DF: Lula esquenta campanha petista

Ex-presidente participa de comício em Ceilândia no maior ato, no Distrito Federal, pela reeleição do governador Agnelo Queiroz e de Dilma Rousseff. Ele cobrou mais empenho da militância brasiliense.

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Lula segura o menino Vítor Gabriel no palanque enquanto Agnelo discursa ao lado do vice-governador, Tadeu Filippelli: atuação do ex-presidente em Ceilândia deixou aliados otimistas

Maior cabo eleitoral do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi à Praça da Bíblia, em Ceilândia, para mobilizar a militância, a fim de conquistar votos que ajudem a reeleger o governador Agnelo Queiroz (PT). Em comício com aproximadamente 10 mil pessoas — segundo estimativa da Polícia Militar —, Lula convocou os apoiadores a irem às ruas nestes últimos dias de campanha. “Não estou aqui para pedir votos para Agnelo e Dilma. Afinal, toda essa gente aqui tem de votar neles e pedir votos também”, disse. O ex-presidente da República criticou adversários e destacou realizações dos governos petistas. …

Aliados de Agnelo estimam que o público chegou ao dobro dos cálculos da PM. A aparição de Lula em Ceilândia atraiu gente de longe. As vias de acesso à cidade mais populosa do Distrito Federal estiveram mais cheias do que o normal para o fim do dia. Quando foi anunciada a fala do ex-presidente, a multidão ecoou hinos de campanhas passadas, gritou o nome de Lula e o aplaudiu exaustivamente. “Não poderia me conformar que Brasília não vá reeleger esse moço, que tanto fez pela cidade, e não vá ajudar a manter Dilma na Presidência. Não tem explicação”, destacou, com a voz mais rouca do que o normal. 

Um dos poucos no palanque vestido de vermelho, cor do partido que o levou ao Palácio do Planalto, Lula garantiu ter orgulho do PT. “O dia em que eu tiver vergonha de usar a camisa vermelha e a estrela no peito, não há razão para eu fazer política. Vocês também não devem ter vergonha. Levantem a cabeça e vão para as ruas”, discursou. Os candidatos majoritários e proporcionais da coligação estão otimistas e esperam que a vinda do ex-presidente ao DF dê novo impulso à campanha. Morador de Ceilândia, o deputado distrital Chico Vigilante mostrou-se animado. “Agora, a militância vai mesmo pra rua. O Lula colocou fogo no pessoal”, comentou. “Esse era o gás que precisávamos para chegar ao segundo turno”, reforçou o presidente regional do PT, o deputado federal Roberto Policarpo.

O ato foi organizado para representar o “momento da virada”, conforme a fala do próprio Agnelo no comício. Quando pediu votos para si e para o candidato ao Senado da coligação, Geraldo Magela (PT), o governador aproveitou para alfinetar adversários. Disse que o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), também candidato ao governo, entrou no serviço público sem concurso e tem uma atuação apagada no Congresso. Também disparou contra Reguffe (PDT), candidato ao Senado: “Não é possível que a população vá eleger, novamente, um senador que nada faz por Brasília”. Agnelo acrescentou que tem sido atacado desde o primeiro dia do governo, mas que a militância está calejada. O petista criticou os institutos e as pesquisas de intenções de voto. “Nenhuma manipulação vai mudar ou diminuir a força e a garra da militância”, afirmou.

Sem Dilma 

Com presença confirmada até a tarde de ontem, a presidente Dilma Rousseff cancelou a participação a menos de duas horas do evento. A justificativa oficial foi a de que ela estava sem voz após viagem internacional e participação em um comício pela manhã. Mesmo assim, ela foi citada inúmeras vezes por todos os políticos que discursaram. Lula reafirmou total apoio à candidata à reeleição. “Falaram que Marina (Silva, candidata do PSB ao Palácio do Planalto) chorou e disse que me amava. Também amo a Marina. Mas política não é caso de amor, senão, chamaria a Marisa (mulher do ex-presidente) para ser candidata. Escolhi Dilma pela capacidade e competência. Não foi por amizade”, argumentou. Lula criticou ainda o choque de gestão proposto pelo candidato a vice de Marina Silva, deputado federal Beto Albuquerque (PSB): “Ninguém gosta de choque. Isso significa arrocho salarial, redução de benefícios dos trabalhadores e mandar funcionário público embora”.

Durante quase uma hora, o ex-presidente falou sobre política internacional, combate à fome e ascensão de famílias à classe média. “Hoje, o pobre não chega ao açougue para comprar músculo. Ele já sabe o que é filé, costela e picanha”, disse Lula. Ele falou ainda sobre avanços na educação e na saúde pública. O médico Cícero Batista, ex-morador da Cidade Estrutural, formado com auxílio do ProUni, subiu ao palco e discursou sobre os benefícios do programa. Crianças e adultos subiram ao palco para tirar fotos com o ex-presidente, inclusive Vítor Gabriel de Lima Mariano, criança deficiente moradora de Ceilândia.

10 mil

Número de participantes no comício em Ceilândia, segundo a Polícia Militar.

Servidores alugam transporte

Apoiadores do PT providenciaram vans para irem ao evento em Ceilândia

Um grupo de aproximadamente 20 pessoas — na maioria, servidores do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome — se cotizou para alugar pelo menos duas vans na Esplanada dos Ministérios com destino ao comício do governador Agnelo Queiroz (PT) em Ceilândia. 

Munidos de bandeiras e adesivos, os eleitores se encontraram em frente ao próprio ministério, onde cada um dos integrantes do grupo desembolsou R$ 25 para bancar os custos do traslado. Esse valor foi entregue a uma mulher com a lista de nomes dos cotistas. Outra servidora, de nome Márcia, também ajudou a coordenar a ação.

Em outros ministérios, também havia comitivas preparadas no mesmo esquema: com material de campanha, dinheiro na mão e disposição para agregar mais pessoas. Pelo menos quatro vans seguiram caminho pelo Eixo Monumental por volta das 18h30.

Equipe de segurança da Presidência da República utilizou seis veículos

Presidência

Em Ceilândia, o comício contou com esquema de segurança próprio dos eventos organizados pela Presidência da República. O aparato foi desmontado somente após a confirmação do cancelamento da participação da presidente Dilma Rousseff no evento. Foram mobilizados três ônibus e três carros de passeio. A área da festa foi dividida em espaços para a imprensa, militantes e convidados VIPs. Os organizadores usaram detectores de metais e distribuíram bottons de identificação para os diferentes públicos.

Fonte: Por ALMIRO MARCOS, KELLY ALMEIDA e GRASIELLE CASTRO – 26/09/2014 – – 08:01:45
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