lei abrangerá, além das futuras obras, as reformas em propriedades públicas. Caso uma obra comprove a inviabilidade do uso de telhas ecológicas, com a apresentação de laudo técnico. Ficará dispensado o seu uso.

A Lei segue para a sanção do governador Rodrigo Rollemberg. O GDF terá o prazo de um ano, após a sanção do governado, para adotar essa prática.

Benefícios da telha ecológica

– É mais leve e, portanto, exige menor madeiramento no telhado e tem manuseio e transporte facilitados, o que determina maior economia;

– É excelente redutor sonoro;

– Apresenta baixa condutividade térmica, o que torna os ambientes menos quentes;

– É mais flexível, é inquebrável e durável;

– Não é poluente e não é tóxica.

Fonte: Ascom Luzia de Paula

Operações lideradas pela Agefis recuperaram milhões de metros quadrados em regiões que abrigam rios e espécies típicas da fauna e da flora do Cerrado

Por Agência Brasília Foto: Reprodução/Divulgação/Gabriel Jabur/Agência Brasília - 10/05/2017 - 10:51:11

O combate à ocupação irregular do solo no Distrito Federal é uma das principais ferramentas do governo de Brasília para manter a organização do território.

Além de proteger terras públicas da cobiça de grileiros, as ações lideradas pela Agência de Fiscalização (Agefis) são importantes para a preservação do meio ambiente.

Dos quase 20 milhões de metros quadrados desocupados pela autarquia em 2016 e no primeiro quadrimestre de 2017, boa parte refere-se a áreas de proteção permanente ou ambiental.

O trabalho de remover edificações evitou a extinção de matas nativas, o assoreamento de rios, a erosão de encostas e outros problemas causados por construções clandestinas em unidades de conservação.

A mais recente operação da Agefis que contribui para manter o ecossistema em equilíbrio ocorreu em Brazlândia, próximo ao Incra. Algumas edificações derrubadas pelos fiscais ficavam a menos de 15 metros do Canal do Rodeador, que abastece a Barragem do Descoberto.

Além de desmatar a vegetação em volta da bacia, o desvio de água contribuía para o agravamento da crise hídrica no DF.

O trabalho começou em 25 de janeiro e resultou, só no primeiro dia, em cerca de 20 mil metros de quadrados de terras devolvidas ao Estado.

No local só se permitem propriedades que desenvolvem atividades rurais, que não são alvo da ação.

Operação em parque e reserva do Guará
Já no Parque Ecológico Ezequias Heringer e na Reserva Biológica, ambos no Guará, a fiscalização desobstruiu 5,1 milhões de metros quadrados, onde chacareiros ergueram cercas e construções de madeirite e de alvenaria.

Os dois são protegidos por lei há mais de duas décadas e se encontravam em avançado estado de desmatamento de vegetação.

Além disso, as instalações erguidas irregularmente deixaram poluído o Córrego do Guará, afluente do Lago Paranoá.

Em novembro de 2011, uma operação comandada pela Agefis no Condomínio Mansões Bougainville, na DF-440, em Sobradinho, derrubou 19 edificações em alvenaria, soterrou quatro fossas e uma cisterna, retirou 350 metros lineares de cercas, desligou 18 pontos de energia clandestinos e fez 12 mudanças de pertences dos invasores.

O local fica em área de proteção permanente e abriga nascentes, mananciais e espécies da fauna e da flora típicas do Cerrado.

Matança na Praça do Cine Itapuã

Sites e blogs das redes sociais baseados no Gama tem noticiado com fotos, diversos crimes ambientais que tem acontecido ultimamente nos logradouros públicos dessa cidade satélite do DF, atingindo áreas da Quadra 46 do Setor Central, Espaço em frente à Quadra 2 do Setor Sul e praça do Cine Itapoã (foto). Nesses locais foram desmatadas árvores  antigas como a espécie  Guapuruvú, árvore símbolo do estado de Santa Catarina, ipês que simbolizam  as árvores brasileiras, pau-ferro (conhecido como jucá), Jamelão, angico, pata de vaca,  entre outras.

Essas derrubadas vem tipificar crime ambiental contra a nossa flora, conforme reza a Lei Federal 9.605/98 artigo 49, regulamentada pelo decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008, que é bem claro: É crime  destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou  em propriedade privada alheia.

Já o artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil, dá respaldo de proteção ao meio ambiente, incluindo essas áreas, e diz: 

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Daí então é público e notório que a matança dessas árvores sob pretexto de benfeitorias públicas não essenciais, implementadas pelo GDF, agride  nossa comunidade e o meio ambiente.

Matança na área verde da Quadra 46 do Setor Central do Gama

O Gama foi projetado pelo renomado arquiteto Paulo Hungria e sua arquitetura tem forma de um alvéolo de colmeia. Tem distâncias encurtadas e suas quadras residenciais e comerciais são harmonizadas com áreas verdes e espaço de circulação.

Agora, quando se elimina árvores, elimina-se também à geração de oxigênio.

Quando  retira-se vegetação e impõe concreto, impermeabiliza-se o solo, vedando à infiltração das águas pluviais provenientes da chuvas que deixam de suprir o lençol freático, prejudicando nascentes.

Com a palavra o MPDFT através da PRODEMA - Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, ou teremos que abraçar essas árvores para não serem mortas.

Vicente Vecci edita em Brasília-DF há 33 anos o Jornal do Síndico-www.jornaldosindicobsb.com.br e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

É  titular da unidade da Geoambiente para o DF e Região Metropolitana e da ONG Defesa Ambiental.

Leia mais: Retirada de árvores da praça do Cine Itapuã preocupa moradores e pode estar acarretando em crime ambiental.

