Administrações independentes

E se o administrador eleito for inimigo do governador ?

Como se diz na Bahia, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) está metendo o dedo numa ferida feia, ao discutir a eleição de administradores regionais para o Distrito Federal.

A Constituição de 1988 estabeleceu que o DF é indivisível. Isto é, não pode ter municípios.

A Lei Orgânica aprovada pela Câmara Legislativa consolidou a figura das Regiões Administrativas, que hoje são 31. Algumas são justificáveis, como Brasília, Taguatinga, Ceilândia, Gama, Sobradinho, Planaltina, Brazlândia, Guará e mais outras.

A mais nova, Fercal, não tem nenhuma estrutura. Outras se confundem, como Riacho Fundo I e II, ou mesmo Taguatinga com Águas Claras.

É um assunto muito complicado, que nenhum governador se dispôs a discutir, nem mesmo tentou contratar uma consultoria de alto nível para analisar mais profundamente. …

A realidade de hoje é péssima. Os governadores passaram a dar a deputados o “direito” de nomear administradores regionais nas suas bases de influência. Isso é uma barbaridade. Os políticos indicam pessoas geralmente sem expressão, “paus-mandados”.

São quase sempre administradores sem prestígio, nem grande valor na sociedade, que nunca poderão tentar concorrer com o político patrono da sua escolha em futuras eleições. Gente sem voto nem na própria família.

A inexpressividade dos administradores faz com que não tenham autoridade. São tratados como porteiros de edifícios (nem mesmo como síndicos) por secretários de estado, dirigentes de estatais e pelos demais deputados eleitos.

As cidades vivem sem autonomia, sem orçamento próprio, sem espaço na mídia – sem nada. Sem capacidade de protesto, a não ser quando alguns arruaceiros queimam pneus nas pistas principais.

Já escrevi aqui muitas vezes que a Ceilândia é a única cidade do mundo com 600 mil habitantes que não tem um cemitério, um cinema, um shopping, um hospital que preste – nada.

A Ceilândia não elege nunca nenhum deputado federal, nem distrital. Poderia eleger até um senador e ser decisiva na eleição do governador. Mas politicamente é uma cidade atrofiada, sem lideranças visíveis. A consciência política não foi nem será desenvolvida tão cedo.

O modelo está errado. Rollemberg acerta quando lança uma Proposta de Emenda Constitucional para mudar as coisas, mas está carente de análise mais profunda, não tem pesquisas suficientes para abordar a questão e, no seu projeto, não consegue oferecer solução para os principais dilemas.

Digamos a Ceilândia. Se hoje está péssima, ficará ainda pior caso eleja um administrador regional inimigo do governador de plantão. Por outro lado, imagine um administrador eleito no Paranoá sem uma câmara para fiscalizá-lo e sem um orçamento próprio. O que fará?

É preciso que todas as forças políticas do DF, de forma democrática e humilde, se debrucem sobre este assunto em busca da melhor solução. Como está, não dá. Mas anotem: nada acontecerá tão cedo. O povo que se exploda.

Fonte: Por Riella – 02/06/2013
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