Escola do DF que ficou 3 semanas sem energia retoma as aulas

Colocação de forros de duas salas deve ser concluída nesta segunda.
Curto-circuito em 25 de fevereiro na escola classe 6 deixou prédio sem luz.

gamaAlunos da escola classe 6 do Gama, no Distrito Federal, voltaram às aulas nesta segunda-feira (25) depois de a instituição ficar três semanas sem energia elétrica. Segundo a diretora, Cássia Nunes, toda a fiação elétrica do colégio foi trocada. “É ótimo saber que as tomadas voltaram a funcionar, que os alunos não precisam mais ter aulas no escuro”, afirma.

Para finalizar a reforma elétrica na escola, falta a troca dos forros de duas salas, o que deve acontecer ainda nesta segunda. Enquanto isso, os estudantes têm aulas na biblioteca e em outra sala do colégio sem prejuízo para a aprendizagem, de acordo com Cássia. Na terça-feira (26), a rotina das crianças deve voltar ao normal.

A escola classe 6 do Gama funcionava sem luz desde o dia 25 de fevereiro. Um curto-circuito no laboratório de informática afetou a rede elétrica de todo o prédio. Apesar disso, os alunos continuaram a assistir às aulas no escuro até o dia 15 de março. A escola atende 308 estudantes do 1º ao 5º anos do ensino fundamental.

Na segunda-feira (18), a direção da escola suspendeu as aulas, após recomendação da Defesa Civil, que vistoriou o colégio na quinta (14), a pedido da diretora. O órgão verificou a presença de fios elétricos expostos, que colocavam em risco a vida dos alunos, de 6 a 12 anos.

Questionada pelo G1, a Secretaria de Educação do DF não soube informar quando a escola
classe foi reformada pela última vez e o porquê da demora em arrumar o sistema elétrico. Ela informou que os dias letivos suspensos serão repostos.

Desde quarta-feira (13) os alunos vinham sendo liberados uma hora mais cedo devido à falta de condições para as aulas. Alunos ouvidos pelo G1 disseram que não conseguiam enxergar o quadro-negro e tinham de forçar a vista para conseguir ler. Muitos disseram sentir dores de cabeça e nos olhos.

“Não dá para ler direito. Fica pior ainda quando chove, como nesses dias. Tem que fechar a janela para não molhar a gente na sala, mas aí não dá para ver nada. Fica tudo escuro”, disse um aluno.

Operários começaram a arrumar a rede elétrica, mas, para isso, o forro do teto teve de ser retirado, o que causou poeira e irritação em alunos com rinite alérgica. Com os reparos, fios elétricos expostos foram deixados na cozinha da escola e em diversas salas.

Entre as estruturas do prédio, escondidos pela forração, havia ninhos de pássaros. Havia também goteiras na biblioteca e, quando chovia, a água escorria pelas lâmpadas no teto.

A cozinha teve de ser desativada e alimentos perecíveis, como carne e frango para o lanche das crianças, estragaram. Até a semana passada, a comida era guardada num colégio próximo, mas eram os funcionários da escola classe 06 quem buscavam os alimentos com os próprios carros todos os dias. Na maior parte das últimas semanas, o lanche foi composto apenas por biscoito e suco.

De acordo com Cássia, o colégio foi fundado em 1965 e nunca passou por uma grande reforma. Desde o curto-circuito, ela entrou em contato com o Conselho Regional Escolar do Gama, que recomendou a continuidade das aulas. O conselho enviou nos dias seguintes ao acidente técnicos para trocar reatores e lâmpadas. Porém, a rede elétrica voltou a ter curto-circuito.

A Defesa Civil foi então chamada pelo conselho a pedido da diretora. Os agentes que estiveram no local afirmaram que toda a fiação elétrica e o forro do teto teriam de ser trocados. O antigo forro, segundo um dos agentes, era provavelmente da época da fundação da escola e oferecia perigo no caso de um incêndio.

Após visita do G1 à escola, um engenheiro da Secretaria de Educação esteve no local.

Falta de organização
 Para o doutor em políticas públicas da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni, falta uma boa gestão e um sistema de prevenção e de manutenção para as escolas.

“O Estado é responsável não só pela oferta da educação, mas por toda a cadeia que a envolve. Falta um canal de comunicação direto com os conselhos escolares, planejamento antes do ano letivo, além de tudo ser muito burocrático.”

Segundo Castioni, a alfabetização das crianças da escola classe 06 do Gama já está comprometida. “A infraestrutura da escola, bem como os professores e o material escolar, são ingredientes fundamentais para garantir o sucesso do rendimento dos alunos. Podemos dizer que depois do início do ano letivo, elas não tiveram aula. Os insucessos da educação no Brasil acontecem por causa disso”, afirma.

Fonte: G1 DF

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