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Maior parte dos eleitores indecisos no DF são mulheres e vivem em Ceilândia

Votos podem ser decisivos na conquista do Buriti

Ganhará a guerra eleitoral pelo Palácio do Buriti quem obtiver os votos femininos em Ceilândia. Segundo pesquisa de opinião Real Time Big Data, divulgada pela Record TV Brasília, a maior parte dos eleitores indecisos vive em regiões carentes do Distrito Federal, principalmente na região ceilandense. São mulheres de baixa renda e com mais de 60 anos de idade. A campanha capaz de conquistar estes votos ganhará fôlego para disparar nas urnas.

“Temos quase um terço do eleitorado indeciso. E não estou contando votos brancos e nulos. No DF, 33% das mulheres estão indecisas. Muitas tem mais de 60 anos. Esta faixa etária tem 42% dos indecisos. Estão carentes de serviços públicos por parte do governo atual, mas também ainda não enxergaram solução nos demais candidatos. Quem conseguir alcançá-las crescerá bem nas intenções de voto”, conta o cientista político da Real Time Big Data Bruno Soller. No voto estimulado, 27% do total de eleitores estão indecisos e 11% sinalizam para brancos e nulos.

Depois de Ceilândia, a maior concentração de indecisas e indecisos vive em Brazlândia, Sobradinho, Planaltina, Paranoá, Itapoã, Riacho Fundo, Núcleo Bandeirante, Guará, Gama e Santa Maria. Enquanto as campanhas não desvendam o enigma das eleitoras, a pesquisa aponta para uma disputa ferrenha pelo governo com um empate quadruplo.

Na pesquisa estimulada da votação, Eliana Pedrosa (Pros) corre na ponta com 14% das intenções de voto, o governador Rollemberg (PSB) tem 12%, Rogério Rosso (PSD) batalha com 10% e Alberto Fraga (DEM) compete com 9%. O estudo tem margem de erro de 3 pontos percentuais positivos ou negativos. Por isso, os quatro estão, tecnicamente, ombro a ombro.

Nestes termos, é quase inevitável uma eleição em 2 turnos. É uma das eleições mais disputadas e imprevisíveis do Brasil”, resume Soller. Na análise por região, Pedrosa mostra vigor nas cidades satélites e pouca força no Plano Piloto. Rollemberg vive situação oposta. Rosso mantem uma votação equilibrada em todo DF, com mais votos, justamente em Ceilândia.

“Fraga, o quarto, representa um pouco da indignação da população com a estrutura do sistema político. E bate forte no tema da Segurança Pública. Seria quase um Bolsonaro. Mas com mais experiência e entregas do que o presidenciável”, comenta Soller, fazendo referência à proximidade da imagem de Fraga com o candidato ao Palácio do Planalto Jair Messias Bolsonaro (PSL).

Na análise do voto espontâneo Rollemberg respira com a liderança de 8%. “Mas isso é porque ele é figura mais conhecida do DF”, contemporiza Soller. Na sequência, Eliana, Rosso e Alexandre Guerra (Novo) batalham com 4% e Fraga corre 3%. A presença de Guerra neste cenário chama a atenção. Afinal, compete com partido pequeno, sem alianças ou tempo de TV.

PT tem duplo desafio

A rejeição e a indignação dos eleitores com a política também é marca pesquisa. O estudo consolida a aversão de grande parte dos eleitorado brasiliense ao Partido dos Trabalhadores, que perdeu a competitividade de eleições passadas. Tem alta rejeição e baixa intenção de voto. O candidato ao GDF Júlio Miragaya engatinha com 4%, enquanto os concorrentes ao Senado Federal Wasny de Roure e Marcelo Neves patinam com 5% e 1%.

O brasiliense em geral reprova a antiga gestão de Agnelo Queiroz (PT) no Buriti, além dos recentes governos do partido no Planalto.

Rollemberg também não tem refresco neste debate. Segundo a pesquisa, o atual governador é rejeitado por 45%, na maior rejeição entre os 11 candidatos em campo. Além disso, o atual governo é desaprovado por 67% da população, enquanto 23% aprovam. Os 10% restantes não souberam responder aos entrevistadores.

Nas urnas deste ano, Fraga terá que superar uma rejeição de 29%. Miragaya sofre com uma taxa de rejeição de 26%. Novamente, a aversão ao PT é gritante no DF. Pedrosa é mal vista por 24%. Por outro lado, Rosso é rejeitado por somente 14%. Guerra enfrenta apenas 11%.

A pesquisa traçou alguns cenários de segundo turno com os nomes de Pedrosa, Rollemberg e Rosso. Eliana ganha todos. Bate Rollemberg, com o placar de 37% versus 20%. Ganha de Rosso, tendo 32% contra 26%. Por outro lado, Rosso supera o governador conquistando 37% dos eleitores, enquanto Rollemberg recebe o apoio de 23%.

A pesquisa foi produzida na segunda-feira (3 de setembro). Foram entrevistadas 1.200 pessoas. O indíce de confiança é de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o número DF-09917/2018.


Briga pelo Senado

Entre os concorrentes das duas vagas pelo Senado Federal, a campanha de reeleição do senador Cristovam Buarque corre na frente isolada com 22%. Por enquanto, a emoção está no embate pela segunda cadeira. Leila do Vôlei (PSB) joga 15%, mas Izalci Lucas (PSDB) e Chico Leite (Rede) batalham ambos com 12%. Ou seja, o trio está empatado tecnicamente.

“Cristovam tem o voto consolidado no Plano Piloto. Leila é forte nas cidades satélites e muito apelo popular, afinal foi atleta e heroína olímpica. Chico e Izalci são políticos tradicionais com presença no Plano. A tendência é Cristovam consolidar posição na primeira vaga. A briga está segunda. E o segundo voto do eleitor será definidor”, explica Bruno Soller.

Pelas contas do cientista política, começa a beliscar a vaga no Senado quem atingir intenção de voto entre 25% e 30%.

Na análise do especialista, a eleição no DF só está embaralhada pela falta de capacidade da oposição de unir forças, especialmente entre os partidos de centro e direita. Pela alta rejeição de Rollemberg e da esquerda, se houve uma candidatura do grupo, a eleição estaria definida.

Por Francisco Dutra
Jornal de Brasília – 04/09/2018

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