Roriz sobre Liliane

“Se todos a querem como vice, por que não governadora”

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“Conversa da Catedral” é um afamado romance do peruano Mário Vargas Liosa. Só que no livro, Catedral referia-se a um famoso bar (La Catedral) de Lima, onde um jornalista dialoga com dois amigos, na época do ditador general Manuel A. Odría, de 1948 a 1956. Desses papos de boteco emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado que serviu de matéria-prima para a construção desta obra. …

Em Brasilia, é Catedral de Brasilia, mesmo. Lá se desenrolou uma cena nada mística, profana mesmo, que tem a ver com a eleição para governador do Distrito Federal.

Na nave do templo, o ex-governador Joaquim Roriz, cujo apoio é disputado por nove entre dez candidatos ao Palácio do Buriti – pois ele próprio está impedido de concorrer – encontra-se, “por acaso”, com seu ex-afilhado e ex-aliado, o vice-governador Tadeu Filippelli, e citado nas rodas políticas da capital como pretendente à cadeira de governador.

Daí foram geradas diversas versões sobre o encontro. Colocamos por acaso entre aspas porque o vice tinha que aparecer na Catedral (não no bar limenho, mas na Catedral propriamente dita, justo no momento em que lá estava em contrição o ex-governador, fervoroso católico. Catedral não é lugar para conchavo (no bar de Lima, sim).

Filippelli – todos sabem – sonha em ter o ex-padrinho o apoiando para governador. Mas, brigaram há anos, e a briga foi feia porque envolveu o parentesco com Dona Weslian.

Vem daí uma das versões, talvez a mais consistente, porque elaborada por pessoas que bem conhecem o vice: não se crê que Filippelli, por ser do ramo, tenha se confundido com a troca de abraços com Roriz na Catedral.

Mas, competente que é, soube aproveitar, e muito bem, aquele o momento de fraternidade cívico-cristã, e ainda não político-eleitoral. Ainda.

Confundiu o mundo político e as mídias de Brasília, que, naquele amplexo, julgaram estar a ressurgir a antiga aliança.

Observando-se, porém, as imagens daquele instante (fotos e vídeos), porém, os portadores dessa versão não notam gestos afetivos e espontâneos do ex-governador para com o seu ex-pupilo e afilhado.

Roriz foi sóbrio, porém cerimonioso e educado, como o ambiente. Não era a Catedral de Lima, mas a de Brasilia, afinal.

Diferente seria se, do abraço, durante ou após, houvesse efetiva “conversa na Catedral“; ou, como poderia ter acontecido, “conversa após Catedral“. Não aconteceu nenhuma delas – reforçam os rorizistas mais conhecedores do gestual do ex-governador.

Tais espacialistas preferem insistir numa via de interpretação dos passos mais recentes de Roriz: dar todo o apoio à sua filha, a deputada distrital Liliane Roriz, como candidata a governadora.

Anotam os defensores dessa equação os seguintes argumentos favoráveis:

1) Além das qualidades de reflexão, ação, responsabilidade social e articulação políticas que Liliane vem demonstrado nesse curto tempo de mandato na Câmara Legislativa, é nos contatos com as pessoas nas comunidades, carentes ou não, que mostra o quanto herdou da carinhosa simpatia do pai; e que, também, vemos aflorando os dotes do carisma do “Seu Joaquim“ – como Roriz é chamado pelos fieis e agradecidos eleitores.

2) Todos, Filipelli, Regufe, Rolemberg, Cristovão, Abadia, Arruda e quem de mais desejar ser candidato – mas todos mesmo – sonham e querem ter Liliane para vice nas suas possíveis chapas.

O que fez Roriz raciocinar:

“Por que não governadora?”

Portanto: Liliane candidatíssima.

Fonte: Carta Polis – 16/08/2013

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