A crise hídrica no DF se tornou a maior da história nesses mais de 55 anos de existência da região. Com ela veio o racionamento de água e trouxe a tona a questão de como os órgãos competentes tem lidado com a questão hídrica em toda a região do DF e Entorno. Para se terem uma ideia do tamanho do problema o principal reservatório de Brasília está com 24% da capacidade.

As chuvas deste verão não estão ajudando e na região do Distrito Federal a situação do abastecimento é crítica. Até algumas nascentes estão secando. Algo jamais visto pelos moradores próximos a estas áreas. A crise está tão séria que a CAESB teve que implantar o racionamento no abastecimento de água em todo o DF. Acontece que quem vive nas zonas rurais a questão tem sido outra, a seca de nascentes e diminuição do fluxo de água nos córregos.

A situação crítica vivenciada por quem mora na zona rural se deve pelo fato de, além do baixo índice de chuvas, existirem algumas pessoas que estão fazendo capitação irregular de água de córregos e ribeirões.

Na região da Ponte Alta no Gama, no Núcleo Rural Casa Grande, vários córregos e nascentes atrás da igreja de São Francisco de Assis estão sofrendo com a capitação de água irregular, segundo um morador do local que não quis se identificar, falta fiscalização da Administração Regional do Gama e da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), que até o momento não estiveram no local para constatar o fato. 

A moradora do Alagados de Suzana, Dona Flávia, a mais de 33 anos na Vila, reclama que nunca viu a nascente próxima a sua casa tão seca como se encontra atualmente. E denuncia que esses acontecimentos se devem a capitação irregular de água desses ribeirões e nascentes por alguns moradores da região ou pela Caesb. Dona Flávia alega que está havendo um desvio dos ribeirões que passam na Vila e região.

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E toda essa seca hídrica está acontecendo bem no meio da estação úmida, que deveria trazer algum alento para a seca na região. Tudo indica que esse ano no DF ocorra o pior período de seca da história. Onde a chuva veio e melhorou a situação dos reservatórios foi no Sul e no Sudeste. O DF sofre com a escassez de chuvas no período mais chuvosos pra a região e deve piorar ainda mais no período de seca.

O Governo do Distrito Federal suspendeu a emissão de novas autorizações para captar água em regiões críticas, como por exemplo na bacia do Descoberto. E isso é por conta do desabastecimento que levou à crise hídrica. Não há previsão de quando os processos de outorgas voltarão a ser analisados.

Os agricultores que já aplicaram a documentação na tentativa de regularizar uma captação irregular ou começar a captar água não terão a permissão do governo neste momento. Em caso de desrespeito, ficam sujeitos a advertência, multa e obstrução dos poços. A Adasa não informou a quantidade de pedidos em aberto. Por conta disso alguns moradores dessas regiões têm recorrido aos córregos e ribeirões que abastecem essas bacias para fazerem a capitação de água. No caso de forma irregular.

Os córregos e ribeirões que cortam a região do Gama se conectam a bacia de Corumbá IV, que está localizada entre os municípios de Luziânia (GO), Novo Gama (GO) e Alexânia (GO). Essa bacia é um importante ponto hídrico localizado região sul do Entorno do DF. A anos está sendo feito uma imensa obra pela CAESB e SANEAGO, mas que vem se arrastando sem um prazo para conclusão. A obra visa atender o abastecimento de água das cidades que estão na região sul do DF e Entorno. Isso irá ajudar bastante na melhora da situação hídrica do DF.

Enquanto essa importante obra não é concluída e entra em funcionamento a população do DF se vê a mercê da situação em que se encontra o atual sistema hídrico do DF.

Com relação a questão da capitação de água irregular, a ADASA firmou um convênio com as polícias Militar e Ambiental do DF para intensificar a fiscalização das captações irregulares. Porém referente a região da Ponte Alta no Gama ainda não se pronunciam.
 

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Da redação do Gama Cidadão.

