Rollemberg perde aliados e fica isolado

Resistência do PSol em se unir com legendas de centro-esquerda e o lançamento de Reguffe na disputa ao Buriti dificultam coligação em torno do candidato do PSB. Senador do DF busca o diálogo e espera fechar com o PDT.

 

“Temos acompanhado as lideranças partidárias, inclusive as discussões do PDT, mas, agora, buscamos o nosso fortalecimento programático, que vai garantir a formação de uma aliança competitiva para 2014%u201D Rodrigo Rollemberg, senador (PSB-DF) e pré-candidato ao Executivo para 2014

 

Uma série de acomodações políticas dificulta os planos do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) de formar alianças para disputar o Palácio do Buriti no próximo ano. Mesmo com a chegada da ex-senadora Marina Silva à sigla, o socialista enfrenta percalços que atrapalham a conquista de parceiros para fechar uma coligação com tempo de televisão suficiente para se contrapor aos adversários de 2014: o governador Agnelo Queiroz (PT) e os representantes dos grupos rorizista e arrudista. …

 

José Antônio Reguffe, deputado federal (PDT-DF)

Reguffe foi, proporcionalmente, o deputado federal mais votado no país em 2010. Recentemente, se empenhou para a criação da Rede Sustentabilidade. Com o embargo da Justiça Eleitoral à nova sigla, Reguffe se manteve no PDT. O partido lançou sua pré-candidatura ao Buriti.

 
Toninho do PSol

O PSol também é cobiçado pelos pré-candidatos de centro-esquerda. Toninho saiu como candidato ao Buriti em 2010 e teve cerca de 200 mil votos. No primeiro turno, ficou em terceiro lugar, perdendo para Agnelo Queiroz e Weslian Roriz. No último encontro do partido, teve novamente seu nome lançado ao Executivo.

 
Chico Leite, deputado distrital (PT)

Foi o distrital mais votado em 2010. Avaliava a possível migração do PT para a Rede. Nos bastidores, era certo que, caso a legenda de Marina Silva tivesse sido autorizada pela Justiça Eleitoral, ele poderia sair como candidato ao Senado ou vice na chapa encabeçada por Rollemberg.

 

A disposição do PSol e do PDT de lançarem candidatos próprios ao GDF deixam o PSB isolado no quadro de coligações. Caso a Rede tivesse sido criada, o PSB teria o caminho livre para compor um quadro que incluiria o deputado distrital Chico Leite (PT) como vice na chapa. As conversas estavam bem avançadas. O parlamentar, no entanto, permaneceu no PT e agora está sintonizado com os planos de reeleição de Agnelo, já que a Justiça Eleitoral vetou a criação da Rede. 

Embora o prazo para a formação de alianças esteja aberto até o fim do mês de junho do ano que vem (confira Para saber mais), partidos e pré-candidatos ao Palácio do Buriti já iniciaram as conversas. Mesmo com os últimos desdobramentos da política local, Rollemberg tem dito que sonha em compor com o deputado José Antônio Reguffe (PDT-DF), como candidato ao Senado. O PDT, no entanto, lançou a pré-candidatura de Reguffe ao Buriti e considera que o deputado federal mais votado do DF em 2010 sai na frente na disputa ao GDF, como indicam pesquisas no meio político.

O PSol também é um partido cobiçado, mas a mudança de comando na sigla dificulta a formação de uma aliança. A nova direção regional da legenda é contrária a alianças com partidos de centro-esquerda. Além disso, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho, foi lançado pelo partido como pré-candidato ao Buriti.

O presidente regional do PSB, Marcos Dantas, admite que o atual quadro partidário preocupa a sigla. “Mas as portas não se fecharam”, diz. Ele garante que o partido chegará às eleições dentro de uma aliança partidária e desenha um quadro ideal. “Nosso parceiro prioritário é o PDT, mas respeitamos as dinâmicas de cada partido. Mesmo com essas definições de momento, todas as siglas de esquerda têm mantido conversas com o PSB”, revela.

Para Rollemberg, o PSB deve priorizar a construção de um plano de governo consistente. “Temos acompanhado as lideranças partidárias, inclusive as discussões do PDT, mas, agora, buscamos o nosso fortalecimento programático, diz”. Ele também aguarda para o ano que vem as discussões sobre alianças. “Até lá, mantemos 12 núcleos temáticos, que têm a tarefa de discutir os problemas da cidade e propor soluções viáveis para a população”, destaca.