Carvalho canadense plantado na sede do Ibama é fruto de um experimento da Nasa, agência espacial americana, com sementes de cinco espécies, nos anos 1970. No Brasil, com a mesma origem dele, só há outro exemplar, no interior gaúcho

Uma árvore com pouco mais de 6 metros de altura destoa no Bosque da sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), à margem da L4 Norte. Além de ser a única cercada, ela é estranha à flora nacional e tem uma história singular, com ingredientes de ficção científica. Nativa da América do Norte, a Liquidambar styraciflua, conhecida popularmente como liquidâmbar, árvore do âmbar ou carvalho canadense, nasceu de uma semente enviada à Lua há pouco mais de 45 anos. Mas a origem dela e de suas irmãs é desconhecida por muita gente na capital, no país e no restante do mundo.

No fim da tarde de 31 de janeiro de 1971, a Apollo 14 decolou com os astronautas Alan Shepard, Edgar Mitchell e Stuart Roosa. Era a terceira missão lunar da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Cinco dias depois, enquanto os dois primeiros caminhavam no satélite da Terra, o terceiro fazia testes com uma carga peculiar. Funcionário do Serviço Florestal dos EUA, ele carregava cerca de 500 sementes de espécies de flora para um projeto chamado The Moon Trees (As árvores da Lua). Ele avaliaria o efeito da gravidade zero e da alta radiação no processo de germinação e de crescimento das plântulas.

O Serviço Florestal dos EUA indicou Stuart Roosa para comandar o projeto e selecionou as sementes de cinco espécies para o experimento. O astronauta partiu na Apollo 14 com as sementes em seu kit pessoal, que ficou com ele quando orbitou a Lua no módulo de comando Kitty Hawk, em fevereiro de 1971. Roosa e as sementes deram 14 voltas na Lua. Todos voltaram à Terra em segurança.

As sementes germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Renderam 450 mudas, distribuídas, em 1975 e 1976, como parte das comemorações do bicentenário do país. Uma delas cresceu no jardim da Casa Branca. A maioria seguiu para capitais estaduais e instituições de pesquisas espaciais, por todo os Estados Unidos. Fora dele, até onde se sabe, só o Brasil, a Suíça e o Japão receberam uma muda. Além da liquidâmbar do Ibama, há uma sequoia no município de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul.

Imune a corte

A liquidâmbar chegou a Brasília em janeiro de 1980. No dia 14, em uma cerimônia oficial, representantes dos governos do Brasil e dos EUA plantaram a muda na sede do então Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF). O exemplar cresceu no bosque do órgão que viria a ser rebatizado de Ibama. Mas, apesar do enredo fascinante, caiu no esquecimento até que, em 2011, para comemorar o Dia da Árvore, o Ibama decidiu reforçar a proteção à árvore da Lua. O instituto declarou-a imune ao corte, conforme prevê o Artigo 7° do Código Florestal Brasileiro, que garante a proteção incondicional a uma árvore reconhecida por ato do Poder Público, “por motivo de sua localização, raridade, beleza ou condição de porta-sementes”.

A pesquisa com as árvores da Lua teve fim com a germinação das sementes, ainda em solo norte-americano.

Cientistas da Nasa consideram o resultado da experiência positivo, pois elas não diferem das árvores comuns. Dessa forma, as plantas lunares são, para a agência espacial, monumentos vivos em homenagem à missão Apollo. O então presidente Gerald Ford classificou-as como “símbolos vivos de nossas espetaculares realizações humanas e científicas”.

Doutora em engenharia florestal e professora de fisiologia no Paraná, Leila Maranho conhece o projeto The Moon Trees. “Quando estive no Kennedy Space Center (na Flórida), comprei um livro sobre os experimentos plantas. Eles chamam esse tipo de ciência de biologia espacial”, conta. A pesquisadora diz que as árvores da Lua deram grande contribuição para o estudo da botânica. “Os experimentos mostram que a gravidade não tem efeito sobre a semente, o que é controverso em nosso meio. Isso ainda não é uma verdade absoluta. São necessários mais experimentos.”
 
Na sede do Ibama, nenhum servidor sabe dar mais informações além daquelas contidas em duas placas colocada em lados opostos, ao pé da liquidâmbar. Aqueles que poderiam dar mais detalhes da doação e do tratamento dispensado à planta nos últimos 37 anos estão mortos ou aposentados, diz a assessoria do órgão. Ao menos, ela tem sido bem tratada pelos jardineiros terceirizados responsáveis pelo bosque e outras áreas verdes do imenso terreno da sede do Ibama.
 
Personagem da notícia
 
Do Serviço Florestal para o espaço
 
O norte-americano Stuart Roosa nasceu em 16 de agosto de 1933, em Durango, no estado do Colorado. Ele trabalhou para o Serviço Florestal dos EUA no início dos anos 1950, combatendo incêndios e, mais tarde, juntou-se à Força Aérea do país e se tornou um piloto de teste. A Nasa selecionou Roosa e outras 18 pessoas para o curso de formação de astronauta de 1966. Ele começou a carreira na Nasa como integrante da equipe de apoio da Apollo 9. Após a missão em que ele levou as sementes à órbita da Lua, Roosa foi piloto reserva de comando das Apollos 16 e 17. Ele ainda trabalhou no programa dos ônibus espaciais, até a aposentadoria como coronel da Força Aérea dos EUA, em 1976, época em que muitas de suas árvores estavam sendo plantadas mundo afora. O astronauta morreu em dezembro de 1994. 

Renato Alves - Correio Braziliense - 23/04/2017 - 23:24:02