Cerca de 80 pessoas participaram do encontro promovido pela Adasa. Muitas criticaram a cobrança feita pela Caesb desde dezembro do ano passado

Muitas críticas e algumas propostas foram feitas na audiência pública promovida pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Público do Distrito Federal (Adasa) nesta terça-feira (7/3). O objetivo da reunião foi colher contribuições para a resolução que definirá o uso dos recursos arrecadados com a tarifa de contingência que vem sendo cobrada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) devido à crise hídrica.

Mais de 80 pessoas participaram da reunião promovida pela agência. Entre os presentes estavam estudantes e professores do ensino médio da rede pública do Distrito Federal, representantes da sociedade civil, assessores parlamentares e o corpo de técnicos e diretores do órgão.

Uma das propostas lançadas pelo assessor parlamentar do gabinete do deputado Joe Valle (PDT), Diogo da Matta Garcia, é a garantia de que 10% do total de recursos arrecadados serão destinados à educação ambiental. "Também consideramos primordial a implantação de estruturas de sinalização e interpretação ambiental em áreas protegidas, unidades de conservação, nascentes, matas ciliares e demais áreas necessárias à preservação de recursos hídricos", acrescentou.

A professora de língua portuguesa Mayssara Reany de Jesus propôs que parte da verba da tarifa de contingência seja destinada ao consumo consciente de água para o setor de agronegócio, como também que sejam feitos investimentos para a preservação de nascentes. "Há mais de 15 anos, brota água de uma nascente em frente ao CEF 01, em Brazlândia. A Adasa, o Ibram e a Caesb nunca tomaram providência alguma e a população faz uso dela para a lavagem de carros", advertiu.

A vice-presidente da Associação de Profissionais de Engenharia Ambiental do Distrito Federal, Bruna Sousa, interrompeu a reunião e bradou. "É a terceira vez que a Adasa faz uma audiência pública e não temos o retorno imediato da agência", protestou.

Segundo o superintendente de Estudos Econômicos e Fiscalização Financeira da Adasa, Cássio Cossenzo, todas as contribuições serão levadas em consideração. Cossenzo disse que até 25 de março a agência dará uma definição sobre a destinação da verba da tarifa de contingência. "Uma equipe técnica e a direção do colegiado se reunirão para bater o martelo. Entre as propostas já analisadas, estão: campanha de conscientização para o uso d’água, investimentos e custos em novos projetos e para a redução de perdas."

Entretanto, ele também considerou que "a própria concessionária tem o conhecimento técnico melhor sobre o que deve ser aplicado".

Para o representante do Fórum Permanente em Defesa do Parque Ezequias Heringer, José Gurgel, o povo continua pagando pela falta de planejamento do governo. "Em dois anos e meio, a Caesb não fez sequer um projeto para evitar a falta de água. Caminhão pipa? Vamos voltar à idade da pedra?", questionou.

No meio do seu discurso, ele ironizou a atuação conjunta da Adasa e da Caesb. "Com este dinheiro da tarifa de contingência, daria para comprar água mineral para toda a população do Distrito Federal", ironizou. Gurgel não considera que essa audiência pública vá resolver de maneira transparente como gastar o dinheiro da tarifa de contingência. "Isso não adianta nada. Teria de ser realizada uma audiência deliberativa", comentou.

Para o professor aposentado Klecius Oliveira, o governo quer que o consumidor pague, mas não leve a água. "A população está sendo duplamente punida: tanto pela falta d'água como pelo pagamento da taxa", analisou. Klecius questionou a ingerência do governo sobre a questão da crise hídrica. "Ou é incompetência ou é má fé. A população uma hora vai se revoltar com tudo isso", afirmou.

Até as 17h de 13 de março de 2017, os cidadãos poderão enviar contribuições para a redação da resolução. Isso pode ser feito pelo endereço eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou ser remetido por correspondência endereçada ao Protocolo Geral da Adasa.

