Nos últimos dias tem ocorrido uma acirrada discussão em meio aos moradores da cidade. E utilizando-se até do Whatsapp estão denunciando que a Administração regional do Gama está arrancando árvores da Praça do Cine Itapuã sem necessidade. Plantas estas que não poderiam ser retiradas, pois o local é uma área tombada na cidade. Ou seja, alegam que a Administração Regional do Gama possa estar cometendo crimes, ambiental e contra um patrimônio tombado da cidade.

Crime é uma violação ao direito. Assim, será um crime ambiental todo e qualquer dano ou prejuízo causado aos elementos que compõem o ambiente: flora, fauna, recursos naturais e o patrimônio cultural. Por violar direito protegido, todo crime é passível de sanção (penalização), que é regulado por lei. O ambiente é protegido pela Lei n.º 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), que determina as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

Moradores fizeram registros da poda das árvores e denunciam a sua ilegalidade. Ao que tudo indica são árvores sadias e que não aparentavam terem problemas técnicos que justificariam sua retirada. Vejam fotos que estão circulando pelo Whatsapp:

A Administração do Gama alega que estão cortando árvores ruins, que estão podres e doentes. Acontece que na verdade não é bem isso que parece estar acontecendo, pois árvores ruins na praça são muito poucas. Então há indícios de que estejam cortando árvores sadias também. Isso pode ser considerado crime contra bem tombado e ambiental.

A sala de projeção do Cinema Itapuã sempre foi a segunda maior sala do Distrito Federal, e tinha 804 lugares. Ficava atrás só do Cine Atlândida, no Conic, no Setor de Diversões Sul. E não há sala de projeção de filmes do Distrito Federal que possua na sua porta uma praça tão arborizada e agradável quanto existe no Centro Cultural Itapuã. Árvores nativas e plantas de diversas espécies embelezam toda a praça.
O cinema e praça vêm a anos aguardando sua salvação, porém nada de positivo e concreto saiu do papel. Não bastasse o descaso com todo o patrimônio da cidade por conta da demora em sua revitalização, agora parece que a Administração Regional resolveu mexer no local. Acontece que ao invés de preservar a ADM resolveu estragar.

Os gamenses, a anos, vem se manifestando e deixando claro a importância da revitalização do Centro Cultural Itapuã e a praça em frente para a comunidade da cidade e do DF. Essa vitória começou a ser conquistada com a sanção, pelo governador, da Lei 5.616, de 26 de fevereiro de 2016, que declara o Centro Cultural do Itapuã, como Patrimônio Cultural e Material do DF. A iniciativa foi do deputado Wasny, que em outubro do ano passado, realizou uma audiência pública para pedir que toda aquela área fosse tombada como patrimônio do DF. Mas essa não tem sido uma caminhada fácil.

Apesar do compromisso dos distritais e da fala de representantes do Executivo, inclusive da administradora do Gama, professora Maria Antônia, no sentido de se esforçarem para recuperar aquele espaço de cultura e convivência social. A maioria dos moradores tem muita preocupação de que nada de concreto aconteça.
Pra piorar ainda mais essa questão agora surge essa denúncia da retirada de árvores da praça. A população do Gama precisa continuar unida e firme na luta pela preservação do Cine Itapuã e da Praça Lourival Bandeira à sua frente, bem como toda sua flora.
A Administração diz se tratarem de árvores ruins, porém o que se nota é que são poucas as árvores com problemas. A maioria delas estão sadias e algumas até bem verdes. A administração chegou a faze rum vídeo onde a Profa. Maria Antônia tenta explicar o porquê da derrubada das árvores na praça. O vídeo pode ser visto abaixo: Clique aqui!

Casos de degradação de bens que contam a história da cidade não são novidade. A de se ver o estado em que se encontra a Prainha do Gama, que está em repleto estado de abandono a mais de uma década. O Parque Vivencial Urbano que nunca saiu do papel. E a destruição de uns caminhõezinhos de concreto em uma praça da cidade, que teve a ordem dada pelo então assessor, na época, Robison Crusoé. No caso desses caminhõezinhos a administradora chegou a fazer um vídeo no local justificando a demolição dos mesmos.

Até quando os moradores do Gama vão ter que conviver com todo esse descaso com a história e memória da cidade? Será que o Cine Itapuã e sua bela praça serão finalmente preservados, ou a Administração tem plano de acabar com tudo? Lembre-se que um povo unido jamais será vencido. O Cine Itaupã, sua praça e outros pontos importantes da cidade devem ser protegidos e entregues de volta para a população. As árvores da praça do Cine Itapuã não podem ser arrancadas sem que realmente estejam ruins e na eminência de causar danos.

