Explosão da dengue em Brasília.

A dengue volta a assustar os moradores do Distrito Federal. O número de contaminações em quatro meses deste ano aumentou 687% em relação ao mesmo período de 2012. Segundo boletim divulgado pela Secretaria de Saúde, foram 3.369 casos no primeiro quadrimestre de 2013 contra 428, nos mesmos meses do ano passado. Além disso, 1.307 moradores de outras unidades da Federação foram diagnosticados com a doença no DF, de janeiro a abril deste ano. As confirmações representam o pior resultado desde 2010, quando a capital do país enfrentou uma epidemia da doença, com 7.564 diagnósticos, ou 2.593% a mais que em 2009.

Ainda de acordo com os dados divulgados ontem, a incidência de transmissão a cada 100 mil habitantes, até o fim de abril, em todo o DF, ficou em 328,63 casos, número considerado de alto risco pelo Ministério da Saúde (veja ilustração). Os dados colocaram as autoridades de saúde em alerta. Quatro pessoas morreram contaminadas pelo Aedes aegypti de janeiro a abril deste ano, duas delas de febre hemorrágica e uma de síndrome do choque da dengue, a versão mais grave da enfermidade. Em quatro meses de 2012, foi contabilizado um óbito pela doença.

Segundo a Secretaria de Saúde, ocorreram surtos da dengue no Lago Norte, em Brazlândia, em Sobradinho II e em vários pontos de Ceilândia. De acordo com Ailton Domício da Silva, assessor de Mobilização para Prevenção da Dengue do GDF, o excesso de chuvas e “a baixíssima participação da sociedade” nas ações de prevenção contribuíram para o crescimento do total de casos, que surpreendeu as autoridades. “Nós fechamos 2012 com uma redução de 57% em relação a 2011. A tendência seria de um ano bem diferente do que está acontecendo. Em janeiro, vimos indícios de surtos e atuamos para contê-los. Mas fomos surpreendidos com um aumento espetacular do número de casos”, afirmou.

Ailton Domício admitiu que, no período de chuvas, houve redução nas visitas domiciliares de funcionários da Secretaria de Saúde e dos combates com inseticidas e fumaça. No entanto, segundo ele, ainda que o GDF dispusesse de um técnico para cada residência, os números não seriam muito diferentes dos apresentados. “Se as pessoas não se conscientizarem, isso não vai mudar. Nós estamos fazendo nosso trabalho. Somente em Taguatinga, recolhemos mais de 200 toneladas de lixo. Em Ceilândia, mais de 400 toneladas. Sem mencionar as outras cidades. O principal local de permanência do mosquito é dentro das nossas casas, onde está sua fonte de alimentação”, ressaltou.

O acompanhamento dos técnicos da saúde indica que a tendência, para a próxima semana, ainda é um aumento no número de casos. No entanto, para o assessor de Mobilização para Prevenção da Dengue, com a chegada da seca, a quantidade de pessoas contaminadas pelo vírus tende a diminuir. “Por isso, não podemos falar em epidemia. Os números de 2010 foram muito altos em comparação com esse ano. Nós entramos no período de seca. Isso inibe a velocidade de desenvolvimento do mosquito e reduz os focos. É o fim da transmissão. A tendência é de queda”, garantiu Domício. Segundo fontes da ouvidas pelo Correio, a Secretaria de Saúde estuda a contratação de novos servidores para atuarem na área.

Faltam cuidados

Especializado em doenças tropicais, o médico e professor da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Luiz Tauil acrescenta que o a dengue de sorotipo 4, uma variável do vírus que entrou no Brasil pelo norte do país, também contribuiu para o aumento no número de contaminados. Isso porque, segundo ele, o sistema imunológico do brasileiro não está preparado para essa versão da doença. “As pessoas transitam pelo país e transmitem a doença. É uma coisa que não há como controlar”, explicou. Ele também acredita que a falta de participação da comunidade ajudou nos surtos provocados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da enfermidade. Para o professor, a maioria das pessoas não toma cuidados essenciais para evitar a proliferação dos mosquitos.

Indicador de perigo

A Avaliação de Risco de Transmissão é um indicador utilizado pelo Ministério da Saúde. Ele serve para estimar a quantidade de pessoas, a cada 100 mil moradores de uma cidade, que correm o risco de contrair dengue caso o governo e os moradores não combatam a doença. O índice é calculado com base no número de contaminados em uma região administrativa e a quantidade de habitantes no local.

Fonte: Correio Brasiliense

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