Alimentação escolar vem recheada de novidades no ano letivo

Com investimento da ordem de 54 milhões, o programa de Alimentação Escolar, executado pela SEDF, terá cardápios diferenciados, para agregar mais qualidade à alimentação

A secretaria de Educação do Distrito Federal abre o ano letivo de 2013 com novidades no programa de Alimentação Escolar. Medidas vão da mudança no cardápio escolar, aumento da oferta de alimentos, formação continuada de profissionais à aquisição de pratos, talheres e outros itens para as cantinas.

“A boa alimentação representa um aspecto importante para o processo de aprendizagem” diz o secretário de Educação, Denilson Bento da Costa. Segundo ele, a despeito do compromisso da Secretaria com a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), no âmbito do Distrito Federal, a SEDF tem buscado agregar qualidade ao cardápio, assim como a todo o processo que envolve essa vertente do universo escolar.

Para o ano letivo de 2013 a SEDF contará com o repasse do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) de R$ 33 milhões. Outros R$ 21 milhões representam a contrapartida da Secretaria. Entretanto, de acordo com a coordenadora de Alimentação Escolar, Eliene Ferreira de Sousa, a SEDF está trabalhando com um planejamento da ordem de R$ 80 milhões. “Os recursos do PNAE, provenientes da Lei Orçamentária Anual (LOA), deverão aumentar, em função dos números apresentados pelo senso do INEP”, explica a coordenadora. Segundo ela, a SEDF já tem processo licitatório concluído para novos contratos de fornecimento de gêneros alimentícios. “Serão R$ 40 milhões destinados à compra de carnes, pães integrais, frutas e hortaliças. Outros R$ 40 milhões serão destinados à compra de produtos não perecíveis”, disse. A aquisição de utensílios como pratos e talheres também está na agenda do setor.

Uma Chamada Pública também será lançada em breve, para contratação de fornecimento de gêneros oriundos da agricultura familiar. De acordo com a coordenação de Alimentação Escolar, o edital está em fase de elaboração. Ainda segundo a coordenação, como a formulação do cardápio se dá de forma descentralizada, as nutricionistas das Regionais de Ensino levam em conta a vocação produtiva e cultura locais. Assim, além de propiciar a inclusão de alimentos saudáveis no cardápio dos estudantes, a medida tem um caráter social importante, tendo em vista o desenvolvimento local.

Alimentação saudável

A mudança na qualidade nutricional e de sabor dos gêneros alimentícios a serem oferecidos será um ponto alto do cardápio dos estudantes. “Biscoitos e cereais com açucares dão lugar aos alimentos integrais, aveia, frutas e outros itens com mais valor nutricional e de sabor”, adianta Eliene Sousa.

Em média a SEDF oferece 500 mil refeições ao dia. Em 2012 foram cinco mil toneladas de alimentos. Para 2013, esse número poderá chegar a sete mil toneladas.

A refeição complementar também será oferecida, e ampliada, em 2013. Esta oferta está voltada aos alunos que estudam meio período, em escolas situadas nas regiões de vulnerabilidade social. A intenção da SEDF é oferecer determinados alimentos, como frutas e hortaliças, que não estão no cardápio das famílias desses estudantes no dia a dia. De acordo com a coordenação de Alimentação Escolar, diretores de escolas que já recebem a segunda refeição destacaram o ganho pedagógico das crianças com esta medida. Ainda segundo a coordenação, em 2012 todas as escolas rurais receberam o benefício, que também foi ampliado para dez escolas de áreas urbanas. Em 2013, um total de 100 escolas de regiões urbanas receberá a segunda refeição.

Também em 2013, as 23 escolas do Projeto Piloto de Educação Integral, que contarão em torno de sete mil alunos, receberão de quatro a cinco refeições por dia. “Estas escolas são consideradas Piloto em função do regime de funcionamento – educação integral para a totalidade dos estudantes, que terão dez horas de atendimento ao dia, durante cinco dias da semana. Entre estas escolas estão incluídos alguns Centros de Educação Infantil, que recebem cinco refeições”, explica o coordenador de Educação Integral Jeovany Machado dos Anjos. Ainda segundo ele, as demais escolas que têm regime de Educação Integral, mas não integram a categoria Projeto Piloto, receberão de três a quatro refeições/dia. Para estas últimas, em número de 272 escolas, nas diferentes Regionais de Ensino, a expectativa é de que se tenha cerca de 35 mil alunos, após o preenchimento das vagas remanescentes.

Os números denotam a complexidade do planejamento da alimentação escolar. Isto porque são cardápios diferenciados, para atender às diferentes faixas etárias – da creche ao ensino médio e Educação de Jovens e Adultos. Para dar conta de tamanho desafio, a coordenação de Alimentação Escolar conta com uma equipe de 35 nutricionistas. Elaboração de cardápios, supervisão e controle da qualidade de armazenagem, manuseio e boas práticas nas cantinas escolares, assessoria aos diretores e qualificação dos servidores que manuseiam alimentos estão entre as atribuições da equipe.

Desafios

A arquitetura do planejamento da alimentação escolar também demanda visão de cenário. Assim, um Grupo de Trabalho, formado por nutricionistas da SEDF, tem o prazo de três meses para apresentar o resultado de discussões acerca do Programa de Alimentação. A ideia é que sejam apresentadas propostas para o curto, médio e longo prazos.

Alguns temas prioritários estão em debate no GT. São eles: Cardápio (incluindo procedimentos como fichas de preparação de alimentos, entre outros aspectos); Monitoramento, com vistas à adoção de mecanismos de controle de gêneros alimentícios; Educação Nutricional, que trata das oficinas pedagógicas sobre alimentação saudável, a ser realizada com os coordenadores regionais; Controle de Qualidade, com abordagem de boas práticas, controle da qualidade sanitária, instrumentos de supervisão e armazenagem; Estudos e formação, para garantir a qualificação técnica dos profissionais que manipulam alimentos ou estão envolvidos no tema alimentação escolar.

Formação

Quando iniciar o ano letivo, as merendeiras já terão concluído a etapa de formação exigida pela SEDF. 1.350 merendeiras terceirizadas concluíram o curso técnico e outras 400 ainda participarão das oficinas. Entre os temas abordados estão, noções sobre o PNAE, Ética, segurança no trabalho, higiene dos alimentos e pessoal. Servidores da SEDF também foram formados como Técnicos em Alimentação Escolar, no contexto do Pro Funcionário (programa do MEC).

A educação alimentar e nutricional também será tema de reflexão no universo das escolas públicas do DF, graças a uma parceria entre as coordenações de Alimentação Escolar e de Educação Ambiental da SEDF e o FNDE. “A ideia é que em cada Regional de Ensino tenhamos uma escola polo, com um projeto de Horta Escolar”, explica Eliene Sousa. Segundo ela, a intenção é que se considere a horta como espaço educador, para viabilizar experiências interdisciplinares socioambientais, de forma a agregar a vertente da alimentação saudável no contexto escolar.

Para saber mais

Programa de Alimentação Escolar básica PNAE

O Apoio à Alimentação Escolar na Educação Básica – PNAE é um programa suplementar a educação, como diz a Constituição Federal que objetiva fornecer alimentação escolar para os alunos de toda a educação básica matriculados em escolas públicas e filantrópicas. Um dos seus pilares é a universalidade no atendimento e a ampliação do atendimento, em 2009, para o ensino médio e o EJA, reforçou este principio do Programa.

Fonte: Secretaria de Educação do Distrito Federal

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