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Paciente paga para ter exames impressos no DF

Antônio Bezerra, assim como os outros pacientes, ganhou uma senha para imprimir os exames em outro lugar, já que impressoras estão sem cartuchos. Foto: Kléber Lima

A impressão de exames laboratoriais nos hospitais públicos do DF está comprometida por falta de cartucho. Há pelo menos uma semana, conforme denúncia de pacientes e servidores, o problema tem causado transtornos. Ontem, na unidade do Gama, por exemplo, a notícia pegou muita gente de surpresa. Segundo testemunhas, na última quarta-feira, o cenário foi o mesmo.

Entre os prejudicados está o publicitário Antônio Bezerra de Araújo, 41 anos, diagnosticado com hepatite B em 2014. Ele faz acompanhamento com um infectologista no Centro de Saúde Nº 5, no Gama. “Minha doença é crônica. Descobri em estágio avançado. Por isso, a cada seis meses, faço quase 20 tipos de exames de sangue diferentes para monitorar minha enfermidade”, explica.

Em meados de maio, o publicitário se submeteu a mais um checape no hospital do Gama. No entanto, 15 dias depois, descobriu que a instituição havia perdido os resultados por causa de uma pane no sistema. Antônio, então, teve que refazer a coleta, mas foi pego de surpresa mais uma vez. “Fui buscar meus exames e descobri que a unidade não tinha tinta para a impressão dos documentos”, lamenta.

Assim como os outros pacientes, ele ganhou uma senha para imprimir os exames em outro lugar. “Hoje (ontem), tive que tirar dinheiro do meu bolso para conseguir a papelada em uma lan house”.

Atraso e mais transtorno

Antônio Bezerra não esconde a indignação diante do problema. Devido a sua condição, o publicitário está afastado do trabalho há quase três anos e conseguiu, em dezembro passado, um benefício na Justiça com validade até o último dia 12 de junho. Porém, por causa do atraso na liberação dos exames, ele perdeu a ajuda de custo de um salário mínimo mensal. Essa era a sua única fonte de renda.

“Eu teria que ter marcado uma perícia até o dia 12 para garantir a renovação, mas perdi esse direito porque não estava com os exames em mãos. Depois disso, o INSS me informou que eu não posso mais pedir a prorrogação do benefício. Não sei como vou me manter e comprar remédios”.

Visivelmente abalado, Antônio lamenta necessitar da saúde pública do DF. “Me sinto impotente. É obrigação do governo garantir cartucho e não perder exames. Isso é o mínimo. O custo da tinta é uma miséria”. Ele lembra ainda que os telefones e a internet no Centro de Saúde Nº 5, no Gama também estão cortados.

A operadora de telemarketing Iuliana Nunes, 30 anos, também enfrentou dificuldades para conseguir os resultados de exames do filho no Centro de Saúde Nº 4, no Gama Leste. “Na quinta-feira eu estive lá e disseram que não adiantava eu procurar outros hospitais porque a falta de tinta era geral. Só consegui porque meu caso era de emergência e os funcionários compraram cartucho com o próprio dinheiro”, conclui.

VERSÃO OFICIAL

A Secretaria de Saúde informou que “reconhece o desabastecimento de tinta nas impressoras de alguns setores das unidades e esclarece que está em andamento uma licitação regular para a retomada do fornecimento”. O serviço deve ser restabelecido a partir da próxima semana.

Ainda de acordo com a pasta, os cortes nos serviços de telefonia começaram há cerca de oito meses. “Um contrato emergencial também já foi realizado”.

Sobre o caso do publicitário Antônio Bezerra de Araújo, a Saúde informa que os pacientes estão orientados a cadastrar uma senha para ter acesso aos laudos dos exames de onde estiverem. No caso dele, o cadastro é realizado no hospital de Santa Maria. “O paciente foi orientado a fazer o procedimento. Assim como ele, todo mundo que teve os exames prejudicados pela pane no sistema foram chamados imediatamente para realizar novos exames”, finaliza.

Manuela Rolim da Redação do Jornal de Brasilia – 20/06/2017

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