Acampamento Terra Livre mobiliza indígenas de todo o Brasil

Brasília, DF – Indígenas de diversas regiões do país começaram a chegar a Brasília neste domingo (5) para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), realizado no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), no centro da capital federal. A expectativa é reunir representantes de aproximadamente 200 povos indígenas de todas as regiões do Brasil, em um evento que vai até sábado (11).

Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o ATL é a maior e mais importante mobilização do movimento indígena no país. Segundo os organizadores, entre 7 mil e 8 mil pessoas, incluindo indígenas e não indígenas, devem participar. O acampamento reúne lideranças de grande parte dos 391 povos originários do Brasil e de outras nações, para debater a defesa de territórios, denunciar violações de direitos e cobrar políticas públicas.

Críticas ao Congresso e defesa de direitos

Os participantes direcionam críticas ao Congresso Nacional por propostas em tramitação consideradas prejudiciais, como o marco temporal, exploração econômica em terras indígenas e projetos ligados ao agronegócio. As lideranças acusam deputados e senadores de aprovarem leis contrárias à Constituição, que afetam territórios e modos de vida tradicionais. Elas também apontam os governos federal e estaduais por cederem à mineração e atividades econômicas não indígenas.

“É um chamado a todos os guerreiros indígenas à responsabilidade e à ação. Basta de silenciamento dos povos originários”, afirmou Kaleby de Paula Marques Taukane, da etnia Kurâ Bakairi e morador do Gama

Kaleby de Paula de óculos no centro com parentes amigos. Foto: Israel Carvalho
Outro destaque foi o reencontro de ativistas, como o guerreiro Towê, da etnia Fulni-ô, que em 2019 esteve no Gama apresentando artesanato e medicina tradicional indígena. Na ocasião, os indígenas Fulni-ô estavam acampados em Alto Paraíso de Goiás e entraram em contato com a redação do Portal Gama Cidadão solicitando apoio para realizar atividades na cidade — ação que remete à memória cultural local. Relembre a matéria: “Cine Itapuã é referência cultural no DF”.

Foto do reencontro: Koxi Karajá, Towê e Israel Carvalho fazendo selfie. 
Ysani Kalapalo fazendo selfie com amigos indígena 

“Não vamos pagar o preço da ganância de quem explora o direito dos povos originários à terra. Nossa luta é forte e não vamos permanecer calados”, declarou Ysani Kalapalo, do Parque Indígena do Xingu.

Conseguimos transmitir em vídeo o ambientalista Paulo César Araújo, idealizador do Movimento Regenerativo Tempo de Plantar, instalado no Acampamento Terra Livre.

Programação inclui marcha e plenária final

No dia 9, ocorre a marcha “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. De acordo com a Apib, 76 Terras Indígenas estão prontas para homologação pelo presidente Lula, e outras 34 aguardam portaria do ministro da Justiça.

A programação se encerra no dia 10 com plenária e leitura do documento final. Os dias 5 e 11 são dedicados à chegada e retorno das delegações. Acesse a programação completa em: https://apiboficial.org/atl-2026/.

Como apoiar

A Apib lançou campanha de arrecadação. Contribua em www.apiboficial.org/apoie/, via cartão, boleto ou Pix ([email protected] – Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – Banco Bradesco).

Portal Gama Cidadão – Cobertura especial do ATL 2026

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