O cientista político e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa acredita que a viabilidade da Rede daria mais força ao PSB no âmbito local e vê com poucas chances a possibilidade de o partido sair isoladamente. “A candidatura do Rollemberg ganha força porque tem o palanque do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência) e porque outras candidaturas na cidade são balões de ensaio”, sustenta. Para ele, caberia ao PSB, ao PSol e ao PDT formarem o núcleo de uma aliança mais ampla. “Formar uma coligação para tirar votos do governo apenas não basta, pois os ex-governadores Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR) estão no jogo e têm cacife para chegar ao segundo turno com força”, aposta.

Alternativas

O PPS e o Solidariedade são dois dos partidos fora da base de apoio ao governo que são mais procurados pelas pré-candidaturas até agora postas na disputa. Recém-chegada ao PPS, a distrital Eliana Pedrosa ressalta também disposição em disputar o Buriti. “Gostaria de contar com o apoio das demais candidaturas para o meu projeto”, diz. O deputado federal Augusto Carvalho (Solidariedade) mantém diálogo com todos os lados. “Vamos continuar com a postura de ouvir a todos, sem ansiedade de tomar decisões fora da hora. O tabuleiro político é mutável até meados do primeiro semestre do ano que vem”, destaca.

Batalha perdida
A Rede Sustentabilidade perdeu a batalha na Justiça para conseguir disputar as eleições do ano que vem. O problema girou em torno da validação de assinaturas pelos cartórios eleitorais, que não ocorreu a tempo de cumprir o prazo de criação de outras legendas. A líder do partido, Marina Silva, afirma que a Rede reuniu quase 900 mil assinaturas, embora apenas 442,5 mil tenham sido reconhecidas.

 

Postura radical

A definição do nome da bancária Juliana Selbach para ocupar a presidência do PSol por dois anos, conforme revelou o Correio na edição de ontem, expõe o momento de ebulição interna na legenda. Representante de uma tendência mais radical — Movimento Esquerda Socialista—, a nova dirigente da sigla terá que convencer as instâncias nacionais do PSol a adotar um posicionamento mais isolado durante as eleições locais do ano que vem, sem a possibilidade de alianças fora do eixo PSTU-PCB, como ela defende. Isso porque a corrente majoritária do partido, a Ação Popular Socialista, deve buscar uma política mais ampla de coligações.

“Não é só o PSol que tem em seus quadros nomes de perfil ético e socialista, mas também somos democráticos a ponto de reconhecer a movimentação e a representatividade das nossas tendências”, diz o pré-candidato do partido, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol. Ele saiu derrotado na disputa pela presidência regional da legenda. “Ela (Juliana) representa uma parcela do partido que tem uma capacidade de mobilização maior do que a nossa e que, também, tende a tensionar mais o discurso”, reconhece.

A definição dos rumos do partido no âmbito nacional vai ocorrer no fim do mês, durante um congresso nacional, que será realizado em Luziânia (GO). “Todo esse debate sobre alianças deverá ocorrer de forma terminativa a partir do congresso e tenho confiança de que poderemos manter um diálogo construtivo com representações políticas de outros setores, sem perder nossa identidade”, defende. (AP)

 

Para saber mais II

Prazo definido

O marco final para os partidos políticos definirem seus candidatos e coligações para as eleições é 30 de junho de 2014. A decisão é oficializada durante as convenções partidárias, que devem ocorrer de 10 a 30 do mesmo mês, período definido no artigo 8º da Lei das Eleições (nº 9.504/1997). Válido para todos os partidos políticos, o prazo garante a isonomia entre as legendas.

Entre as regras a serem seguidas pelas legendas no processo de escolha de candidaturas e coligações, está a cota para o preenchimento de cargos, prevista na Lei n° 12.034/2009.

A norma alterou a Lei dos Partidos Políticos e a Lei das Eleições ao estabelecer que “cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”, tornando obrigatória a distribuição dos percentuais entre homens e mulheres. Essa participação mínima de candidatos de ambos os sexos na disputa é com base na Constituição.

 

Fonte: Arthur Paganini – Correio Braziliense – 06/11/2013

Tags

Israel Carvalho

Diretor-Presidente do portal Gama Cidadão, Jornalista nº. DRT 10370/DF, Multimídia e Internet Marketing.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Veja Também

Fechar
Fechar

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios