Síndrome de Down: Jornalista francesa defende filha de comentários maldosos

Expressões e comentários com tom de piedade são horríveis

Caroline Boudet é uma jornalista francesa quem tem uma filha, a pequena Louise, de 04 meses de idade e que tem um cromossomo a mais, o 23, ou seja, Louise tem síndrome de Down, como inúmeras outras crianças no mundo.

Espantosamente, inúmeras pessoas tem destinado, nas redes sociais ou pessoalmente, comentários maldosos ou incorretos a mãe desde que a menina nasceu…

Por tal razão, Caroline Boudet, usou o Facebook para publicar uma lista de comentários, de declarações que são extremamente inapropriadas para serem ditas aos pais de crianças com síndrome de Down. Vou cotejar a lista da Caroline Boudet com o que acontece conosco, que somos pais de uma criança que tem síndrome de Down.

Uma das declarações, listadas por Caroline, diz respeito a quando as pessoas perguntam se a criança é Down. É uma pergunta, de fato, muito esquisita e que é repetida inúmeras vezes. Na semana passada, um pediatra de plantão no Hospital Santa Luzia, aqui em Brasília, nos perguntou: “Ele é downzinho?”. A vontade foi de responder que não, que ele é uma criança, que, por acaso tem síndrome de Down. Caroline, no texto, diz que costuma responder “esta é a minha filha, ela tem duas pernas, dois braços, tem 04 meses e por acaso tem síndrome de Down!”.

Assim como Caroline, sabemos que a maioria das pessoas não se detém para refletir sobre o assunto, pelo menos não até ter uma filho que tenha síndrome de Down ou qualquer outra condição que a diferencie da dita “normalidade”.

Caroline também alerta que um comentário, maldoso ou desastrado, pode arruinar o dia de uma pessoa. Com o tempo, os comentários, ainda que maldosos, deixam de ter esse poder. Mas no início, com certeza, traz muita angústia.

Recentemente, na Paróquia São Pio, no Sudoeste, em Brasília, ouvi do Pároco, Carlos Fernando, acompanhado de um padre de Águas Claras, Cristian qualquer coisa, em um escrutínio do Caminho Neocatecumenal, que Deus permitiu uma criança com deficiência (síndrome de Down) e que teve câncer para “dobrar a minha cerviz”. Diziam como se uma criança ou qualquer doença fossem uma espécie de castigo de Deus. A minha resposta, desta feita, não foi tão cordial. Respondi, de forma parecida a que o jornalista Ricardo Boechat respondeu ao Pastor Silas Malafaia. A diferença foi sútil, mandei-os tomar no R@%*. Confesso que a sensação foi excelente!

As expressões e comentários com tom de piedade são horríveis, revelam a mesquinhez de quem fala, de quem pensa que um filho, que uma criança podem ser um castigo.

Uma outra pergunta muito estranha, mas reveladora, é quando perguntam se a síndrome de Down foi identificada durante a gestação. A pergunta esconde algo tenebroso, uma indagação, qual seja, “por qual motivo você não abortou a criança quando soube da síndrome de Down?”. No nosso caso, sabíamos, desde a gestação e nos foi sugerido o aborto. O médico que indicou o aborto, tinha uma imagem de Nossa Senhora sobre a mesa de trabalho. Sem pestanejar recusamos a oferta. E não nos arrependemos, exceto por uma coisa, deveria ter mandado o médico para um lugar bem feio.

Outra coisa horrível é quando tentam estereotipar a pessoa com síndrome de Down, mesmo que dizendo coisas que parecem bonitinhas, do tipo, “eles são mais carinhosos”, “eles são filhos eternos”, “eles são isso ou são aquilo”. Eles, como eu, você e qualquer outra pessoa temos as nossas próprias características, personalidade, gostos, vida e sentimentos.

É triste que em 2015, depois de tantos avanços e conquistas sociais, ainda se tenha que lidar com a ignorância e com o preconceito. Mas, felizmente, a sociedade, em especial na era digital, em que as informações são difundidas por todo o mundo em questões de segundos, não mais aceita o preconceito e a cada dia a ignorância se torna uma desculpa menos aceitável. Por sorte, sempre existirão mães como a Caroline Boudet, que não se furtarão em alertar a sociedade o quão feio e desprezível é o preconceito.

Fonte: blog Saber Melhor – 28/06/2015 – – 10:44:42