Fraude: A catraca que gira milhões


Da esquerda para a direita, deputada Telma Rufino, Marco Antônio Campanella, Rodrigo Delmassio e Doutor Michel, durante encontro.

A operação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal na manhã de hoje (30) batizada como operação Trick tem um objetivo: desvendar a fraude no Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) do DFTrans, comandado pela TransData.

Foi no vilarejo “café sem troco”, em Planaltina, no DF, que ocorreu a fraude que desviou mais de R$ 100 milhões dos cofres do GDF. O esquema passa pelo Banco do Brasil e a Câmara Distrital, através de algumas campanhas de deputados eleitos e derrotados.

Marco Antônio Campanella, ex-diretor do DFTrans e presidente regional do PPL, foi considerado o maestro de toda operação que mais uma vez colocou o transporte público do Distrito Federal em situação crítica. Ele cassou a concessão de linhas de ônibus do Grupo Amaral. O processo que corria em segredo de Justiça, veio à tona com a operação Trick, porque houve quebra de sigilos bancários e telefônicos dos envolvidos.

Agora,veio à luz o porquê do Governo omitir a determinação do Tribunal de Contas do DF proibindo a empresa TransData de prestar serviço de bilhetagem em Brasília. A empresa faz parte do mesmo grupo que controla a Piracicabana e a Pioneira, vencedoras da licitação fraudulenta do transporte coletivo de Brasília, em 2014, um dos escândalos do Governo Agnelo Queiroz.

No “café sem troco”, em Planaltina, eram passados os bilhetes eletrônicos no equipamento validador para aumentar a arrecadação do Consórcio das empresas de ônibus Marechal e Piracicabana. A Polícia Civil investigou e flagrou 54 empresas fantasmas que repassavam recursos para as campanhas de candidatos à Câmara Distrital.

Também foram constatados cerca de 100 mil CPFs  falsificados, grande parte de pessoas que já morreram. O maestro da fraude Marco Antônio Campanella foi detido na manhã de hoje e conduzido à delegacia onde prestou longo depoimento, como sempre, negando toda historia. Mas, a Polícia Civil tem uma farta documentação com quebra de sigilo bancário e escutas telefônicas, envolvendo  à Câmara Distrital, com deputados eleitos com recursos da fraude.

A deputada Telma Rufino, também envolvida no escândalo, foi conduzida à delegacia para prestar depoimento. A deputada nomeou Narcisa Anna Neto de Queiroz, mulher de Campanella,  para o seu gabinete com o salário de R$ 9.274,00.

Vale a pena lembrar que o ex-governador Tadeu Filippelli sempre esteve à frente da Secretaria de Transporte e DFTrans. Foi ele que determinou a retirada das empresas de ônibus que prestavam serviço no DF e  as substituísse pelas vencedoras da fraude, entre elas a Piracicabana e a Marechal, do empresário Nenê Constantino.

Agora, com a operação Trick fica explicada a dificuldade dos deputados distritais em abrir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias na área de transporte. Segundo a Polícia Civil, o desvio de mais de R$ 100 milhões teve como destino, campanhas eleitorais no DF.

Campanella tentou articular com os deputados envolvidos, sem que eles soubessem do escândalo que estava por vir, fazer Doutor Michel, presidente da Casa. O ex-diretor do DFTrans e presidente regional do PPL  sabia que seria fundamental ter o apoio do presidente da Câmara Legislativa. Procurado pela reportagem o atual Corregedor da Câmara disse que o encontro foi casual e que o assunto tratado foi a formação de um bloco. O que não aconteceu. Os deputados Delmassio e Telma Rufino votaram na presidente Celina Leão, o que comprova que a intenção de Campanella não obteve sucesso.

“Não tenho nada com esse mar de lama”, disse Michel, o mesmo declarou Rodrigo Delmassio.

Fonte: Blog QuidNovi Mino Pedrosa – 30/04/2015

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