Por Correio Braziliense Foto: Reprodução / Divulgação - 07/03/2017 - 19:13:24

Parcerias tem o objetivo de orientar o manejo sustentável nas comunidades extrativistas e permitir a difusão em importantes mercados dos produtos extraídos

O trabalho de extração de baunilha do Cerrado desenvolvido pelas comunidades quilombolas em Cavalcante, na região Norte de Goiás, chamou a atenção de um dos maiores chefs da atualidade, Alex Atala. À frente do Instituto Atá, o chef e demais pesquisadores da biodiversidade brasileira, principalmente no que se refere a ingredientes e especiarias utilizadas na gastronomia, buscam junto a comunidades extrativistas desenvolver parceria para orientar o manejo sustentável e permitir a difusão em importantes mercados dos produtos extraídos.

No início de fevereiro, Alex Atala e parte da sua equipe estiveram nas comunidades kalunga Vão de Almas e Engenho 2, acompanhados por integrantes da Superintendência da Igualdade Racial, da Secretaria Cidadã, para ver de perto a produção agroflorestal de baunilha. “Só há três sabores reconhecidos e apreciados em qualquer parte do mundo: morango, chocolate e baunilha. Isso mostra a importância desse produto para vocês. A baunilha tem que existir para reforçar a cultura de vocês”, disse Atala em reunião com os kalunga em Cavalcante.

O projeto a ser desenvolvido em parceria entre o Instituo Atá e as comunidades quilombola kalunga visa a implantação de viveiros para produção sustentável de mudas de baunilha do Cerrado, diretamente na comunidade Vão das Almas. As famílias participantes vão receber cursos sobre o manejo e o beneficiamento da iguaria. Para isso, a Fundação Banco do Brasil vai liberar financiamento no valor de R$ 382 mil. Outro parceiro do projeto é a Central do Cerrado, uma organização que auxilia cooperativas no desenvolvimento comercial de seus produtos.

“Esse projeto ganha uma importância especial para nós à medida em que, além de representar desenvolvimento econômico e social para as nossas comunidades, pode ser também uma perspectiva de futuro para nossos jovens, que normalmente buscam estudo e trabalho fora daqui, na capital ou em outras regiões”, comentou Vilmar Souza Costa, presidente da Associação Quilombo Kalunga.

A pesquisa sobre a viabilidade do manejo sustentável da baunilha foi iniciada pelo instituto em 2014, época em que Alex Atala elencou os ingredientes especiais autênticos da culinária brasileira. Junto à baunilha, o chef despertou interesse também pela pimenta Baniwa e pelo cogumelo Yanomami, ambos nativos da região da Floresta Amazônica.

No Norte goiano, o projeto visa desenvolver a cultura da baunilha típica do Cerrado, presente na Chapada dos Veadeiros. O objetivo principal é transformar a realidade socioeconômica da comunidade extrativista, bem como conservar a biodiversidade e a cultura dos quilombolas.

Para desenvolver o projeto, o Instituto Atá conta com diferentes profissionais, entre pesquisadores e técnicos no cultivo da planta, beneficiamento e gestão comercial de produtos agro sustentáveis. A equipe de coordenação do projeto também possui representantes da própria comunidade kalunga, incluindo o presidente da Associação Quilombo Kalunga e outros moradores da comunidade. Outras visitas do grupo a Cavalcante para detalhar o planejamento do projeto devem ser confirmadas para março.

Baunilha

Aromatizante natural de alto valor, a baunilha é um tipo de orquídea do gênero vanilla originária da América Central. No Brasil, espalha-se pelos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Seu poder de dar sabor aos alimentos vem dos grãos da vagem da planta. Ainda verde, essa vagem não tem gosto nem cheiro, sendo preciso deixá-la secar ao sol ou em estufa para o seu preparo inicial, que conta com fermentação natural.

O extrato é obtido da vagem seca, que posteriormente é submetida a soluções alcoólicas. Na cultura kalunga em Goiás, a baunilha costuma aromatizar também a cachaça. Na visita ao Empório Kalunga em Cavalcante, o chef Alex Atala foi apresentado a uma dessas aguardentes.

