À queima-Roupa: Renato Rainha presidente do Tribunal de Contas do DF

Nem sei quando vou me aposentar

Esta crise financeira do GDF é real? Dá para perceber na análise das contas?

É uma crise real. Mas só teremos a dimensão dela quando analisarmos as contas do governo (de 2014). Os atos estão sendo consolidados e o relator, conselheiro Paulo Tadeu, vai marcar a pauta no início de agosto. A partir desse julgamento teremos condições de saber o tamanho do que está sendo chamado de crise.

Nas contas de 2013, o seu voto foi pela reprodução. Muitos problemas avaliados naquela época se repetem. Acha que existe chance de as contas de 2014 não serem aprovadas pelo TCDF?

Isso não sei informar, porque dificilmente votarei as contas… Como presidente, vou me posicionar apenas em caso de empate. Em 2013, votei contra porque havia irregularidades graves e o governo, naquela oportunidade, gastou R$ 1,3 bilhão a mais do que arrecadou. Ao que parece, pelos dados que recebemos, é de que os gastos maiores do que a arrecadação no ano passado foram ainda maiores do que em 2013. Então, a situação se agrava do ponto de vista da ilegalidade. Mas o plenário será soberano.

Como especialista em gestão, qual conselho pode dar ao governo no sentido de atender 

às demandas do setor produtivo, que tem reclamado da crise financeira?

Entendo que o governo tem que ter um diálogo constante com todos os setores da sociedade, com o setor produtivo, servidores, entidades organizadas da sociedade, como Rotary, Lions, Maçonaria, sindicatos, associações. Acho isso fundamental até para que o governo possa mostrar as dificuldades e debater as prioridades. Já que os governos não têm recursos para fazer tudo de que a sociedade precisa, a prioridade é alcançada no diálogo com a sociedade.

Além de suspeita de má gestão no governo passado, há indícios também de corrupção?

Estamos investigando vários indícios em processos de sobrepreço e superfaturamento de recursos. Há indícios de que houve um sobrepreço no Estádio Nacional e as pessoas estão sendo ouvidas. Não estou dizendo que houve sobrepreço. Mas há suspeita.

Alguns políticos e representantes de entidades começam a apontar seu nome como candidato em 2018. O senhor já pensou sobre isso?

Não vou mentir. Eu tenho sido procurado por sindicatos, entidades da sociedade. Mas tenho dito o seguinte: ‘nem sei quando vou me aposentar. Nunca pedi a contagem do meu tempo’. Sou candidato a fazer um bom mandato no Tribunal de Contas nesses dois anos que vou passar na presidência. Eu torço muito e vou fazer o possível, o que estiver ao meu alcance como conselheiro, para que o atual governo dê certo e que Brasília tenha resgatada a sua qualidade de vida. O futuro ainda está muito distante. Pensar alguma coisa em termos de sucessão no governo é um desserviço para esta cidade.

O senhor foi um deputado muito bem votado, foi reeleito e já naquela época era cotado para a disputa ao governo. Pensa que no futuro, mesmo que não seja na próxima eleição, em 2018, possa retornar à política?

Penso em ser útil para a sociedade do Distrito Federal e me sinto muito útil no Tribunal de Contas. Não quero esperar 70 anos ou 75 anos para deixar o Tribunal de Contas. Quando eu tiver tempo de aposentadoria, vou pensar em deixar o tribunal ou não. Vai depender de eu estar me sentindo útil para a sociedade ou não. Se tiver outro local, seja no âmbito político ou no administrativo, eu posso pensar. Mas não agora. 

Fonte: Por Ana Maria Campos, Correio Braziliense – 05/07/2015 – – 22:48:54

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