Ana Maria Campos, do Blog CB.Poder do Correio Braziliense – 17/10/2016

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou nesta manhã (17/10) a terceira etapa da Operação Drácon, que apura esquema de cobrança de propina para aprovação de uma emenda parlamentar destinada a pagamento de empresa na área de saúde. Dois meses depois que o escândalo veio à tona, a Drácon 3 cumpre mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva em endereços dos servidores Sandro Vieira e Alexandre Braga Cerqueira.

Esta nova fase está relacionada à suspeita de que os servidores, ligados a membros da Mesa Diretora da Câmara afastados por decisão judicial, teriam ocultado provas importantes antes da deflagração da primeira etapa da Drácon. O objetivo seria obstruir as investigações.

Os dois funcionários foram flagradas pelo sistema de câmeras de segurança da Câmara retirando caixas de documentos e equipamentos no mesmo andar onde funcionam os gabinetes da Mesa Diretora.

Alexandre foi flagrado pelas câmeras num sábado, dia 20 de agosto, às 10h30, e Sandro no dia 22 de agosto, véspera da operação, por volta das 6h da manhã. A Operação Drácon foi realizada em 23 de agosto.

As medidas de hoje foram autorizadas pelo desembargador José Divino, relator do caso no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Os mandados são para cumprimento na casa do Sandro, em Àguas Claras, e na lotérica de Alexandre, no Condomínio San Diego, no Jardim Botânico.

Até a Drácon 1, Sandro Vieira era assessor da presidente da Câmara, Celina Leão (PPS). Alexandre Cerqueira era secretário-executivo da 3ª Secretaria, que tinha como titular o deputado Bispo Renato (PR).

Os deputados Celina Leão, Bispo Renato, Raimundo Ribeiro (PPS) e Júlio César (PRB) foram afastados da Mesa Diretora por decisão do vice-presidente do Tribunal de Justiça do DF, desembargador Humberto Ulhôa. O deputado Cristiano Araújo (PSD) também é investigado. Além deles, estão sob investigação o ex-presidente do Fundo de Saúde Ricardo Cardoso e Alexandre Cerqueira.

O caso que ficou conhecido como UTIGate teve origem em denúncia feita pela deputada Liliane Roriz (PTB), então vice-presidente da Câmara Legislativa. Ela gravou uma conversa com Celina Leão e outra com o ex-secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, Valério Neves Campos. Os diálogos supostamente indicam uma negociação para pagamento de dívidas do GDF com uma empresa de UTI.

Liliane entregou as gravações ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Por envolver deputados distritais, que têm foro especial, as investigações são conduzidas pela Procuradoria-geral de Justiça do DF. Todas as diligências são autorizadas pelo Tribunal de Justiça do DF.

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