
A manhã desta terça-feira (18/11) provocou um abalo sísmico no cenário político do Distrito Federal. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), ordenou o bloqueio de R$ 12,2 bilhões e resultou em prisões e no afastamento do presidente do Banco de Brasília (BRB), ampliando ainda mais a crise já instalada após os desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master.
Em meio ao turbulento cenário, o advogado Vicenzo protocolou um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a vice-governadora Celina Leão (PP), nesta quarta-feira (20). A denúncia aponta que ambos teriam defendido publicamente a compra do Banco Master pelo BRB, além de atuado com interferência política direta para viabilizar a operação, mesmo diante de posicionamentos contrários de órgãos de fiscalização e controle. O documento foi encaminhado para a Mesa Diretora da Câmara Legislativa, responsável pela primeira decisão política: dar seguimento ao pedido ou arquivá-lo.
O pedido se apoia na Constituição Federal, na Lei Orgânica do DF e no Regimento Interno da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
A Constituição do Distrito Federal é clara: se governador e vice forem afastados, o presidente da CLDF — atualmente Wellington Luiz (MDB) — assume imediatamente o comando do DF. Conhecido por uma gestão produtiva, de diálogo e focada em pautas sociais, Wellington tem liderado iniciativas de combate ao feminicídio, proteção de crianças, transparência, modernização e ações diretas para a população, como regularização fundiária e apoio às forças de segurança. Esse cenário adiciona ainda mais tensão a um momento já considerado um dos mais delicados e decisivos da política brasiliense nos últimos anos.
Rafael Prudente é o nome mais cotado em novo cenário eleitoral
Caso o Palácio do Buriti seja ocupado por Wellington Luiz em decorrência de um eventual afastamento da atual gestão, cresce a especulação sobre quem será o nome apoiado pelo grupo emedebista para disputar o cargo nas eleições de 2026 — ou até mesmo em uma eventual eleição indireta, caso haja cassação definitiva.
Internamente, o favorito é o deputado federal Rafael Prudente (MDB). Pesquisas preliminares e análises estratégicas encomendadas pelo próprio grupo já colocam Prudente como o plano B do MDB no DF.
Não é a primeira vez que seu nome aparece como alternativa viável: em julho de 2021, quando era presidente da CLDF, Rafael Prudente assumiu interinamente o comando do Palácio do Buriti durante as férias do governador Ibaneis, experiência que reforça sua credibilidade no jogo político.
Precedentes reforçam: Caso Arruda e a ascensão de Wilson Lima em 2010
A hipótese de um presidente da CLDF assumir o GDF não é inédita. Em fevereiro de 2010, o então presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), assumiu o governo do Distrito Federal após o processo de impeachment que afastou o governador José Roberto Arruda (ex-DEM).
O precedente amplia o clima de alerta e mostra que, em Brasília, crises institucionais podem mudar drasticamente o comando político da noite para o dia.
Clima de incerteza total
O Distrito Federal vive um momento de forte instabilidade política, com a Operação Compliance Zero, o pedido de impeachment e a pressão crescente sobre o governo. As próximas semanas serão decisivas para definir os rumos da crise, enquanto a CLDF, o TJDFT e os desdobramentos das investigações permanecem no centro das atenções. Nesse cenário, parlamentares de oposição articulam a criação de uma CPI para apurar a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, barrada pelo Banco Central, com previsão de funcionamento por 180 dias.
Segue a lista dos deputados distritais que votaram sim ou não à proposta de compra do Banco Master pelo BRB:
- Chico Vigilante (PT): não
- Dayse Amarilio (PSB): não
- Doutora Jane (AGIR): sim
- Eduardo Pedrosa (União Brasil): sim
- Fábio Félix (PSOL): não
- Gabriel Magno (PT): não
- Hermeto (MDB): sim
- Iolando (MDB): sim
- Jaqueline Silva (AGIR): sim
- João Cardoso “Professor Auditor” (Avante): sim
- Jorge Vianna (PSD): sim
- Martins Machado (Republicanos): sim
- Max Maciel (PSOL): não
- Paula Belmonte (Cidadania): não
- Pastor Daniel de Castro (PP): sim
- Pepa (PP): sim
- Ricardo Vale (PT): não
- Robério Negreiros (PSD): sim
- Rogério Morro da Cruz (PMN): sim
- Roosevelt Vilela (PL): sim
- Thiago Manzoni (PL): sim no primeiro turno, ausente no segundo turno
- Wellington Luiz (MDB): sim
Os deputados Daniel Donizet (MDB) e Joaquim Roriz Neto (PL) estão licenciados e não votaram.
Da redação do Gama Cidadão

