História: líder revolucionário da América Central

Pancho Villa (Dorotéo Arango) ,de bandido a revolucionário

Vicente Vecci


Doroteo Arango (Pancho Villa) 1878-1923, no comando de uma tropa de cavalaria de mais de 40 mil homens. (Foto: arquivo da Culver Pictures).

A revolução mexicana que derrubou a ditadura de Porfírio Dias na década de 1910 teve como comandante um dos generais que se destacou pela sua arte bélica que o levou ao trono do México juntamente  com  Emiliano Zapata, Urbina e outros.

Trata-se  de um civil de origem humilde que começou sua carreira como bandido, assaltando comboio das minas  de prata. Batizado de José Dorotéo Arango, era um peão numa fazenda de um nobre fidalgo mexicano aonde morava com seus pais e irmãos. Nessa época, existia uma lei imposta ela ditadura conhecida como a “primeira noite”. Quando havia casamento entre os agregados,  a lua de mel da noiva era privilégio do fidalgo da fazenda,  depois para o noivo.  Dorotéo  Arango não aceitava tal imposição e teve sua irmã desonrada pelo filho de seu patrão e por isso assassinou-o. Perseguido pelos federais, soldados do governo mexicano, foi preso e conseguiu fugir indo para as montanhas e lá soube que bem antes existira um bandido conhecido como Pancho Villa que estava desaparecido. Adotou esse nome para permanecer no anonimato. Organizou um bando e começou a praticar assaltos a bancos, roubando gados e comboio das minas de prata da região de Chihuahua e Durango, ambas localizadas no norte do México, distribuindo parte  desses roubos à pobreza. Ficou bastante popular e conseguiu mais comparsas e armamentos pesados.

Estourou  a revolução encabeçada por Francisco Madero e outros generais que recrutaram as mais diversas forças de oposição à ditadura de Porfírio Diaz, um regime opressor e autocrático prolongado por décadas e já se  encontrava em agonia. Entre os arrebanhados estava o bando de Pancho Villa que se destacou na arte bélica sem nunca ter passado por uma academia militar. O governo mexicano para combater as forças insurgentes, contratou militares estrategistas alemães para auxiliar na luta contra os revolucionários. De nada adiantou e Villa levava vantagens nas batalhas, chegando a ser promovido general da revolução mexicana.

Lutavam por ideologia e quando se luta por esse princípio não existe aparato militar inimigo por mais tecnologicamente moderno que seja, possa derrotar as forças de resistências  combatentes. Os levantes populares contra governos  mencionados na história provam esse fato. Isso aconteceu nas revoluções francesa e Norte-Americana pela independência, no início e no meio do século passado na Rússia, china,  Cuba e no Vietnã, onde todo o planejamento de guerrilha do vietcong contra a ocupação das tropas norte-americanas estava concentrado em Saigon, capital do Vietnã do Sul (capitalista) que lutava contra o Vietnã do Norte, comunista.

Historicamente em toda revolução surge as contras revoluções, muitas vezes causados por facções que antes estavam alinhadas e depois se desentenderam com os novos ocupantes de governos. No México foi também assim, prorrogando o processo revolucionário de 1910 a 1917, dividindo em três turnos.  Madero no comando derrubou o ditador Porfírio Diaz mas 2 anos depois foi deposto pela então seu aliado general Victoriano Huerta, posteriormente expulso do poder por Venustiano Carranza que teve também apoio de Pancho Vila, comandando uma tropa de cavalaria com mais  de 40 mil homens, decisiva nessa luta. Para financiar sua campanha, Villa vendeu os direitos de filmagens de suas batalhas para um estúdio de Hollywood que teve uma nova versão em 2003, estrelada pelo ator Antônio Bandeiras, intitulada E Estrelando Pancho Villa. O filme documentário feito no início do século passado que registrou essas batalhas, encontra-se  no museu da cidade do México

Por Vicente Vecci edita em Brasília há 31 anos o Jornal  do Síndico – 23-07-2015