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Dois pacientes aguardavam por cirurgia sem qualquer previsão. Um conseguiu após JBr. procurar Saúde

Da redação do Jornal de Brasília – 08/01/2016 às 06:00:00

Um choque elétrico e a queda de um poste com três metros de altura transformaram a vida do torneiro mecânico Pedro Alves de Oliveira Neto, 38 anos, e de sua família. O incidente foi há uma semana no povoado de São Bartolomeu, em Cristalina (GO), e, desde então, seus parentes aguardavam a evolução do quadro clínico em frente ao Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), para onde ele foi transferido na segunda-feira. Pedro só conseguiu ser  operado ontem após a equipe do Jornal de Brasíliatentar obter uma resposta da Secretaria de Saúde.

“Levaram ele para Ceilândia para fazer uma tomografia, mas o que ele precisa mesmo é de cirurgia, e isso não tem como fazer aqui, eles dizem”, desabafou o pai, José Lauro de Oliveira, autônomo de 68 anos, na manhã de ontem. Ele revelou que o filho estava com quatro vértebras quebradas, sofreu traumatismo craniano e, na última quarta-feira, foi desvendada uma hemorragia interna no abdômen.

“Negligência”

A irmã de Pedro, Lucilene de Oliveira, ameaçou processar o hospital e o Estado caso o irmão morresse antes de fazer a cirurgia. Para ela, além da demora, existiu negligência ao não permitir que Pedro fosse transferido. “O nome dele está na lista do Samu, mas a regional não libera, diz que ele está instável. Se ele não está estável, que façam alguma coisa logo”, criticou.

No fim da tarde de ontem, a Secretaria de Saúde informou que, enfim, Pedro teria sido submetido a uma cirurgia. Depois disso, a reportagem não conseguiu novo contato com os familiares. 

A reportagem esteve no HRSM após receber denúncia de que gestantes aguardaram por horas na unidade e não tiveram atendimento, na noite da última terça-feira. Ontem pela manhã, não havia grávidas no local, mas não faltaram relatos de demora nos atendimentos de urgência. 

Há três dias, com dor e sem diagnóstico

No mesmo local onde a família de Pedro denunciava sua insatisfação com a rede pública, a doméstica Luzanira Herculana da Silva, 55 anos, recostava-se em um banco e esbravejava contra a direção do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM): “Eles estão enrolando a gente. Eu duvido que aconteça alguma coisa hoje (ontem)”.

Luzanira   teme pela nora, Hyorrana Gomes da Silva, 22 anos, que, há três dias, sente dores no abdômen e pode ter mioma (tipo de tumor no útero) ou apendicite. “Independentemente do que for, é preciso operar, mas os resultados dos exames feitos na terça-feira sequer foram lidos pelos médicos”, afirma Luzanira.

“A única coisa que sabemos até agora é que talvez seja um desses dois problemas. Ela foi internada, depois mandaram ela para casa e agora estamos aqui de novo”, reclamou a doméstica. Para ela, o pior é a expectativa: “Ela fica com dor, e a gente nem sabe o que ela tem. Podia vir alguém para ao menos dizer: ‘vá para casa que a gente cuida disso’”.

Tanto no caso de Pedro como no de Hyorrana, a justificativa para não terem sido feitas as cirurgias, conforme os familiares, é a falta de um profissional específico.

Versão oficial

Procurada pelo Jornal de Brasília, a Secretaria de Saúde informou que o paciente Pedro Alves de Oliveira Neto realizou procedimento cirúrgico ontem e encontrava-se em fase de recuperação. Sobre a paciente Hyorrana Gomes da Silva, a direção do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) esclareceu que não houve indicação de cirurgia e que vai apurar o atendimento realizado.

A pasta informou ainda que o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) realiza todos os partos em período expulsivo. Em casos de exceção, as pacientes são encaminhadas ao Hospital Regional do Gama (HRG) para fazer o parto.

A pasta acrescentou que a Saúde de Brasília tem se empenhado em aumentar o quadro de profissionais para regularizar o atendimento obstétrico no HRSM.

 

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