Registro da Rede reforçará base do Buriti na Câmara

A Rede é um apoio fundamental para a agenda governista na atual conjuntura. Afinal, o governo passa por sucessivas crises com o Legislativo e encontra dificuldades para aprovar projetos estratégicos no plenário

As movimentações pelos bastidores políticos sinalizam que a Rede Sustentabilidade, partido sonhado por Marina Silva, será lançada com força no Distrito Federal. Sem sofrer questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral, o partido deverá ser oficializado em agosto. Na Câmara Legislativa, a legenda mantém diálogo aberto com pelo menos cinco deputados distritais. Os nomes ainda não são revelados, mas parte deles vai buscar a filiação, tão logo a situação jurídica da Rede seja definida.  

Em função do alinhamento político entre Marina Silva e o governador Rodrigo Rollemberg, a Rede chegará como uma nova força aliada do Palácio do Buriti. Apoio fundamental para a agenda governista  na atual conjuntura. Afinal, o governo passa por sucessivas crises com o Legislativo e encontra dificuldades para aprovar projetos estratégicos no plenário.

Sobre este cenário, um dos líderes locais da Rede e atual secretário de Meio Ambiente do DF, André Lima, comenta que o partido não está interessado em quantidade, mas sim em qualidade. Desta forma, Lima confessa que o partido não espera nascer com cinco deputados distritais. “Queremos representantes no parlamento que tenham trajetória, coerência e convergência programática com nossos  valores. Queremos crescer com raiz e tronco forte, com qualidade. Para podermos enfrentar as tempestades”, detalhou.

Segundo Lima, a Rede ainda não definiu pautas específicas para a Câmara Legislativa. Mas garantiu que a defesa da sustentabilidade será constante em todas as discussões.

PSB perde

A formação da Rede não irá afetar apenas os partidos que estão fora do Buriti. Afinal, Marina e vários “marineiros” se filiaram ao PSB antes das eleições passadas, quando a justiça eleitoral barrou a primeira tentativa de formalização da legenda. A época, Marina aceitou ser vice na chapa com Eduardo Campos para o Planalto. Após a trágica morte do ex-governador de Pernambuco, ela ocupou o posto de candidata e conquistou mais de 22 milhões de votos pelo Brasil.

Ponto de vista

“Tem muitas articulações alvissareiras acontecendo na cidade”, comenta o secretário de Relações Institucionais, Marcos Dantas, sobre a iminente chegada da Rede. Mesmo com as eventuais desfiliações de nomes do PSB, Dantas considera que a agenda da Rede será convergente com o projeto político do GDF. “Vai ser bom para cidade, para a Câmara e não tenho dúvida de que também será para o governo”, reforçou. Sobre os nomes mencionados nos bastidores, Dantas considera que os possíveis deputados “sonháticos” têm discursos próximos ao Buriti. Pelo lado do PSB, Dantas não esconde o desejo do partido de conseguir pelo menos um distrital ainda neste ano.

Peça importante do xadrez

Tendo conseguido mais de 560 mil votos no DF durante a eleição passada para a Presidência da Republica, Marina Silva é uma peça importante no xadrez político local. Segundo o cientista político da Universidade de Brasília, David Fleischer, Marina deverá transferir essa força para o diretório regional do partido. “Contando 24 deputados distritais, um grupo de três ou quatro seria uma bancada razoável”, ponderou o especialista. Nesse sentido, Fleischer concorda que, a princípio, Rede chegará com um tom “simpático” à gestão Rollemberg.

Buscando linguagem modernas e uso das redes sociais, a Rede tem um forte apelo entre a juventude, o que propicia a formação de uma militância sintonizada com a  contemporaneidade.  Mas como tudo na vida tem bônus e ônus, o cientista político considera que Marina irá também transferir desafios para o novo partido.

Isoladamente, Marina consegue balancear os apoios de grupos evagélicos norteados por tons conservadores e ambientalistas com ideias e posturas contemporâneas. 

Aos olhos de Fleischer, o desafio da legenda será crescer politicamente conciliando diferenças. “Especificamente em relação a figura da Marina também existe outra consideração. Ela tem demonstrado certa dificuldade em lidar com os organismos partidários. Isso ficou bem claro na sua passagem pelo PV. Vamos ver se com a Rede ela supera isso”, acrescentou.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília