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2 de agosto de 2021

Servidores da Sejus agridem manifestantes

ARTHUR PAGANINI

O que deveria ser uma cerimônia para marcar o início da construção de um centro cultural adaptado a deficientes, na sede da Secretaria de Justiça (Sejus), tornou-se uma demonstração de covardia e violência. E pior: os agressores são servidores da própria Sejus. Ontem à tarde, antes da abertura do evento, um grupo de 12 representantes da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV) protestava pacificamente contra o projeto. Enquanto as reivindicações eram ouvidas por uma assistente social do GDF, um dos funcionários se aproximou do grupo, por trás, e arrancou à força uma das faixas de protesto. Questionado pelos agredidos sobre a atitude, o servidor empurrou quem estava a sua volta e passou a faixa para um colega. No fim, ambos escaparam.

Presidente da ABDV, César Achkar segurava a faixa furtada no momento da agressão. Deficiente visual e artista plástico, ele é contra o projeto do centro cultural por entender que o local destinado para o espaço, na sede da Sejus, na antiga Rodoferroviária, é inconveniente devido à distância do centro da cidade. “Este espaço também é excludente. Você acha que uma exposição do Caravaggio chegaria aqui? Às vezes, é melhor uma simples rampa nos espaços tradicionais de cultura do que toda essa pompa”, criticou. O centro vai funcionar em uma área de 420m², equipado com cadeiras adaptadas, elevadores para cadeirantes, piso tátil e identificação em braile, entre outros aparelhos. A entrega da obra está prevista para março de 2013.

Marly Araújo é coordenadora do Grupo de Apoio às Mulheres Atingidas pela Hanseníase e foi uma das vítimas das cotoveladas do primeiro agressor. Ela afirma ter visto o crachá de identificação da Sejus no pescoço dele. “Ele disse que não poderíamos protestar do lado de dentro da secretaria, mas nossa reivindicação era pacífica e democrática”, disse. O segundo homem, que fugiu com a faixa, também foi flagrado pela reportagem com um crachá da secretaria. Questionado sobre a violência, respondeu: “Ninguém vai protestar aqui e não sou obrigado a me identificar para você”.

O secretário de Justiça e Cidadania, Alírio Neto, rebateu as críticas do grupo, mas também repudiou a violência. “Há preconceito de certa elite da cidade, que acha que tudo deve ser construído próximo ao Plano Piloto. Mas somos contra qualquer agressão, ainda mais de servidores da secretaria”, disse. “Os agredidos precisam prestar queixa e nos comunicar. Assim, poderemos investigar”, afirmou. Apesar da greve dos policiais civis, Marly conseguiu registrar queixa na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).


Informamos que as notícias disponíveis neste espaço não são de responsabilidade do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, e sim dos veículos de comunicação que as publicaram.

Fonte: Myclipp | Correio Braziliense

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