Será “tarefa árdua” Rede não se corromper

Dissidente petista e fundadora do PSOL, ex-senadora alagoana cai na Rede de Marina Silva e garante que em 2014 votará na companheira para a Presidência

A ex-senadora alagoana Heloísa Helena nunca aceitou passivamente as dinâmicas de partidárias em que se via incluída. Vice-governadora pelo PT de Alagoas em 1992, na chapa do então governador Ronaldo Lessa (PSB), cerca de dez anos depois deixaria o partido, com críticas às práticas petistas, para fundar o PSOL, sigla pela qual é vereadora recém-eleita com mandato até 2016. Mas, depois de mais divergências, já avisou que está de saída ainda neste primeiro semestre, indicando que será uma das estrelas do partido de Marina Silva, a Rede Sustentabilidade, que sábado (16) o pontapé inicial, em Brasília. Mas um aviso já foi feito por Heloísa, outrora presidenciável pelo mesmo Psol: não será fácil para Marina e sua trupe resistirem às vicissitudes da política.

“Eu aprendi, ao longo ao da árdua militância política, especialmente pelo estado onde eu vivo, que a tarefa é muito dura, dificílima. Mas o poder não muda ninguém, apenas revela quem essas pessoas efetivamente são”, declarou com exclusividade ao Congresso em Foco logo depois da formalização do nome da legenda ainda a ser criada por Marina. …

Na rápida entrevista concedida a este site, nenhuma palavra sobre a questão do aborto – ela é contra, o PSOL é a favor –, nenhuma vírgula sobre o apoio à então companheira de partido Marina Silva para as presidenciais de 2010, quando o partido a contrariou e lançou Plínio de Arruda Sampaio, quarto lugar nas eleições daquele ano – Marina (então no PV), foi terceira colocada e surpreendeu com 20 milhões de votos. Aos 50 anos, Heloisa preferiu falar das “eternas e maravilhosas” esperanças no ideário que a une com a companheira da “Rede”.

“[No Brasil] tem socialistas, como eu, humanistas, enfim, pessoas que querem continuar criando movimentos e abrindo caminhos para a ética, para a justiça social e para a sustentabilidade”, discursou Heloisa, também sem querer comentar a hipótese de voltar ao Congresso já enredada na Rede.

Além de vice-governadora e senadora, Heloísa foi a primeira deputada estadual do PT. Em 1995, assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa de Alagoas.

A senhora acredita que esse partido, da forma como se apresenta, vai resistir às vicissitudes da velha política?
Eu aprendi, ao longo ao da árdua militância política, especialmente pelo estado onde eu vivo, que é Alagoas, que a tarefa é muito dura, dificílima. Mas o poder não muda ninguém, apenas revela quem essas pessoas efetivamente são. Então, é continuar trilhando os caminhos da ética, da justiça social e da sustentabilidade para dar ao Brasil a possibilidade de superar a fraude da falsa polarização PT-PSDB.

A senhora já deixou o PT para fundar o Psol. Acontece o mesmo agora?
Eu estou me sentindo absolutamente tranquila, porque é um movimento amplo, não significa filiação partidária. É a estruturação de uma corrente política na vida nacional que possa criar as condições objetivas de superar a fraude da falsa polarização PT-PSDB, e termos a candidatura de Marina em 2014.

Mas não poderia ser, no futuro próximo, sua volta repaginada ao Congresso?
Objetivamente, não tenho como pensar em nada. A única coisa em que posso pensar, nesse momento, é ter, para Marina, a mesma generosidade que o povo brasileiro teve conosco, sempre. Isso é o mais importante. Filiação, eleição, deixa que isso o dia-a-dia define. Nesse momento, minha obrigação – e o faço com alegria – é garantir para Marina a mesma generosidade democrática que o povo teve conosco. Tomara que se possa mesmo consolidar a estruturação do novo partido, e que ela possa ter a oportunidade de ser candidata em 2014. Então, é só por isso que estou aqui. Na tem filiação, discussão, nada. Apenas, generosamente, ajudá-la a ter as condições objetivas de se candidatar em 2014.

A senhora acredita que ela pode ser presidenta?
Claro que acredito, com certeza. Eu vivo de eternas e maravilhosas esperanças.

Marina presidenta seria bom para o Brasil?

Com certeza. Seria muito bom dialogar com mentes e corações da juventude, da meninada brasileira e de tantas outras pessoas que dedicaram tantos preciosos momentos de sua vida para construir uma sociedade justa, igualitária, fraterna. Então, tem socialistas, como eu, humanistas, enfim, pessoas que querem continuar criando movimentos e abrindo caminhos para a ética, para a justiça social e para a sustentabilidade.

Por Fábio Góis

Fonte: Congresso em Foco – 17/02/2013