Trabalhe com paixão!

Este é o dilema mais presente e mais intenso da sociedade moderna – fazer o que gosta. Como alcançar tal façanha? Como identificar com precisão o que realmente traz a plenitude e satisfação pessoal?

Segundo a psicóloga e diretora da Enfoque RH, Cristianne Valladares, trabalhar com paixão é uma expressão coloquial que não combina com os tempos atuais. “Os jovens usam linguagem absolutamente diferente no cotidiano, contudo, eles sabem muito bem combinar paixão com trabalho. Mas só os jovens? Só essa nova geração?”, pergunta a empresária.

Cristianne diz observar uma permissividade dessa nova geração para experimentar, criar, realizar e fazer acontecer sob o sentir e o inventar. E completa, “Para agir com paixão é necessário ter impetuosidade, ser intenso, deixar presente as emoções. Somente assim é possível se mover com entusiasmo. Assim, creio que os jovens não só trabalham com paixão, mas vivem sob essa condição das emoções, porque, sem esse mecanismo propulsor, o caminhar seria bem diferente. Os mais veteranos foram ensinados a ter estabilidade e controle. Sentimentos e impulsos em equilíbrio. Como viver com paixão e mais, permitir-se trabalhar e viver com a presença das emoções?”

Há mais de 50 anos a sociedade criou mecanismos para desenvolver o desejo nas pessoas e, assim, estabelecer um estilo de vida baseado na insatisfação absoluta com a própria realidade. Conhecemos muito bem os efeitos do consumismo sem limites que nos impulsiona cada vez mais a possuir coisas, nos levando a corromper nossas missões pessoais, levando-nos a realizar trabalhos sem paixão e trazendo, como resultado final, a ilusão da satisfação pessoal através da posse de coisas.

De acordo com Cristianne, “trabalhar com paixão parece que é fazer aquilo que se gosta ou talvez seja melhor entender que, ao se fazer o que gosta, faz com que se trabalhe com paixão. Mas a questão sempre é a paixão – o resultado da presença das emoções – que move, intensifica, faz sentir, gera impulso e entusiasmo. É a vibração com que todos, sem distinção, podem viver, amar, trabalhar, compartilhar, realizar… Viver com paixão!”

Carla Falcão, especialista em mídias sociais, diz ter assistido a um vídeo que aborda as mesmas questões levantadas por Cristianne Valladares.  “O vídeo, que se chama E se o Dinheiro não existisse?, levanta a questão, pois muitos buscam uma profissão para ganhar dinheiro deixando de investir seus talentos nas atividades que amam, e acabam se questionando: como seria se pudéssemos fazer o que amamos e ser remunerados por isso?”, comenta Carla.

Segundo a especialista, “explorar novos caminhos é uma grande batalha, mas, se ao final de cada dia, você sentir que aprendeu, ajudou alguém ou que fez algo para o qual tem verdadeira vocação, isso vai levar você ao caminho certo e ainda lhe transformar em um profissional mais competente, reconhecido, melhor remunerado e, acima de tudo, uma pessoa mais feliz!”.

O trabalho com paixão não é resultado somente dos nossos gostos, mas, sim, da decisão de priorizar o SER ao invés do TER.

Fonte: Exame Abril / Blog do Sidnei Oliveira

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