Desenvolvimento da comunidade

A Secretaria Cidadã, por meio da Superintendência da Igualdade Racial, está diretamente ligada ao desenvolvimento do projeto, contribuindo no estreitamento de relações entre o Instituto Atá e os membros da comunidade kalunga. A primeira visita de reconhecimento promovida por Alex Atala e sua equipe foi acompanhada pela gerente de projetos intersetoriais e comunidades tradicionais, Lucilene dos Santos Rosa. Ela explica que, até os dias de hoje, a extração da baunilha do Cerrado é feita de forma muito artesanal e sem o cunho comercial. “Hoje, a baunilha é utilizada na comunidade para consumo próprio na forma de licores e da sua essência. Sua comercialização na loja de produtos kalunga é feita de forma muito inexpressiva. Com a capacitação promovida pelo Instituto Atá em parceria com a ONG Central do Cerrado, a comunidade vai potencializar seu cultivo e seu correto beneficiamento para que a especiaria ganhe o mercado nacional e até internacional”, relata a gerente.

Na próxima visita dos técnicos do Instituto serão eleitas as famílias que vão receber a capacitação para atuar nos viveiros e no beneficiamento das favas. A intenção é que a baunilha gere subprodutos beneficiados atendendo aos requisitos necessários para sua exportação. A Central do Cerrado será a responsável por abrir mercado para o produto, que também poderá ser comercializado direto pela comunidade. Conforme relata Lucilene, será trabalhada uma identidade visual para os produtos derivados da baunilha do Cerrado, alçando a iguaria a patamares de comercialização internacional.

Do Mais Goiás Foto: Divulgação - 02/03/2017 - 09:43:47

(Biocomunidade do Sítio das Neves. Árvores e água, eis o segredo. Foto: Eugênio Giovenardi)

Eugênio Giovenardi, escritor, ecossociólogo, acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico do DF e membro do ICOMOS/UNESCO.


O dom da palavra escrita e falada, até hoje exclusivo da espécie humana, transmite conceitos, elabora mitos, cria ficções, espalha mentiras, camufla a realidade, divide e une as pessoas.

Nos últimos tempos, os cidadãos ouviram expressões como contabilidade criativa, recursos não contabilizados, fuga de capitais. Em relação à surpreendente escassez de água nos reservatórios e irregularidades das chuvas, autoridades administrativas diagnosticam stress hídrico. Nesses dias de racionamento no Distrito Federal, fala-se em crise hídrica. Na verdade, o que há é uma crise histórica de gestão da abundância de água. Parece que não sabemos o que fazer com tanta água. As inundações pelo país que o digam.

O fato de termos 12% da água doce do planeta e rios que atravessam o país, a gestão do fornecimento de água à população não se tornou motivo de planejamento nem prioridade para os governos.

Talvez nunca se tenha feito com seriedade a relação entre crescimento da população, aumento do consumo de água e a inelasticidade da oferta. O consumo aumenta sem aumentar a oferta. Oferta não significa apenas construir aquedutos para retirar água de reservatórios e levá-la às torneiras. Como se noticiou amplamente, nenhum reservatório está com sua capacidade plena.

Gestão da água é também estar preparado para enfrentar imprevistos ou irregularidades climáticas. Mas as medidas tomadas durante a escassez de água têm efeitos de curto prazo e serão esquecidas ao se normalizar a situação de emergência. A gestão do fornecimento de água à população do DF, já na casa dos três milhões e com crescimento desordenado, deve obedecer a um plano consistente para os próximos 40 anos.

Estima-se que, em dois anos, o DF terá mais 140 mil novos habitantes.  A água do planeta é a mesma de milhões de anos. As chuvas é que podem ser irregulares e é difícil fazer previsões. O certo é que a população consumidora cresce onde há e onde não há água. Se não se pode prever com segurança o volume de chuva de cada ano, é possível calcular o aumento da população e suas necessidades de água. É urgente e imprescindível preparar a população para captar a maior quantidade de água no período chuvoso. São tímidos ainda os projetos de adaptação dos edifícios da cidade para coletar a água gratuita da chuva. Na contramão da oferta de água, os desmatamentos e ocupações irregulares de áreas de proteção ambiental continuam sem uma constante ação preventiva e corretiva da administração pública.

Ações emergenciais não criam novos comportamentos, apenas acomodam temporariamente a forma de usar a água. A participação de outros órgãos como a Secretaria de Agricultura, numa situação de emergência, no sentido de orientar os agricultores na melhoria da eficiência do uso da água nas atividades agrícolas em curso, é de efeito temporário. São medidas intempestivas, desconectadas do processo produtivo já em curso.  Solicitar crédito para otimização do uso da irrigação ou canalização de cursos de água diante da escassez é um contrassenso. Nem os bancos, nem os produtores estão preparados para isso.

A preocupação dos gestores está centrada no fornecimento de água dos reservatórios à população residente na cidade. Este é apenas um item da gestão. O consumo de água relacionado com a energia hidrelétrica é ocultado pelos gestores e ignorado pela população. O consumo de água da indústria, do comércio e da agricultura é uma caixa preta. O consumo de energia dos prédios públicos é uma incógnita. A Esplanada dos Ministérios, à noite, é uma apoteose de luzes iluminando a burocracia adormecida.

O planejamento da gestão da água deve relacionar a produção industrial e a de alimentos com a capacidade da região de fornecer o volume de água necessário. A vocação territorial da produção de alimentos deve ser compatibilizada com a oferta de água para que se obtenha o equilíbrio entre oferta e demanda. Este equilíbrio é o conceito básico da produção econômica ecológica.

A criação de gado no DF só poderia ser permitida com técnicas de manejo ecológico que garantam pelo menos a reposição da água consumida pelo rebanho num ciclo produtivo. A alta produtividade da soja no DF não é argumento inatacável se os aquíferos se esgotam e a recarga não acontece.

Um núcleo central de planejamento da gestão da água deve estabelecer para diferentes setores produtivos, cujas características diferem uns dos outros, quais são adequados diante da escassez de água.

Reuso, captação de águas pluviais e reflorestamento são elementos fundamentais na gestão do fornecimento de água à população. Onde produzir, quanto produzir, com quanta água, a que custo e para quantos, são questões fundamentais de planejamento que os gestores da água têm que responder.

O Observador - 21/02/2017

A preocupação com a situação dos aterros sanitários e com o destino correto de resíduos sólidos chegou com força em São Paulo. Foi inaugurada neste ano a maior termelétrica movida a biogás do Brasil, a Termoverde Caieiras.
Todos os dias, a Central de Tratamento e Valorização Ambiental recebe cerca de oito mil toneladas de lixo urbano e industrial. A partir dessa enorme quantidade de resíduos, a Termoverde é a responsável por produzir a energia de maneira sustentável.
A construção do empreendimento começou em 2014 e teve um investimento de mais de R$ 100 milhões do Grupo Solví. No segundo semestre de 2016 recebeu a autorização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para iniciar as operações.

São exatamente 15 mil metros quadrados de instalação, onde a usina oferece nada menos que uma potência de 29,5 megawatts. Para se ter uma ideia, esse número é suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes.
De acordo com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), com o novo negócio o Brasil tem potencial de gerar 1,3 GW de eletricidade a partir dos resíduos sólidos urbanos. É o necessário para o fornecimento adicional de 932 mil MWh/mês, com capacidade de abastecer 6 milhões de casas.

“Mesmo em tempos de crise econômica, o conselho deliberativo teve a coragem de aprovar um investimento desse valor gerando emprego e apoiando o meio ambiente. Estamos deixando um legado”, destacou o diretor técnico do grupo Solví, Eleusis Creddo.
Bom, o melhor do legado da termelétrica de Caieiras já começou, e é o fato de evitar a emissão de gás metano, um dos principais gases causadores do efeito estufa na atmosfera. Além disso, claro, a capacidade de gerar energia a partir de lixo dispensa comentários, não é mesmo?