Torçamos para que tudo isso tome rumos sérios.

Da redação do Gama Cidadão.


Fotos Gama Livre: Árvores da Praça Lourival Bandeira, em frente ao Cine Itapuã


 

 

O especialista em Hidrologia, coordenador e professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, da Universidade Católica de Brasília (UCB), Marcelo Resende, fala sobre as medidas do governo para amenizar o racionamento de água e otimizar o abastecimento do Distrito Federal.

A ampliação dos reservatórios garante uma tranquilidade no racionamento de água?
Isso já havia sido decidido há muitos anos, mas agora está sendo colocado em prática por conta da crise. Está sendo necessária a retirada da água do Lago Paranoá, o que, inclusive, está sendo feito de forma muito apressada. Eu acho que se deveria, talvez, preservar o projeto anterior, que previa muito mais um processo de tratamento da água, melhor do que será feito agora. Está prevista a criação de uma estação de tratamento de água do Lago Paranoá, bem maior e com maior capacidade de purificação. Então, essa é uma medida realmente de urgência, para que possamos chegar até a estação chuvosa do final do ano sem muitos problemas.

E a outra ideia é trazer a água do Lago Corumbá IV, em Luziânia. A princípio essa medida abasteceria a região sul do DF, que corresponde às cidades de Santa Maria, Gama e Recanto das Emas. Essa é uma medida interessante, pois a água é de boa qualidade. Porém, o problema de se trazer a água do Lago Corumbá IV é que deverão ser criados sistemas de bombeamento elevatórios, pois a água de lá encontra-se em uma região mais baixa do que o Distrito Federal e isso gera um custo, o que tornaria a água bem mais cara. Mas, são as únicas saídas que temos, pois já estamos com o Sistema Descoberto e Santa Maria em colapso e a população do DF crescendo, o que resulta numa maior demanda de água. Se nós pudéssemos evitar a questão de fluxo migratório e outras ações para que nossa população não aumentasse, nós talvez não estivéssemos nessa dificuldade.

Professor, nós podemos colocar a culpa desse racionamento no governo?
É culpa dos governos, não somente do atual. Primeiramente pela falta de planejamento. Parte da culpa é climática sem dúvidas, nós tivemos estações, principalmente essa última, com pouca chuva. A falta de educação da própria população no uso da água também contribui, pois há um grande desperdício da água. Veja bem, será necessário criar multa para que o cidadão aprenda a usar a água de maneira racional, o que é um absurdo, pois nós já deveríamos ter essa conscientização! Outro fator preocupante é o uso e a ocupação desordenada da Bacia do Descoberto, onde encontram-se aterros de nascentes, o que reduz a vazão da água dos rios, levando a uma redução da taxa de água que chega até o lago e aumentando a taxa de sedimentos que chega à bacia. Então, há uma série de coisas negativas para o lago.

Professor nós corremos o risco de ficar sem água?
O risco agora está um pouco mais baixo com a medida de retirada da água do Lago Paranoá, pois teremos um sistema de transbordo da água do Sistema Santa Maria para o Descoberto. Dessa forma, o Santa Maria será menos demandado, porque toda a área ao redor do Lago Paranoá dependerá somente dele. Essa medida irá amenizar um pouco a situação, então, vejo que ainda temos uma chance de passarmos sem o risco de ficar sem água. Mas, se piorar, iremos passar por um racionamento mais sério, a Caesb já considera aumentar para dois dias o corte de água.

As obras para otimizar o abastecimento no DF ficarão prontas ainda este ano?
A de retirada de água do Lago Corumbá IV não, mas a do Lago Paranoá sim. A previsão é de que fique pronta até maio, pois na realidade é uma obra bem mais simples. Já a outra, que é a construção de uma estação de tratamento, por mais que esteja em processo acelerado, não será para este ano.


Foto: Faiara Assis

Da Redação do Gazeta de Taguatinga - 22/03/2017

Giovana Girardi

Se o ritmo atual de desmatamento do Cerrado continuar, o bioma poderá ver até 2050 a maior extinção de plantas no mundo desde 1500. Cerca de 480 espécies endêmicas – que só ocorrem lá – devem desaparecer, se a vegetação continuar sendo derrubada para a expansão agropecuária.

