Servidores públicos do DF recebem os maiores salários do Brasil, diz pesquisa

Média salarial é de R$ 3.713, pelo menos R$ 1.000 a mais em relação aos demais Estados


Gustavo Frasão/R7 O especialista Maurício Nicácio diz que servidores públicos têm mais vantagens do que desvantagens

Os servidores públicos que trabalham no Distrito Federal são os que recebem os maiores do Brasil, conforme mostram pesquisas realizadas pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 Os estudos apresentam dados até maio deste ano, e demonstram que a média salarial para início de carreira dos servidores da capital federal é de R$ 3.713. O valor é pelo menos R$ 1.000 a mais do que os demais servidores do País ganham. A diferença é maior nas áreas de saúde, educação e segurança.

 O abismo salarial fica mais evidente quando a comparação é com salários dos profissionais da iniciativa privada no DF. Enquanto os servidores públicos recebem quase R$ 4 mil, os trabalhadores do setor privado, com e sem carteira de trabalho, recebem cerca de R$ 1.300 mensais.

Além disso, os estudos apontam que os profissionais autônomos, ou seja, aqueles que trabalham por conta própria e não são vinculados necessariamente a alguma empresa, recebem em média R$ 1.500, valor que pode variar de acordo com a época do ano.

A pesquisa do IBGE também aponta que, entre os servidores do DF, aqueles que estão ligados direta ou indiretamente às áreas da Saúde, Educação, Serviços Sociais, Defesa/Segurança Pública e Seguridade Social são os que recebem melhor, registrando média de R$ 3.000 a R$ 3.700.

Por outro lado, as pessoas que dependem do comércio ou realizam trabalhos domésticos têm os piores salários do Brasil, recebendo valores que variam de R$ 700 a R$ 1.300, conforme apontam os estudos.

O secretário-geral da Consef (Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal), Josemilton Costa, explica que apesar de a categoria de servidores públicos receber os salários mais altos, também é a que tem menos garantia nos casos de exoneração, o que motiva, por vezes, os indicativos e movimentos grevistas.

 — Nós não temos negociação coletiva, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), pagamento de hora extra, data base (renegociação de contrato) ou participação nos lucros.

 Para o professor universitário e especialista em regime jurídico do serviço público federal, Maurício Nicácio, a questão da perda de alguns benefícios para os servidores em relação aos celetistas, ou seja, profissionais da iniciativa privada com carteira assinada, é suprida por uma série de benefícios que os celetistas não têm.

 — Os servidores públicos, sejam eles federais ou distritais, têm estabilidade, ou seja, não podem ser mandados embora com facilidade. É necessário um processo administrativo longo, que envolve ampla defesa e contraditório. Um outro ponto é que o servidor consegue se aposentar com o teto previsto pela constituição, fixado atualmente em R$ 3.916 [isso após a aprovação do Funpresp, em maio deste ano. Servidores públicos que entraram no serviço público antes da criação do fundo ainda se aposentam acima do teto, com o salário integral da ativa]. No caso dos trabalhadores regidos pela CLT (Conjunto de Leis Trabalhistas), a aposentadoria dificilmente é concedida com o valor estipulado pelo teto.

 Nicácio também explica que o cenário atual do Distrito Federal favorece para que as remunerações pagas aos servidores públicos do DF sejam maiores em relação aos demais estados brasileiros.

 — A economia do Brasil gira em torno do serviço público e aqui é a capital do País. As pessoas que moram no DF não têm a mesma gama de opções e oportunidades que as que vivem em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo. Lá, eles trabalham com indústrias, comércio e têm muita oferta de emprego no setor privado. Isso não acontece no Distrito Federal e, por isso, existem somente duas opções: ou vira servidor público ou, via de regra, trabalha na iniciativa privada, que quase sempre é bem menos vantajoso, principalmente no quesito salário, qualidade de vida e estabilidade.

Fonte: R7