DF: A revoada dos pardais

40% de todos os equipamentos fixos administrados pelo Detran — pararam de funcionar em agosto

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Se você passa diariamente pelas vias do Eixinho Norte e Sul, no Plano Piloto, já deve ter percebido que os equipamentos instalados para controlar a velocidade dos carros estão desligados. …

Ao dormir no ponto, o Governo do Distrito Federal (GDF) não renovou em tempo hábil o contrato com a empresa Serget, que administra 326 faixas de fiscalização eletrônica em Brasília. Com isso, 206 pardais — 40% de todos os equipamentos fixos administrados pelo Detran — pararam de funcionar em agosto. Desde outubro, eles estão sendo recolhidos das ruas. Sem o moderador, tornou-se comum flagrar veículos a 120 quilômetros por hora em vias nas quais a velocidade máxima permitida é 60 quilômetros por hora. 

Não é a primeira vez que os automóveis escapam da fiscalização desses olhos eletrônicos na capital por desleixo do poder público. Em janeiro, outro contrato venceu e deixou 358 pardais inoperantes. No entanto, o GDF realizou um acordo emergencial e pôs todos para funcionar em menos de trinta dias. Na época, o órgão admitiu que havia perdido o prazo por puro esquecimento. Desta vez, os problemas são a burocracia e a falta de dinheiro. Em maio, foi realizada uma licitação pública para instalar 160 pardais novos. A mesma empresa, Serget Comércio, Construções e Serviços de Trânsito Ltda., venceu a concorrência, no valor de 14,7 milhões de reais. Pelo cronograma, os equipamentos já deveriam estar funcionando, mas o governo não selou o contrato em razão da atual carência de verbas. 

Desde que o governador Agnelo Queiroz (PT) baixou o Decreto nº 35943, em 24 de outubro, com o intuito de frear gastos do GDF, nenhum novo contrato foi assinado. Assim, a expectativa é que essa batata quente vá parar no colo do governador eleito, Rodrigo Rollemberg (PSB), em 2015. “O maior problema é que os condutores aproveitam para abusar da velocidade quando há essa lacuna”, diz o diretor operacional da Serget, Moisés Moraes. 

Apesar de restarem somente cinquenta dias para a atual administração deixar o Palácio do Buriti, o diretor do Detran, Rômulo de Castro Félix, garantiu que instalará os novos equipamentos ainda em sua gestão. No entanto, até a quinta 13, não estava marcada uma data de reunião entre a Serget e o governo. Só no ano passado, os pardais do Distrito Federal aplicaram mais de 3 milhões de multas, que renderam aos cofres públicos 60 milhões de reais. Pior do que a queda nesse setor de arrecadação — em época de déficit estatal bilionário —, só mesmo a possibilidade de ver o número de acidentes de trânsito aumentar neste fim de ano.

Fonte: Revista Veja Brasília – Por ULLISSES CAMBELL. Foto: Internet – 15/11/2014 – – 23:01:47
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