O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores brasileiros na edição deste mês da revista Nature Ecology and Evolution, publicada ontem, que traz também sugestões de políticas públicas para evitar a tragédia. Os autores lembram que a redução de 70% do desmatamento na Amazônia entre 2005 e 2013 foi acompanhada de uma mudança de foco do agronegócio.

Se na Amazônia políticas como a moratória da soja – que vetou o comércio do grão plantado em área desmatada ilegalmente – foram capazes de conter a perda da floresta para esse fim, foi para o Cerrado que o setor se virou. Entre 2002 e 2011, a taxa de perda do Cerrado foi 2,5 vezes mais alta que a da Amazônia. Só o Cerrado da Bahia, entre 2008 e 2013, perdeu 60% da área, dentro da expansão agrícola do chamado Matopiba (fronteira de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). No total, 46% do bioma sumiu e só 19,8% se mantém intocável.

A região é um hotspot de biodiversidade – ou seja, um local de rara riqueza e alta ameaça. Ali vivem 4,8 mil espécies de plantas e vertebrados endêmicas e estão três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, gerando 43% das águas superficiais fora da Amazônia.

Os pesquisadores projetaram o que pode acontecer com essa riqueza se a taxa de desmatamento se mantiver, no que foi classificado como um cenário “sombrio”. Pelas projeções, de 31% a 34% do que ainda existe do Cerrado pode desaparecer até 2050, levando ao desaparecimento de cerca de 480 espécies de plantas, como o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) e o babaçu (Attalea brasiliensis). “Isso é mais de três vezes todas as extinções de plantas documentadas desde 1500”, escrevem.

Sumindo as plantas, também podem desaparecer animais já ameaçados de extinção, como lobo-guará, onça parda, tatu-canastra, ariranha, tamanduá-bandeira, arara-azul e anta.

O efeito disso, explicam os autores, pode ser maléfico até mesmo para o agronegócio. Sem a vegetação, a produção das bacias hidrográficas pode ser comprometida. “A situação é realmente crítica”, disse ao Estado o biólogo Rafael Loyola, do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás. “É muito mais que só perder planta, é perder água, agravar crises hídricas como a que hoje atinge o Distrito Federal”, alerta.

Saídas – Os autores propõem que é possível evitar esse cenário e ainda permitir que o agronegócio continue se expandindo, se o uso dessas áreas for mais inteligente. De acordo com o trabalho, a pecuária utiliza, em média, apenas 35% da capacidade das pastagens que existem no bioma. Em um cenário de Cerrado Mais Verde, como eles apelidaram, seria possível crescer isso para 61%, o que liberaria a terra restante para a agricultura e ainda para fazer restauração de vegetação.

“Não estamos falando em nenhum momento para não expandir. Mas em vez de fazer isso em cima do Cerrado, piorando a crise hídrica e emitindo 8,5 milhões de toneladas de gás carbônico, dá para fazer com um uso de terra mais eficiente, que alie produção, conservação e restauração”, afirma Bernardo Strassburg, do Centro de Ciências da Conservação e Sustentabilidade, da PUC-Rio, que liderou o estudo. “E se isso vier com uma restauração focada em áreas prioritárias será possível evitar 83% do quadro de extinção que se projeta.”

Da Redação do Notibras - 24/03/2017 - 12:04


Cidadãos de 20 regiões administrativas estiveram presentes. Foto: Toninho Leite/Codeplan.

Defesa das áreas rurais e demarcação das áreas de preservação, manutenção de conjuntos exclusivamente residenciais foram os temas mais abordados

A audiência pública do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) realizada no sábado (11) contou com a participação de cidadãos de 20 regiões do Distrito Federal. Entre os temas explorados está a preservação das áreas rurais e conjuntos exclusivamente residenciais, além da demarcação das unidades de conservação do Distrito Federal. O combate à grilagem também foi discutido.

A audiência realizada no auditório do CREA, na quadra 901 sul, contou com 326 pessoas. Foram protocoladas 47 contribuições por escrito. Um documento com 58 assinaturas reivindica a realização de uma nova audiência pública para a continuação dos debates.

A Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema-DF) inovou na organização da audiência obrigatória para anteprojetos de lei do Governo de Brasília. Incluiu um plantão de atendimento para esclarecimento de dúvidas pontuais acerca do texto oferecido ao exame da sociedade civil. A triagem dos temas serviu também para que fossem oferecidas colaborações por escrito, sem manifestação específica junto à mesa diretora do evento.

