Política

Centro Administrativo inacabado não tem condições de receber funcionários

Tribunal de Justiça do DF acata denúncia contra o ex-governador Agnelo Queiroz por improbidade pela inauguração do complexo

Manoela Alcântara , Breno Fortes

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O Centro Administrativo do DF lembra — e muito — a música de Vinícius de Moraes, A Casa, aquela feita com muito esmero, na rua dos bobos, número zero. A obra de R$ 600 milhões pode ser muito bonita, mas está inacabada e não tem condições de receber funcionários. A reportagem do Correio teve acesso aos prédios considerados prontos, inaugurados no último dia de gestão do ex-governador Agnelo Queiroz. Pelo ato, ele e o ex-administrador de Taguatinga, Anaximenes Vale, vão responder uma ação de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e acatada ontem pelo Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), que não deferiu o pedido de liminar para bloqueio dos bens. Agora, ambos serão notificados.

Na denúncia, os promotores entendem que houve um dano moral coletivo pela inauguração de um complexo caro em meio a uma crise generalizada. Como contrapartida à concessionária responsável por operar o empreendimento, o GDF deverá pagar R$ 3,2 milhões mensais pela primeira parte de conclusão da obra. “Não queremos pagar pelo que não estamos usando. O Centro Administrativo tem de estar pronto; o governo deixou de mobiliar, colocar TI, telefonia. Não fez nada disso. Ele não está habitável. O que nós queremos negociar é o pagamento das parcelas mensais enquanto ele não está pronto”, argumenta secretário da Casa Civil, Hélio Doyle.

De fato, o complexo está ina-cabado. A placa espelhada na entrada do bloco A, representando a conclusão de parte do empreendimento, não condiz com a real situação do complexo, localizado em Taguatinga e que deveria receber 15 mil funcionários. No primeiro andar da governadoria, existem andaimes por todos os lados, os fios estão expostos, os carpetes não estão instalados e falta gesso no teto. Nos blocos concluídos (do A ao L), não há móveis nem serviços de internet ou telefonia.

Os corredores estão vazios. Esbarra-se somente com alguns empregados do consórcio construtor, formado pela Odebrecht e pela Via Engenharia. Uma das responsáveis pela limpeza do bloco G, onde será instalada uma das secretarias do novo governo, levou um susto ao ouvir vozes. A impressão que se tem é de andar por 182 mil m² de uma cidade fantasma. Sem móveis, o barulho das britadeiras e dos caminhões ecoa entre as paredes finalizadas com mármore.

Fonte: Correio Braziliense – 16/01/2015 06:12 / atualizado em 16/01/2015 07:13

 

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