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O presidente da Andrade Gutierrez, preso na sexta-feira, afirma que lobista pediu dinheiro para o partido


Fernando Baiano foi preso em 19 de novembro de 2014 e, desde então, está detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba: PMDB nega relação com o lobista

O presidente da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, preso na sexta-feira passada, durante a 14ª fase da Operação Lava-Jato, afirmou, em depoimento prestado à Polícia Federal, que o lobista Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, um dos operadores do esquema criminoso descoberto na Petrobras, pediu dinheiro para a campanha do PMDB. Desde que Baiano foi preso, em novembro passado, a sigla nega qualquer ligação com o lobista e voltou a rechaçar as acusações. Ele responde a processo por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava-Jato.

A CPI da Petrobras, controlada nos bastidores pelo PMDB, sofreu críticas, principalmente de petistas, por ter protelado a votação do requerimento para convocação de Fernando Baiano. Depois de muita pressão, o lobista foi ouvido, com outros presos, em Curitiba. O presidente do colegiado, Hugo Motta (PMDB-PB), afirma que as pessoas que estão presas não vão ser ouvidas em Brasília. O operador do PMDB no esquema ficou calado durante o depoimento. “Vou recorrer ao direito de permanecer em silêncio atendendo às orientações dos meus advogados de defesa”, afirmou na oitiva de 11 de maio, cujo teor foi disponibilizado ontem.
Baiano é um dos principais alvos de investigação relativa ao suposto recebimento de propinas por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), referente a contratos de aluguel de sondas de perfuração em águas profundas.

No termo de declaração do empreiteiro, o dono da Andrade Gutierrez conta que o lobista o abordou para falar das doações eleitorais. “Em uma oportunidade, solicitou doação oficial de campanha, possivelmente para o PMDB, o que foi prontamente rechaçado, porque já existia um critério de doação para o diretório nacional sem a existência de intermediário”, diz o documento. No mesmo depoimento, prestado em 19 de maio, Azevedo afirma que conheceu Fernando Baiano “em 2009 ou em 2010”. O empreiteiro afirmou que o lobista esteve quatro vezes no escritório dele para propor parcerias em obras de infraestrutura.

Azevedo revelou ainda que o único político do Partido Progressista (PP) — uma das siglas beneficiadas pelo esquema de corrupção — com quem esteve foi o “então senador pelo Rio de Janeiro Francisco Dornelles. Em relação aos políticos do PMDB, ele citou que “conheceu e teve relação institucional” com o vice-presidente da República, Michel Temer; com o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha; com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha; com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; e com o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Também citou o peemedebista Aloisio Vasconcelos. Sérgio Cabral e Eduardo Cunha são alvos de inquéritos da Lava-Jato.

Lancha
Otávio Azevedo confirmou, no depoimento, que vendeu uma lancha a Baiano em 2012, por R$ 1,5 milhão. “Fernando Baiano, por ser proprietário de lancha e imóvel em Angra dos Reis (RJ), soube da venda e entrou em contato com o declarante, a fim de adquirir a embarcação”, diz o documento judicial. De acordo com o empreiteiro, o pagamento, incluindo cheques e transferências eletrônicas, foi feito por meio de uma empresa do lobista.

O empresário negou que tivesse conhecimento de uma tabela escrita pelo ex-assessor parlamentar João Cláudio Genu, condenado no processo do mensalão, na qual estariam relacionadas empresas, executivos e resultados de contatos visando à captação de recursos para “a suposta campanha de Lindbergh Farias (PT-RJ)”. Ele declarou ainda que acredita que a sua empreiteira foi envolvida “no esquema denominado petrolão pelo simples fato de fazer parte e atuar no mesmo setor das demais grandes empresas citadas”.

Nos próximos dias, o empreiteiro vai ser ouvido novamente pela Polícia Federal. Como ele está preso preventivamente, a oitiva ainda não foi marcada. Ontem, os policiais ouviram quatro presos provisórios, dois executivos da Andrade Gutierrez e dois ligados à construtora Odebretch. Um deles foi Flávio Lúcio Magalhães. De acordo com o advogado Guilherme San Juan Araújo, o cliente esclareceu que jamais foi diretor da Andrade Gutierrez ou pertenceu ao quadro de funcionários da empresa. “A informação de que era diretor Institucional é um equívoco e já foi esclarecida às autoridades”, alegou o defensor. Até o fechamento desta edição, a Polícia Federal ainda ouvia o executivo da Odebretch Alexandrino Ramos de Alencar.

Fonte: Correio Braziliense – 24/06/2015 06:02 / atualizado em 23/06/2015 09:44

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