Gama perde a invencibilidade e está na UTI

É lamentável escrever sobre a Sociedade Esportiva do Gama diante do histórico decadente dos resultados obtidos em campo, não apenas hoje, com a derrota pelo escore de 2 a 0 para o Brasília, em pleno Bezerrão, mas nos últimos anos, notadamente, a contar de 2003.

Olhando pelos retrovisores do tempo, há uma década ou mais, esse resultado, Gama 0 Brasília 2, até certo ponto era aceitável. Naquele tempo o Brasília vivia seus momentos de glórias e detinha a maior quantidade de títulos no futebol local, até ser superado pelo Gama.

No começo da década de 2000 o Brasília entrou em declínio e não demorou muito para o Gama acompanhá-lo. Neste descompasso eis que surgiu o  Brasiliense. Essas três equipes viveram momentos de expressiva presença no futebol Candango,  todavia, em épocas distintas.  

Hoje, definitivamente, nenhum time manda no futebol do DF. O nivelamento é por baixo e os estádios vazios denunciam que há algo de errado. Os poucos torcedores que ainda acompanham os jogos no DF são os gamenses.

Vejo que o Brasília caminha a passos largos para ressurgir na história do futebol local. De uma coisa não há duvida, o colorado do DF já garantiu presença na grande final do Candangão de 2013, se houver, pois o time que homenageia a capital federal já venceu o primeiro turno e se abocanhar o segundo, não haverá o esperado jogo no dia 18 de maio no Estádio Nacional de Brasília, na forma prevista pelos organizadores da Copa das Confederações.

De repente poderemos ter um jogo amistoso para entregar a faixa de campeão ao Brasília. Tudo são projeções. Nada está definido. O campeonato segue e ainda há esperança na avaliação dos cálculos matemáticos. Contra a lógica dos números ninguém poder se opor, por se tratar de uma ciência lógica e inquestionável.

É triste analisar os resultados obtidos pelo Gama no campeonato em curso, com uma quantidade impensada de empates. A invencibilidade que perdurou até hoje no Candangão 2013 nunca foi motivo para encher os olhos dos torcedores, pois faltou consistência na construção de vitórias. O Gama perde exatamente na hora em que não poderia jamais pensar nesta possibilidade, pois praticamente não tem como recuperar o tempo perdido.

A quantidade excessiva de empates revela, em termos, a fragilidade do plantel do Gama, com críticas acirradas que são atribuídas ao goleiro Max, que em muitos jogos foi apontado pela torcida como o culpado pelos resultados que tiraram pontos importantes do Gama no certame.

Hoje não diria que ele foi o responsável pela derrota do Gama, fato que não exclui a minha crítica ao ex-goleiro do Botafogo do RJ, que alternou momentos de avanços e recuos no campeonato. Ele nunca contou com a simpatia dos torcedores que sempre entoaram gritos de louvores ao goleiro reserva Pereira, diante de defesas inseguras e bisonhas proporcionadas por um atleta que teve presença de razoável brilho na história do futebol carioca. O certo é que por uma daquelas situações inexplicáveis ninguém teve coragem de substituí-lo. Isso custou caro ao Gama. Tomara que eu esteja enganado. Não estou fazendo apologia negativa, mas a verdade dos fatos não pode ser omitida.

A alusão aos ídolos do passado em estampas bem produzidas com cartazes afixados nas grades do estádio, não foi suficiente para motivar os atletas. Digo mais, é bem provável que muitos jogadores do Gama de hoje não saibam o peso histórico do Fantato,  do Manoel Ferreira, do Lindomar e do Romualdo. Não me sai da lembrança o caminhar triste do senhor Aristeu, pai do meu amigo Celso do TCDF. Ele disse que não acreditava no que estava vendo. Logo ele, torcedor “das antigas” que com o olhar distante buscou na lembrança os dias de felicidades que o Gama lhe proporcionou ao lado da família.

Vi que os momentos iniciais do jogo devolveram a esperança de vitória aos torcedores do Gama, que ali estavam presentes, pouco mais de 2500 pagantes, salvo engano. O time gamense nos primeiros quinze minutos apresentou jogadas convincentes. Pena que o gás aos poucos foi embora. O adversário ao perceber isso, no segundo tempo, tirou proveito do “apagão do Gama” e construiu um placar que deixou os torcedores alviverdes de cabeça baixa. Muitos saíram do estádio fazendo cálculos.

Antes do término do jogo, nos últimos 10 minutos, mais uma vez a Polícia Militar do DF marcou presença junto à torcida do Gama e plantou  terror com as suas ações desastrosas, o que foi objeto de acirrados comentários por parte dos integrantes de uma emissora de rádio que estava transmitindo o jogo.

O narrador relatou a sua preocupação com esses profissionais que são responsáveis pela segurança pública e que, mais uma vez, demonstraram despreparo para lidar com torcedores. No corre-corre atrás da torcida única, a PM jogou spray de pimenta contra os torcedores. Havia pessoas indefesas em razão da idade e outros que nada tinha a ver com a história. Fica aqui o meu desabafo.

Agora vou me recolher à análise da tabela para saber até que ponto poderemos esperar que o Brazlândia derrote o Ceilândia, amanhã, resultado de profundo interesse às pretensões da Sociedade Esportiva do Gama, cuja sobrevivência passou a depender dos seus opositores: Brazlândia, Brasília e Capital. É ver para crer. De camarote, o Ceilandense espera o seu adversário na disputa da Taça JK, pois detém posição altaneira entre os seus adversários.

Remy Soares de Carvalho
Asa Norte – DF
14.4.2013

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