“Todas as colaborações serão sistematizadas, avaliadas e acolhidas de acordo com o objetivo da lei e a reivindicação da sociedade”, assegurou o secretário de Meio Ambiente, André Lima. Ele não quis antecipar a possibilidade de realização de uma audiência pública formal, para avaliar se será possível cumprir as exigências legais.

As perguntas, sugestões, recomendações ou questionamentos para o anteprojeto de lei ordinária do ZEE terão as suas respostas publicadas no site do zoneamento e no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) em até 30 dias, conforme artigo 20 do regimento interno da audiência pública do ZEE.  A intenção do governo é viabilizar o encaminhamento do texto final do projeto de lei até junho deste ano.

Participaram da reunião representantes de Águas Claras, Brazlândia, Ceilândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Jardim Botânico, Lago Norte, Lago Sul, Park Way, Planaltina, Plano Piloto, Riacho Fundo II, Santa Maria, São Sebastião, Sobradinho, Sol Nascente (na Ceilândia), Taguatinga, Taquari (Lago Norte) e Varjão. 

SEMA DF - 14/3/2017

Um problema comum por todo o Brasil que também afeta o Gama no DF. Na cidade há muitos animais nas ruas. Principalmente no centro e próximo ao Hospital Regional do Gama (HRG).

O assunto está relacionado com a questão ambiental, mas ninguém associa.

Os animais que deveriam ser cuidados e tratados com carinho se tornam um perigo à saúde pública e um transtorno aos transeuntes que andam pelas ruas da cidade. São cães e gatos, geralmente bem desnutridos e muitas vezes com feridas e machucados. Isso quando não estão doentes. E na maioria das vezes eles são tocados, escorraçados, isso quando não são sofrem maus tratos, porque ninguém quer aquele ''inconveniente'' por perto.

O Distrito Federal  tem 30 regiões administrativas e apenas um centro de controle de zoonoses. O Centro de Controle de Zoonoses do DF fica na estrada do Contorno do Bosque, Setor de Áreas Isoladas Norte, Área Especial, Lote 4 (entre o Setor Militar Urbano e o Hospital de Apoio de Brasília). O local recebe cães e gatos diariamente. O veículo chamado de carrocinha não tem sido eficaz na recolha dos animais de rua espalhados pelo DF. No local é feito a análise da saúde do animal, a guarda e a castração deles e em alguns casos a eutanásia.

A situação dos animais de rua é pior do se imagina. Eles são transmissores de doenças, como Leptospirose e Raiva. Hospedeiros de parasitas como pulgas e carrapatos. Sujam a cidade, espalhando lixo e restos de alimentos, além das próprias fezes. Muitos destes animais se tornam agressivos aos seres humanos e até a outros animais. Atacam qualquer um que transitem pelo seu “território”. Ou seja, um grave problema de saúde pública. E pelo fato das regiões administrativas não terem canis nem unidade do Centro de Controle de Zoonoses, acaba ficando tudo concentrado na única unidade existente no Distrito Federal. E eles não têm dado conta da alta demanda.

A reportagem do Gama Cidadão constatou que na porta do Hospital Regional do Gama há um grande número de animais nas ruas que ficam por ali. Além da sujeira e do risco de doenças, estes animais ficam atormentando a vida dos que passam pela área. Alguns chegam a serem bastante agressivos e atacam pessoas, principalmente idosos e crianças. Uma senhora de 70 entrou em contato com nossa equipe dizendo que quase foi mordida por um cachorro de rua que estava na porta do Hospital intimidando as pessoas. Um perigo imenso, pois além do susto os danos causados pela mordida podem ser grandes. Como esses animais não são tratados podem carregar consigo diversas doenças como a Raiva e a Leptospirose, que podem levar a óbito. Um problema grave precisa de atenção, cujas soluções podem ser simples, mas que ninguém, nem mesmo as autoridades, tem dado importância. A quantidade de cães na porta do HRG é considerável e se tornou um problema que ninguém dá a devida importância. Nem as autoridades parecem se importar com isso. A nossa equipe fez um pequeno registro da quantidade de bichos que ficam ao redor do HRG no Gama.

Para resolver o problema não é nada tão complexo, mas depende mais da sociedade do que das autoridades. Isso mesmo, pois o principal causador desse problema é a própria sociedade, quando abandona animais na rua. Na maioria dos casos a própria população é quem coloca bicho na rua. Em outro caso o bicho nasceu na rua. Isso se deve por diversos fatores, mas que resultam em uma só problemática que é a questão dos bichos de rua.