Fonte: Blog da Engenharia / The Greenest Post e Secretaria de Energia e Mineração | Fotos: Divulgação 

 

As nascentes, os rios, os lagos, o lençol freático e o nosso cerrado estão sendo cotidianamente comprometidos

Há mais de 30 anos, ambientalistas paulistas falavam da importância de proteger o território e a Mata Atlântica nos seus principais mananciais (Cantareira, Guarapiranga e Billings) em face da expansão da cidade. Inúmeras iniciativas sociais e políticas se sucederam. Campanhas Pró-Tietê, Cantareira, Guarapiranga, Billings, Ribeira do Iguape, Paraíba do Sul mobilizadas pela sociedade civil, governos e pela grande mídia. Ainda assim essas áreas foram perdendo significativamente sua vegetação original. Nessas décadas, bilhões de reais foram investidos em grandes obras de tratamento de água e esgoto e na captação e transposição de águas. Mas a crise veio e se instalou por lá. É preciso aprender com o que aconteceu em São Paulo. Em Brasília, infelizmente, já vivemos o racionamento. Algo inesperado há três ou quatro anos.

Além do deficit histórico de investimento em infraestrutura de captação de água, que este governo vem buscando reverter, há os efeitos das mudanças climáticas, que nossa região vem sofrendo. É preciso reconhecer o ritmo desenfreado da expansão urbana (movido pela grilagem de terras públicas e construções irregulares) e estribado em índices muito altos de crescimento populacional, superiores a 2% ao ano, que acelerou o processo crítico de deficit hídrico. As nascentes, os rios, os lagos, o lençol freático e o nosso cerrado estão sendo cotidianamente comprometidos. Perdemos quase 60% da nossa vegetação no Distrito Federal, principalmente nas áreas periurbanas de Brasília.

Urge enfrentarmos — os três Poderes e a população — a grilagem de terras e a ocupação ilegal do solo, sobretudo nas áreas de interesse ambiental. O apoio político e social às ações públicas de enfrentamento da grilagem de terras e de ocupações irregulares do solo, como a ação que vem ocorrendo no Parque do Guará e na Orla, é fundamental.

O DF é relativamente bem servido de infraestrutura ambiental. Conta com inúmeros parques, estações ecológicas (a exemplo de Águas Emendadas), reservas biológicas, áreas de preservação permanente de matas ciliares e nascentes, áreas de relevante interesse ecológico e a proteção dos mananciais, relevantes para a filtragem e o retorno de água de chuva para o solo.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR-DF) já atingiu 8 mil propriedades rurais e 60% do território rural, para mapear a proteção e recuperação de matas ciliares e nascentes e manejo adequado do solo. Estamos concluindo o edital do Programa Recupera Cerrado, que deve viabilizar investimento próximo de R$10 milhões em restauro florestal em áreas críticas e sensíveis, como a região do Descoberto, nos próximos dois anos.

Finalizamos, em novembro passado, o novo Mapa Hidrográfico oficial do Distrito Federal, indicando que Brasília possui uma malha hídrica rica, porém muito sensível e vulnerável. Todo esse equipamento ecológico, que a natureza nos oferece a custo zero, viabiliza a infiltração da água no solo, a conservação e a captação de toda água (superficial e subterrânea) oferecida ao povo do DF e atenua os efeitos das mudanças do clima. A gestão das águas não prescinde da boa gestão climática e do território.

Lançamos também o inventário de emissões de gases de efeito estufa e um relatório para subsidiar a produção de um plano de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Estamos agora conclamando a sociedade brasiliense a se unir a nós no Fórum Distrital de Clima.

O Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), instrumento de gestão do território, sob a nossa coordenação e o envolvimento de mais de 20 órgãos do governo distrital e federal, está em fase final de conclusão e será encaminhado à Câmara Legislativa até abril. Com ele, teremos a indicação e a definição de diretrizes para proteção e recuperação das áreas de recarga de aquífero (responsáveis pela infiltração da água para o lençol subterrâneo) e das áreas de proteção de mananciais, fundamentais para manter e aumentar a produção hídrica de qualidade a custos mais baixos.

Precisaremos do apoio da sociedade e da Câmara Legislativa, que a representa, para que esse importante instrumento de gestão ambiental entre em vigor. Carecemos de novo pacto político e social pela água, pelo clima e pelo cerrado no DF. As crises da água e do clima que vêm se apresentando não nos dão outra opção.

Por André Lima/Correio Braziliense Foto: Andre Borges/Agência Brasília - 21/02/2017 - 17:23:54