A outra batalha de Roriz até as eleições

Com insuficiência renal, ex-governador está na fila de transplante de rim no sistema de saúde do Distrito Federal. Ele aguarda doador compatível para receber um órgão e dispensar as diálises diárias, enquanto articula candidatura ao Palácio do Buriti

 
Potencial candidato ao GDF, bem colocado em pesquisas, Roriz acredita que só será operado a partir de 2015

Um dos pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas de opinião realizadas no Distrito Federal, Joaquim Roriz enfrenta outra dura batalha além da corrida eleitoral. O ex-governador sofre de falência renal e está na fila de espera por um transplante de rim. O nome de Roriz faz parte da lista dos pacientes do Sistema Único de Saúde do DF que aguardam a cirurgia na capital federal. Apesar da saúde delicada, o cacique do PRTB não abre mão de participar das articulações políticas da oposição e promove com frequência reuniões em sua casa, no Park Way. A meta dos parentes e amigos agora é afastar rumores sobre o agravamento da saúde do ex-governador. O receio dos familiares é que os boatos sejam usados como munição eleitoral.

Aos 77 anos, Joaquim Roriz mantém uma vida reclusa desde as últimas eleições, quando teve de sair do páreo e colocar a mulher, Weslian, em seu lugar. A ex-primeira-dama ainda conseguiu levar a disputa para o segundo turno, mas acabou derrotada por Agnelo Queiroz. Diabético, Roriz se submete a sessões diárias de hemodiálise para filtrar o sangue, diante da deficiência dos rins. Além dos problemas de saúde, ele e dona Weslian têm um perfil mais caseiro e raramente o casal participa de eventos sociais. A última aparição pública do ex-governador ocorreu há quase um ano, durante uma missa em homenagem ao aniversário da filha Liliane Roriz.

 Joaquim Roriz está na fila de espera por um rim desde meados do ano passado. A inscrição ocorreu primeiro no Hospital do Rim, em São Paulo. Os médicos e a família do ex-governador optaram por aguardar pela cirurgia depois que Roriz se submeteu com sucesso a uma operação de ponte de safena, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Pouco depois, o nome saiu da lista do hospital paulista e passou para a relação dos doentes renais de Brasília. Como o rim retirado de um doador recém-falecido tem que ser transplantado com rapidez para o receptor, o ideal é que a cirurgia seja realizada na cidade de domicílio do paciente.

Doador

Nenhum familiar é compatível com Roriz e, portanto, a operação só poderá ser feita com o órgão de um doador cadáver. A deputada Liliane Roriz, também filiada ao PRTB, diz que o estado de saúde do pai é bom e que não houve novidades no quadro. Ela ficou irritada com boatos que circularam pela cidade na noite do último domingo dando conta de que o ex-governador estaria internado para fazer um transplante. “Meu pai está ótimo. Ele não saiu do jogo. Já conversamos com os médicos e não há pressa para fazer o transplante. A cirurgia não será feita este ano”, garante a distrital, apontada como herdeira política do ex-governador. O nome de Liliane foi articulado por Roriz para que a deputada fosse a vice na chapa de José Roberto Arruda (PR). Mas a deputada não descarta disputar o governo ela própria ou até mesmo a reeleição à Câmara Legislativa.

Mesmo com os problemas de saúde, Joaquim Roriz articula a oposição para as eleições. No início do ano, ele foi até Goiânia, ao lado do ex-governador José Roberto Arruda, para uma reunião política com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). A partir desse encontro, foi consolidada a parceria dos dois caciques do DF para a oposição a Agnelo Queiroz.

Roriz está filiado ao PRTB desde outubro, depois de meses de mistério sobre o destino político do ex-governador. Ele chegou a negociar a ida para o DEM, mas o nome foi recusado pelo diretório nacional do partido. O ex-governador optou então pelo partido comandado pelo empresário e ex-senador Luiz Estevão.

Fonte: Correio Braziliense