Opinião: E se Arruda não for candidato?

E se Arruda conseguir ser candidato?

Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos, dizia Nelson Rodrigues. Infelizmente. O quadro político do DF parece definido. Os principais nomes estão postados para disputar o Palácio do Buriti. Parece um cenário pronto, mas é apenas uma nuvem. E se o ex-governador José Roberto Arruda (PR) for impedido de concorrer?…

Não é recomendável fazer política na base do “se”. Só que todos estão esperando pelo impedimento de Arruda. De aliados a adversários. A torcida é grande. E vai além de torcer. Os movimentos de bastidor para tirar Arruda são incessantes. Muitos veem nisso a única forma de chegar competitivo nas eleições.

No Judiciário, Arruda pode ser abatido se um dois processos que estão tramitando em segunda instância andarem mais rápido do que o normal. Se isso acontecer, e a decisão for desfavorável, Arruda pode enfiar a viola no saco e ir para casa. Será casuísmo. Uma aberração jurídica. Mas em política o sentimento é que tudo pode. Principalmente em época de eleição.

Em outra frente, Arruda pode cair pela rejeição de suas contas. O presidente da Câmara Legislativa Wasny de Roure (PT), foi escalado para acompanhar o caso de perto. E já cobrou do Tribunal de Contas do DF celeridade na apreciação do recurso de Arruda à rejeição das contas do governo relativas ao ano de 2009, pelo próprio tribunal.

Em discurso na tribuna da Casa, Wasny disse ser necessário que o processo retorne à Câmara Legislativa para que se delibere sobre o assunto antes de começar o processo eleitoral. Para Wasny, a sociedade brasiliense vai cobrar dos deputados, nas ruas, independência nos papéis exercem no Legislativo.

Wasny considera que é melhor a Casa se deparar com a questão antes das eleições, para evitar uma “situação desconfortável”.

No outro lado, candidatos que transitam no mesmo eleitorado de Arruda seriam beneficiados com uma queda do ex-governador. As deputadas distritais Eliana Pedrosa (PPS) e Liliane Roriz (PRTB), o deputado federal Luiz (PSDB) e o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM) se fortaleceriam. Seria aberta a temporada de traições.

Os votos de Arruda migrariam para essa turma. Não haveria um herdeiro natural. Seria uma disputa interna, intensa e pesada. Quem sobreviver, chegaria com chances de polarizar com o governador Agnelo Queiroz (PT).

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) também espera tirar uma lasca com a saída de Arruda da disputa. Ele acha que pode atrair partidos que hoje fechariam com a coligação do ex-governador.

O maior favorecido seria o governador Agnelo. Ele chega forte na campanha por ter em mãos a caneta, a máquina e boa estrutura financeira de campanha. Sem um adversário forte ou com a oposição dividida, a vida do governador será facilitada.

Além disso, Agnelo vai cumprir nos próximos dois meses uma sequência de agenda positiva, puxada por inaugurações de obras. A costura da coligação também pode favorecer o governador. Se for bem feira, agrega partidos e tempo de tevê.

Mas essa é a política do “se”. E se Arruda conseguir ser candidato? Agnelo provavelmente manteria o script. Não teria muito o que mudar em sua campanha. A oposição precisaria de um realinhamento.

Fonte: Blog do Ricardo Callado – 10/05/2014 – – 11:06:44
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