Em muitos dos casos de abandono pelos seus donos este processo se dá por conta de que o animal passa a não mais se enquadrar ao meio onde os tais humanos vivem. Um exemplo muito comum encontrado nesses casos é que enquanto pequenos os animais são o xodó da casa. Acontece que depois crescem e muitas das vezes se tratam de animais de grande porte, o que acaba se tornando um transtorno para os seus donos. Dai eles os colocam na rua com o pensamento de que estão se livrando do problema. O que na verdade é ledo engano, pois estas pessoas estão transferindo o problema para uma região inteira que não tem nada a ver isso.

Não podemos deixar de mencionar também, que existem aqueles casos que se tratam de animais que fogem de suas casas. Seja porque esqueceram um portão aberto ou porque alguém saiu e não viu que o animal foi junto. Ai esses animais se perdem nas ruas e não conseguem encontrar o caminho de casa novamente. Com isso a rua acaba se tornando seu novo lar. Em alguns casos de perda tratam-se de animais muito querido pelos seus donos, então eles fazem uma campanha para encontra-los. Em outros casos vizinhos, amigos, familiares ou conhecidos encontram esses bichos na rua e o devolvem aos seus respectivos donos. Mas nem sempre eles voltam para suas casas e acabam fazendo parte do problema.

Agora há outro tipo de bicho de rua que são os que nasceram na rua e ali sempre viveram. Geralmente esses animais se tornam muito agressivos e, por não serem socializados, não aceitam nada nem ninguém que passe pelo seu “território”.  Atacam pessoas e animais sem nenhum motivo aparente, simplesmente porque estão cruzando o caminho deles. Assim os mais vulneráveis acabam sendo os idosos, as crianças e os deficientes.

Soluções simples podem ajudar na diminuição do problema

Uma das soluções que podem amenizar o problema de animais de rua é a sua adoção. Isso mesmo, adotar um animal de rua pode ajudar muito no controle do aumento dos animais de rua. Outra ação bastante eficaz é a castração, que tem por objetivo inibir a procriação desses animais. A castração, apesar de ser algo mais complexo que envolve a medicina veterinária e tem um custo, traz grandes benefícios a médio e longo prazo. Agora o mais importante e eficaz mesmo é não colocar bicho na rua. Estas ações podem ajudar bastante na questão dos animais de rua.

Exemplos que deram certo

Não é só o Gama que tem problemas com cães de rua, a maioria das cidades no Brasil de hoje enfrentam esse problema. Algumas pessoas e entidades tem dado mais atenção para essa questão e alguns animais já podem respirar novos ares longe das ruas e livre de doenças.

No município de Valparaíso de Goiás (GO) a poucos quilômetros da cidade do Gama, na divisa de Goiás com o Distrito Federal, a situação não é diferente, mas algumas pessoas tem feito algo para mudar essa realidade. No bairro Chácaras Anhanguera um casal de moradores adotou da sua porta um gato e dois cachorros de pequeno porte. Próximo a eles, a senhora Patrícia e o seu esposo adotaram uma cachorra de porte médio. Estes animais viviam na sua rua, incomodavam os transeuntes, rasgavam lixo, faziam suas necessidades na calçada e dormiam embaixo de marquises ou da parada de ônibus existente no local.

A cachorra, que ganhou o nome de Sofia, foi encontrada muito magra, mas com boa saúde. O casal se identificou com o animal que se mostrou muito dócil e amigável, fazendo com que eles se apagassem ao bichinho. Após a preparação do local que se tornou seu novo lar, ela foi adotada e retirada da rua pelo casal. Sofia foi levada ao veterinário, vacinada, vermifugada, tomou um bom banho e teve seu pelo tratado. Diferente do que acontece com muitos animais de rua, essa cachorra tinha poucos problemas no geral e sua recuperação foi muito rápida. Hoje bem tratada e cuidada, recebendo muito amor, carinho e dedicação dos seus donos, Sofia é outra cachorra. Já ganhou peso, é alegre, brincalhona, muito inteligente e obediente.


A cachorra Sofia e sua dona Patricia em seu novo lar.

