Nikolas Ferreira, deputado federal pelo PL-MG, iniciou uma caminhada de aproximadamente 240 km de Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, até Brasília, conhecida como “Caminhada Pela Justiça e Liberdade”. O ato político visa protestar contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo Lula e as prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, além de defender explicitamente Jair Bolsonaro, preso recentemente na Papudinha. Com início em 19 de janeiro de 2026, a mobilização ganhou repercussão nacional, dividindo opiniões e polarizando o debate público em um momento de tensão institucional.
Detalhes da iniciativa
A caminhada segue pela BR-040, rodovia com pista simples e acostamento estreito, planejada para durar cerca de sete dias, com metas diárias de 30 a 40 km. Até 22 de janeiro, o grupo havia percorrido entre 100 e 120 km, passando por cidades como Cristalina (GO), sob sol forte e com relatos de dores físicas intensas, necessitando de cuidados como massagens e suporte médico voluntário. Apoio logístico vem de produtores rurais e doações locais, incluindo alimentação (como picanha mencionada em bastidores) e equipamentos, com cerca de 100 participantes no trajeto.
Objetivos principais
Nikolas listou cinco metas claras nas redes sociais: derrubar vetos presidenciais ao PL da Dosimetria (que altera critérios de penas no Código Penal, beneficiando condenados de 8/1); pressionar por revisão de condenações; denunciar “perseguição” a Bolsonaro e aliados como Felipe Jair Martins e Coronel Naime; mobilizar a população contra abusos judiciais; e reavivar a “esperança e coragem” pela liberdade no Brasil. O ato culmina no dia 25 de janeiro, com manifestação prevista na Praça do Cruzeiro. Ao final do evento, Nikolas pediu para que ninguém se dirigisse à Esplanada dos Ministérios.
Participação social orgânica
A iniciativa atraiu bolsonaristas de peso: Carlos Bolsonaro, Magno Malta, Gustavo Gayer, André Fernandes, Carlos Jordy, Zé Trovão, Lucas Pavanato, Rafael Satie e Major Vitor Hugo (vereador de Goiânia), que se juntaram em trechos. Outros como Fernando Holiday e ex-vereadores expressaram apoio online, transformando o percurso em ponto de encontro da direita conservadora em reorganização. A adesão cresceu organicamente, com mensagens de solidariedade fortalecendo o moral do grupo.
A grande adesão ao ato remete às manifestações de 2013, de caráter orgânico, que mobilizaram todo o país. Diferentemente de movimentos conduzidos por estruturas profissionais de mobilização, que dependem de financiamento e caravanas organizadas, o episódio evidenciou que não são apenas militantes pagos ou organizados que ocupam as ruas em nome de pautas sociais.
Controvérsias e segurança
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) alertou para riscos viários graves, pois não houve comunicação prévia para planejamento, expondo pedestres a tráfego intenso na BR-040. Petistas, como Pedro Campos e Lindbergh Farias (líder do PT na Câmara), acionaram a PRF para suspensão, chamando o ato de “encenação midiática”, “vergonha alheia” e “caminhada Forrest Gump” sem pauta social real, só focada em anistia golpista. Nikolas rebateu, negando ser só por Bolsonaro e enfatizando luta por “acordar o povo” contra escândalos.
Repercussões políticas e sociais
A caminhada viralizou nas redes, dominando debates e virando símbolo de resistência conservadora, personalizando a causa com “sacrifício físico” para humanizar a narrativa de perseguição. À direita, é vista como pressão eficaz fora do Congresso, deslocando o foco para o emocional e reacendendo a pauta da anistia em 2026. Críticos de esquerda a rotulam de “política do vazio”, sem rigor jurídico e pró-golpe. Institucionalmente, pressiona o STF e o Planalto, ampliando polarização pré-eleitoral, com potencial para novos atos se houver chegada em massa a Brasília. Fisicamente, testa limites dos participantes, gerando imagens de resiliência que fortalecem a imagem de Nikolas como líder combativo. No total, o gesto já obriga reações adversárias e une a base bolsonarista, provando que ações simbólicas ditam o ritmo político atual.
“A liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé”
Na carta aberta ao povo brasileiro, o deputado Nikolas Ferreira explica que sua caminhada de Minas Gerais a Brasília é um ato de consciência, amor ao Brasil e compromisso com a justiça, denunciando o que considera prisões injustas relacionadas aos eventos de 8 de janeiro, perseguição política a opositores e um estado de “paralisia psicológica” da nação diante do avanço do mal e da injustiça. Ele apresenta a peregrinação como um gesto simbólico, pacífico e ordeiro, destinado a reavivar nos brasileiros a esperança e a coragem de fazer o que é certo, culminando na frase em que resume o espírito do movimento: “Que cada brasileiro saiba: a liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé”.
Informou Cidadão Alerta com adaptações – 23/01/2026

