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Tragédia no Gama não foi a única a manchar o futebol do DF

Publicação:28/12/2012 10:42

Carlos Henrique e Mário Pereira não foram as únicas vítimas nos estádios brasilienses. Entre várias brigas de torcidas, uma terminou em fatalidade. Era 7 de setembro de 2008 e dois times de fora do DF estavam prestes a entrar em campo pela última rodada do Campeonato Brasileiro: São Paulo x Goiás. Minutos antes do apito inicial do árbitro, uma confusão fora do Bezerrão, no Gama, resultou na morte de um torcedor.

O são-paulino Nilton César de Jesus tinha vindo a Brasília com a torcida Dragões da Real — da qual era presidente de honra — exclusivamente para acompanhar o time. A Polícia Militar interveio durante um desentendimento entre torcedores. Mesmo rendido e com as mãos na cabeça, Nilton recebeu uma coronhada e foi alvejado pelo disparo da arma de fogo do sargento José Luiz Carvalho Barreto. O tiro, que teria sido acidental, causou edema cerebral e levou à morte do torcedor depois de quatro dias internado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). O PM foi condenado.

A notícia teve repercussão nacional e levantou a questão sobre o despreparo da Polícia Militar para atuar em confrontos de torcidas. “Notamos que estava tudo muito desorganizado. Acompanho centenas de jogos e já vi confusões piores entre torcedores sendo contornada pela polícia em São Paulo, por exemplo, porque os agentes são treinados”, critica o presidente da Dragões e amigo da vítima, André Azevedo. “No DF, um pequeno desentendimento acabou na morte de um grande amigo.”

André e Nilton eram muito próximos, “quase irmãos”, como relata o amigo. O torcedor morto tinha 26 anos e morava com a mãe e a irmã mais velha na Zona Sul de São Paulo. “Nilton era um cara alegre, que amava o futebol e sempre se preocupava em fazer tudo de forma organizada. Foi um baque para todos nós. Nossa função é manter a memória dele viva e não deixar a sociedade esquecer o que aconteceu”, conta André. Quatro anos após a tragédia que marcou a história do futebol no DF, a Dragões da Real usa camisetas, faixas, bandeiras e canta músicas em homenagem a Nilton nos estádios.

Prisão
O sargento José Luiz Carvalho Barreto foi condenado a dois anos e dois meses de prisão pela Justiça do Distrito Federal por homicídio culposo (sem intenção de matar). O governo do DF acabou condenado pelo Tribunal de Justiça (TJDFT) a pagar indenização de R$ 150 mil à mãe do torcedor. Ainda cabe recurso à sentença.

“Parei de ver jogos no DF. A gente fica sem saber se vai sair vivo do estádio”
Carlos Henrique Campos, 19 anos, torcedor

“Nilton era um cara alegre, que amava o futebol. Foi um baque para todos nós. Nossa função é manter a memória dele viva e não deixar a sociedade esquecer o que aconteceu”
André Azevedo, presidente da torcida organizada do São Paulo Dragões da Real

R$ 150 mil
Valor da indenização a que o Governo do DF foi condenado a pagar à mãe do torcedor Nilton de Jesus, morto por um PM no Gama.

Fonte: Super Esportes

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