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23 de junho de 2021

Falta de médicos agrava problemas no Hospital de Santa Maria

Dois pacientes aguardavam por cirurgia sem qualquer previsão. Um conseguiu após JBr. procurar Saúde

Da redação do Jornal de Brasília – 08/01/2016 às 06:00:00

Um choque elétrico e a queda de um poste com três metros de altura transformaram a vida do torneiro mecânico Pedro Alves de Oliveira Neto, 38 anos, e de sua família. O incidente foi há uma semana no povoado de São Bartolomeu, em Cristalina (GO), e, desde então, seus parentes aguardavam a evolução do quadro clínico em frente ao Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), para onde ele foi transferido na segunda-feira. Pedro só conseguiu ser  operado ontem após a equipe do Jornal de Brasíliatentar obter uma resposta da Secretaria de Saúde.

“Levaram ele para Ceilândia para fazer uma tomografia, mas o que ele precisa mesmo é de cirurgia, e isso não tem como fazer aqui, eles dizem”, desabafou o pai, José Lauro de Oliveira, autônomo de 68 anos, na manhã de ontem. Ele revelou que o filho estava com quatro vértebras quebradas, sofreu traumatismo craniano e, na última quarta-feira, foi desvendada uma hemorragia interna no abdômen.

“Negligência”

A irmã de Pedro, Lucilene de Oliveira, ameaçou processar o hospital e o Estado caso o irmão morresse antes de fazer a cirurgia. Para ela, além da demora, existiu negligência ao não permitir que Pedro fosse transferido. “O nome dele está na lista do Samu, mas a regional não libera, diz que ele está instável. Se ele não está estável, que façam alguma coisa logo”, criticou.

No fim da tarde de ontem, a Secretaria de Saúde informou que, enfim, Pedro teria sido submetido a uma cirurgia. Depois disso, a reportagem não conseguiu novo contato com os familiares. 

A reportagem esteve no HRSM após receber denúncia de que gestantes aguardaram por horas na unidade e não tiveram atendimento, na noite da última terça-feira. Ontem pela manhã, não havia grávidas no local, mas não faltaram relatos de demora nos atendimentos de urgência. 

Há três dias, com dor e sem diagnóstico

No mesmo local onde a família de Pedro denunciava sua insatisfação com a rede pública, a doméstica Luzanira Herculana da Silva, 55 anos, recostava-se em um banco e esbravejava contra a direção do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM): “Eles estão enrolando a gente. Eu duvido que aconteça alguma coisa hoje (ontem)”.

Luzanira   teme pela nora, Hyorrana Gomes da Silva, 22 anos, que, há três dias, sente dores no abdômen e pode ter mioma (tipo de tumor no útero) ou apendicite. “Independentemente do que for, é preciso operar, mas os resultados dos exames feitos na terça-feira sequer foram lidos pelos médicos”, afirma Luzanira.

“A única coisa que sabemos até agora é que talvez seja um desses dois problemas. Ela foi internada, depois mandaram ela para casa e agora estamos aqui de novo”, reclamou a doméstica. Para ela, o pior é a expectativa: “Ela fica com dor, e a gente nem sabe o que ela tem. Podia vir alguém para ao menos dizer: ‘vá para casa que a gente cuida disso’”.

Tanto no caso de Pedro como no de Hyorrana, a justificativa para não terem sido feitas as cirurgias, conforme os familiares, é a falta de um profissional específico.

Versão oficial

Procurada pelo Jornal de Brasília, a Secretaria de Saúde informou que o paciente Pedro Alves de Oliveira Neto realizou procedimento cirúrgico ontem e encontrava-se em fase de recuperação. Sobre a paciente Hyorrana Gomes da Silva, a direção do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) esclareceu que não houve indicação de cirurgia e que vai apurar o atendimento realizado.

A pasta informou ainda que o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) realiza todos os partos em período expulsivo. Em casos de exceção, as pacientes são encaminhadas ao Hospital Regional do Gama (HRG) para fazer o parto.

A pasta acrescentou que a Saúde de Brasília tem se empenhado em aumentar o quadro de profissionais para regularizar o atendimento obstétrico no HRSM.

 

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