Esporte

Time do Gama não se ajusta à dança do rock e perde dois pontos

Hoje a Sociedade Esportiva do Gama se deslocou dos seus domínios e foi visitar o time do Legião, no Estádio Augustinho Lima, na cidade serrana de Sobradinho (DF). Depois de ter subido a serra a impressão que se tem é a de que o alviverde perdeu o fôlego, talvez em decorrência do calor excessivo provocado pelo horário de verão.

A partida teve início às 16 horas, se bem que na verdade pode se dizer que às três da tarde, com o sol a pino. O que resta de positivo, para nós torcedores e, em especial, para os atletas, é que o horário de verão termina no próximo dia 17, nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal.

Ah, depois destes devaneios informativos, sob a epígrafe de que futebol também é cultura, volto ao clima do jogo, antes e depois, na minha visão de torcedor gamense.

Logo que cheguei nas imediações do estádio percebi que seria jogo de torcida única.  Avistei os fanáticos torcedores do Gama que ali estavam presentes ao redor das barraquinhas e das bilheterias. Havia um clima festivo, com a esperança de jogo fácil, como preliminar do grande clássico programado para quinta-feira próxima, lá no Bezerrão, onde o Gama vai enfrentar o Brasiliense.

Os prognósticos dos torcedores giravam em torno do favoritismo do Gama, não apenas para o jogo que teria início poucos minutos depois, mas, também, do Campeonato Candango, que está em curso e que neste final de semana registrou a sua terceira rodada.

Antes do jogo todas as glórias foram atribuídas ao time do Gama, que vinha de duas vitórias consecutivas, em pleno Bezerrão, para encanto da sua fiel torcida.

E eis, meus amigos que, de repente o inusitado aconteceu de modo avassalador. Coisas do futebol, como diria Nelson Rodrigues. Nem o “Sobrenatural de Almeida”, personagem fictícia que ele criou seria capaz de explicar o que os 500 e poucos torcedores do Gama viram no Estádio Augustinho Lima.

Por incrível que pareça, quando o jogo começou o que se viu em campo foi um time totalmente diferente das partidas anteriores.  Um Gama apático, sem brilho e perdido em campo. Um time que se igualou ao adversário na falta de qualidade técnica, renegando o perfil dos seus atletas, que são bem superiores aos jogadores do Legião, salvo  rara exceções.

Pois bem. O Legião ao perceber que o Gama estava aquém das suas qualidades técnicas, não titubeou e partiu para cima do adversário.  E, neste diapasão, expôs a sua defesa ao visitante que abriu o placar aos 16 minutos do primeiro tempo, com a cobrança de uma penalidade que foi convertida pelo jogador Luís Carlos.

O Legião não se curvou diante do placar negativo e seguiu o seu intento na busca inconteste do empate. Não demorou muito e levou perigo ao time do Gama numa ‘bobeira’ da zaga que deixou o jogador Rodrigo Melo do time dos roqueiros ficar “cara e crachá” com o goleiro André Luiz. Para alívio da torcida e dos dirigentes do Gama, a bola foi jogada para fora do gramado. Final do primeiro tempo. Legião 0 Gama 1.

Na hora do intervalo eu e, praticamente, toda torcida do Gama nos deslocamos para as proximidades das cabines de rádio, pois o calor estava insuportável e o sol batia intensamente nos nossos rostos.

Fiquei abismado com a falta de condições para o pessoal da imprensa. Notadamente, os profissionais do rádio e da televisão, que se acotovelavam em pequenos cubículos e outros se instalaram no local reservado aos dirigentes e convidados especiais para dali, mesmo sem conforto, desenvolverem as suas atividades e informarem a todos sobre o andamento do campeonato local e de outras unidades da Federação. Eles foram recepcionados por um enxame de abelhas.

O pior de tudo, meus amigos, é que o calor intenso não foi suficiente para sensibilizar os administradores do estádio no sentido de disponibilizarem água aos narradores, que, de garganta seca, lamentavam entre um lance e outro a falta de estrutura daquela praça esportiva edificada numa cidade tão acolhedora, que é Sobradinho.

Voltando ao jogo. No segundo tempo o time do Legião voltou elétrico. Digo elétrico, para homenagear outra banda de rock que fez história no DF,  no início da década de 1980, denominada “Aborto Elétrico”.|O certo é que o empate dependia apenas de detalhes. Àquela altura o time do Gama estava encurralado.  E para decepção dos fiéis e sofredores torcedores do alviverde, aos seis minutos do segundo tempo o jogador do  Legião, Rodrigo Melo, se redimiu da falha anteriormente anotada e  empatou o jogo.

Nos minutos finais a esperança de vitória do Gama nasceu dos pés do jogador Samuel Lopes. A jogada não foi convertida em gol, por pura falta de sorte. O Gama, que havia brilhado nas duas partidas anteriores foi ofuscado pelo brilho do sol que desfilou seus raios pelo estádio. Depois o silêncio, quase que em forma de decepção, acompanhou a saída de cada torcedor. Poucos pararam para pensar que um ponto, no final das somas, poderá representar muito. Vamos aguardar.

Agora o Gama ocupa o segundo lugar na tabeca de classificação do Grupo “B”. O Ceilândia, que integra o mesmo grupo, segue na competição como a única equipe que somou nove pontos.|Espero que o time do Gama se reencontre e tire lições dos seus erros. Muitas vezes a vitória surge em momentos difíceis, para que depois possa desfrutar as merecidas conquistas. É uma questão de estratégia e de planejamento.  Nada está perdido. Também não ganhamos nada, ainda.

Quinta-feira, à noite, teremos encontro nas arquibancadas do Bezerrão, para o maior clássico do DF: Gama e Brasiliense. Vamos lá, torcedores, mostrar que um dia é da caça e outro é do caçador. E assim, para lembrar Elis Regina, ao interpretar a música de Guilherme Arantes, diria com todas as letras, que a vida é assim mesmo: “nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar.”

Futebol é meu hobby e muitas vezes tem servido de lenitivo para situações que fogem ao meu controle, a exemplo de cinco pessoas queridas que perdi esta semana e que agora estão no andar de cima, assistindo ao espetáculo da vida que continua para nós,  meros terráqueos e fieis torcedores do Gama que ficamos imensamente sensibilizados com a Tragédia de Santa Maria (RS).

Remy Soares de Carvalho

Asa Norte – DF, 3.2.2013

Fonte: BloGama Net

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