No outro caso de adoção um dos cachorrinhos adotados tem uma história comovente. Ele vivia na rua desde pequenino, nasceu e cresceu na rua. Não era socializado, não gostava de ninguém, não deixava que nenhuma pessoa se aproximasse dele e colocava outros cães para correr. Com fome ele passou a ver o churrasquinho dos seus atuais donos como um local onde tinha certa facilidade em se alimentar. Sempre muito arredio e antissocial ele se mantinha por perto, mas evitava ao máximo a aproximação de humanos. Mesmo que fossem lhe dar comida ele não aceitava a aproximação. Era preciso que se jogasse a comida a ele ou fosse colocada numa vasilha bem distante das pessoas para que ele se sentisse seguro para comer. Um cão pequenino, mas muito arredio e valente, que foi atropelado por duas vezes e resistiu bem. Scooby, como é chamado, encantou os corações dos atuais donos. Já tem mais de um ano que vive com eles e aprendeu que o humano nem sempre é um perigo. Ao invés disso pode se tornar seu porto seguro.

Scooby o cãozinho adotado que não gostava de humanos

São exemplos como estes que fazem a diferença. O que antes era um estorvo, um problema de saúde pública, hoje é o melhor amigo daqueles que nãos os ignoraram e tiveram a compaixão de dar uma vida melhor a estes pobres animais que um dia foram abandonados.

Organizações não governamentais

Já que há uma grande deficiência do poder público para com essa questão, que tem aumentado nas últimas décadas, entidades sem fins lucrativos (ONGs) começaram a surgir para atuarem diretamente nessa causa. Estas entidades têm como missão retirar e cuidar dos animais de ruas. Dar-lhes os devidos tratamentos, fazer a castração, retirá-los das ruas e procurar lares responsáveis para adoção.

Doenças transmitidas

O animal saudável não transmite nenhuma doença ao ser humano, mas do contrário pode causar muitos transtornos, principalmente pela sujeira que faz nas ruas e pela agressividade de alguns que atacam pessoas. Outro problema são as fezes dos animais que além do mal cheiro atraem moscas e parasitas.

Animais saudáveis não transmitem doenças. Existem pessoas que acham que os animais domésticos são um perigo a saúde pública, mas uma vez que animais tratados, vermifugados e vacinados, e que vivem em boas condições de higiene dificilmente transmitem alguma doença. No entanto os animais abandonados e que vivem em condições de pouca higiene e na rua podem sim, transmitir doenças e isso deve ser considerado, pois trata-se de um problema de saúde pública.

Veja as doenças mais comuns que podem ser transmitidas por animais de rua:

- Raiva (Cão, gato, primatas e cavalo): A transmissão ocorre pela mordida do animal doente. O vírus encontra-se presente na saliva.

 - Larva Migrans cutânea ou Bicho Feográfico (Cão): A transmissão é pelo contato com ambientes que estejam contaminados com fezes de cães.

- Lepstospirose (Cão): causada por bactéria presente na urina dos ratos que contamina a água de enchente, lama etc. O cão que tiver contato com a urina de ratos se contamina e pode transmitir ao homem.

- Criptococose (Doença do Pompo): A criptococose, chamada também de Blastomicose Européia, Doença de Busse-Buschke ou Torulose, é uma das doenças que os pombos podem transmitir aos humanos. Causada por um fungo chamado Cryptococcus neofarmans, esta doença infecciosa está presente nas fezes do pombo. Sua transmissão aos humanos é feita através da inalação destas fezes ou de poeira que contenha fezes de pombo contaminadas. Esta doença pode atingir qualquer pessoa, no entanto pacientes que contem com um sistema imunológico fraco, como aqueles que sofrem de câncer e HIV, são mais propensos à doença.

Ajudando a ter uma cidade mais limpa e livre desses problemas:

Além das autoridades, Governo e Administração regional, cada cidadão é responsável pelo meio onde vive. E cabe a todos zelar por estes espaços. Abaixo seguem soluções simples que podem ajudar em muito na questão de animais de rua:

Não coloque animais na rua. Procure por entidades que tratem desses animais ou até mesmo o Centro de Controle de Zoonoses de do Distrito Federal e faça a destinação correta desses animais.

Adote um cachorro ou um gato, faça os devidos cuidados veterinários, como vacinas e vermífugos. Cuide dele e os benefícios obtidos se estende a toda sua comunidade.

Não jogue lixo em terrenos baldios pois isso atrai ratos, pombos e demais animais de rua. Não coloque lixo de qualquer jeito na porta de suas casas ou comércios.

Não alimentem os pombos urbanos pois eles são fortes transmissores de doenças.

Denuncie quem maltrata animal. Leve ao conhecimento da Zoonoses a existência de bichos de rua e cobre da Administração Regional que tome providências quanto a isso.

Da redação do Gama Cidadão.