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2 de agosto de 2021

A nova jogada do barão do transporte

Dono de 850 ônibus, ou um terço da frota do sistema de transporte coletivo do Distrito Federal, o empresário Wagner Canhedo Filho vai fazer de tudo para permanecer no negócio que, em 20 anos de concessão pública, somará R$ 16 bilhões. Além de se inscrever na licitação lançada na última sexta-feira com a Viação Planalto Ltda., a Viplan, Canhedo arrumou duas empresas testas de ferro para aumentar suas chances de continuar nesse mercado bilionário. Há evidências de que a Santos & Pradela Negócios e Transportes Ltda. e a Planalto Rio Preto Transporte Coletivo Ltda. representam os interesses do barão do transporte no DF. …

Nove empresas apresentaram documentação para participar da concorrência pública aberta pela Secretaria de Transportes. Dessas, duas são de outros estados (São Paulo e Minas Gerais) e as outras sete do DF, sendo três ligadas a Canhedo. Em processo de recuperação judicial, a Viplan não tem as certidões negativas exigidas como parte do processo de licitação. Até a véspera da entrega dos envelopes, a empresa corria sério risco de ser desclassificada logo na primeira etapa. Isso, por enquanto, não ocorrerá porque, na quinta-feira, um dia antes de a concorrência pública ser lançada, o grupo conseguiu uma liminar na Justiça autorizando a participação da Viplan mesmo sem as tais certidões negativas.
 

O benefício da medida cautelar para a Viplan assinada pelo juiz Edilson Enedino das Chagas, no entanto, chegou nos 45 minutos do segundo tempo e é em caráter temporário, até o julgamento do mérito. Por isso, muitas das fichas de Canhedo para continuar no sistema estão depositadas na Santos & Pradela e na Planalto Rio Preto. Não é de hoje que o empresário prepara as duas firmas para o momento da licitação. Em 23 de dezembro de 2010, às vésperas do Natal e ainda na gestão do governador Rogério Rosso, Wagner Canhedo transferiu à empresa Planalto Rio Preto a permissão de uso da Condor Transportes Urbanos Ltda., que faz oficialmente parte do grupo dele. A operação foi representada por um lote de 64 ônibus do tipo Padron EBTU/Geipot e outros 20 convencionais. No mesmo dia, outro extrato publicado no Diário Oficial do DF comprova o repasse de mais linhas a Planalto Rio Preto, só que desta vez por meio da Lotáxi, também de Canhedo.
 

Exigências
Entre as exigências da maior parte dos editais, está o atestado de capacitação técnica, o que em geral se comprova por meio de serviço prestado no ramo. Foi justamente isso que Canhedo viabilizou ao repassar o que era de direito da Condor e da Lotáxi para a Planalto Rio Preto. O vínculo entre Canhedo e essa firma que agora disputa a licitação com a Viplan é tanto que, em março, quando o GDF lançou contrato emergencial para a cobrir linhas em Planaltina, a Planalto Rio Preto se inscreveu para operar a rota e apresentou 80 ônibus registrados em nome da Viplan, de Canhedo. Por isso, o Transporte Urbano do DF (DFTrans) e a Secretaria de Transportes desclassificaram a empresa.

A Planalto Rio Preto, por sua vez, é intrinsecamente ligada à Santos & Pradela, embora em tese as duas sejam concorrentes no processo de licitação lançado pelo GDF. A Santos & Pradela tem como sócios Amarildo Luciano dos Santos e Camila Ignez Pradela de Oliveira. E a Rio Preto, segundo a certidão simplificada da Junta Comercial do DF, exibe em sua formação societária Nelcides Alves de Oliveira e Aparecida Ignez Pradela de Oliveira. Camila e Aparecida têm o mesmo sobrenome, um forte indício de que fazem parte de um mesmo núcleo de interesses.
 

