EUA: Especialistas vão investigar acidente com avião que matou Eduardo Campos

Gravador de voz da aeronave não registrou nada no dia da queda.

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Técnicos americanos já estão no Brasil para ajudar nas investigações.

Uma equipe dos Estados Unidos vai participar da investigação da queda do jato executivo que matou o candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, quatro pessoas da equipe e dois pilotos, na quarta-feira, em Santos, litoral paulista. Os técnicos já estão no Brasil, segundo a Globo News. O grupo é formado por especialistas do National Transportation Safety Board (NTSB), a principal autoridade norte-americana de investigação de acidentes, e da Cessna Aircraft Company, o fabricante do avião. Foto:Michel Filho/14-08-2014 / Agência O Globo. …

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão investigador da Força Aérea Brasileira (FAB), comunicou nesta sexta-feira que o gravador de voz do avião acidentado não registrou o áudio da cabine do voo que transportava Eduardo Campos.

As causas técnicas da falha do gravador ainda não foram esclarecidas pela FAB. O conteúdo que ficou gravado se refere a uma conversa durante abastecimento no solo, com os motores desligados, em local e data não identificados.

O gravador tem capacidade para registrar duas horas seguidas de sons. O equipamento começa a gravar logo que o piloto dá partida no motor, de maneira autônoma. Segundo especialistas, uma luz se acende quando o gravador não está funcionando, alertando o comandante de que o problema deve ser solucionado.

Às vezes, na manutenção, os técnicos costumam desligar o gravador, justamente para impedir que ao ligarem as baterias, conversas anteriores sejam apagadas.

A Aeronáutica explicou que o funcionamento de uma caixa-preta varia de acordo com o modelo e o fabricante. Há casos em que a caixa de voz está atrelada ao sistema de anticolisão do avião e, assim, o piloto, antes de ligar a aeronave, precisa acionar esse sistema. Dependendo também do tipo de caixa, é possível desligá-la ou não durante o voo. Se o gravador de voz tem a capacidade de registrar apenas as duas últimas horas de um voo a cada período desses o trecho anterior é apagado e substituído pelas novas conversas.

ESPECIALISTAS ESTRANHAM AUSÊNCIA DE GRAVAÇÃO

O fato de a caixa do gravador de voz não ter registrado nada do último dia 13, quando ocorreu a tragédia, causou estranheza a alguns pilotos experientes. O professor de Ciências Aeronáuticas da PUC do Rio Grande do Sul Elones Fernando Ribeiro explicou que são raros os casos de gravadores pararem de funcionar.

Apesar de o CVR (Cockpit Voice Recorder) da aeronave PR-AFA não ser um item de segurança, o comandante da aeronave não pode fazer o voo quando o equipamento não funciona.

— Se o CVR estava com defeito, o avião não podia ter decolado. A aeronave voou sem estar em conformidade com o regulamento. A fita de gravação é contínua e registra as últimas conversas de dentro da cabine de voo por uma média de duas horas, justamente para auxiliar nas investigações em caso de acidente. Se o avião fosse de uma empresa aérea convencional não teria decolado — disse o especialista.

O diretor de segurança de voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Mateus Ghisleni, explicou que o equipamento começa a gravar logo que o piloto dá partida no motor, de maneira autônoma. Segundo ele, uma luz se acende quando o gravador não está funcionando, alertando o comandante de que o problema deve ser solucionado.

— Todas as conversas dos pilotos são gravadas normalmente. O comandante perceberia o problema. O não funcionamento do CVR não impede o voo. A falta da gravação também não prejudica os investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) a chegarem às razões do acidente. Há uma série de fatores, de acordo com a metodologia da investigação empregada pela equipe, que define as causas — explicou Ghisleni.

Fonte: O Globo, com Jornal da Globo – 16/08/2014 – – 11:37:23
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