As duas empresas que têm parentes como sócios funcionam no Setor de Transportes de Cargas, Trecho 1, Conjunto B, Lote 8. A Santos & Pradela no 1º andar e a Rio Preto, no 2º. Esse é também o endereço da Transportadora Wadel Ltda., empresa conhecidamente do conglomerado daquele que se tornou o imperador do transporte público do DF e que pelo jeito pode continuar por mais umas duas décadas no mercado. Esse é o prazo com prorrogação da concessão pública objeto da licitação do governo.

 
A família de Wagner Canhedo era a dona da extinta Vasp, que faliu e gerou um dos maiores passivos trabalhistas do Brasil. Em 19 de junho, a Justiça do Trabalho divulgou a lista das 100 empresas e pessoas físicas com maior número de processos cujo teor são os débitos dessa natureza. A primeira no ranking foi a Vasp. No Distrito Federal, embora a Lotáxi, a Condor e a Viplan estejam em plena atividade, as três firmas de Canhedo enfrentam processo de recuperação judicial, um estágio que pode ser decisivo para a restauração da saúde financeira das empresas, ou o estágio anterior da falência.

 
O secretário de Transportes, José Walter Vazquez, afirmou que a licitação está amarrada em normas rígidas para as quais as concorrentes terão de comprovar capacidade técnica e pré-requisitos legais antes de se tornarem operadoras do novo sistema, que escolherá cinco das nove empresas inscritas e promoverá a substituição de, pelo menos, 3 mil ônibus. “Toda a documentação apresentada está sendo minuciosamente checada e só vão seguir adiante as empresas que obedecerem aos critérios da lei”, afirmou o secretário. O Correio tentou entrar em contato com a Viplan e com Wagner Canhedo, mas não houve retorno até o fechamento da edição.
 

No páreo
Viação Planalto Ltda. (Viplan)
Pertence ao grupo de Wagner Canhedo e está em processo de recuperação judicial

Santos & Pradela Negócios e Transportes Ltda.
Aberta em 10 de fevereiro de 2010, a empresa funciona no mesmo endereço da Transportadora Wadel, do grupo de Canhedo. Está em nome de Amarildo Luciano dos Santos e Camila Ignez Pradela de Oliveira, que tem o mesmo sobrenome de uma das sócias da Planalto Rio Preto Transportes Coletivo Ltda. Ambas firmas são atestadas por Canhedo em processos que tramitam na Secretaria de Transportes como sublocadoras da Viplan
 

Planalto Rio Preto Transporte Coletivo Ltda.
Funciona no mesmo endereço da Transportadora Wadel. Está em nome de Nelcides Alves de Oliveira e Aparecida Ignez Pradela de Oliveira, que tem o mesmo sobrenome de uma das sócias da Santos & Pradela Negócios e Transportes Ltda. Ambas firmas são atestadas por Canhedo em processos que tramitam na Secretaria de Transportes como sublocadoras da Viplan. Na ocasião do contrato emergencial lançado pelo governo em março para operação de linhas de Planaltina, a Rio Preto foi desclassificada pois apresentou proposta para operar 80 ônibus em nome da Viplan, de Canhedo
 

Viação Cidade Brasília Ltda.
Pertence ao atual Sistema de Transporte Coletivo do DF. Dono: Grupo Amaral
 

Viação Pioneira Ltda.
Pertence ao atual Sistema de Transporte Coletivo do DF. De propriedade do Grupo Nenê Constantino. Responde ao Processo de Falência nº 20112.01.1.029517-3
 

Consórcio Brasília Empresa
Empresa líder é a Rota do Sol Transportes e Turismo Ltda. Pertence ao atual Sistema de Transporte Coletivo do DF, da qual também faz parte a Expresso Riacho Grande.
 

Consórcio Distrito Federal e Transportes Urbanos
A empresa que lidera é a Transkuba Transportes Gerais Ltda. A companhia é de São Paulo.

 
Expresso São José Ltda.
Pertence ao atual Sistema de Transporte Coletivo do DF
 

Empresa de Transporte Vera Cruz Ltda.
Opera no transporte público urbano de Araxá, em Minas Gerais
 
 
Fonte: Correio Braziliense / Lilian Tahan – 19/09/2012

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