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Eventos na cidade prestam homenagem ao universo circense

Palco giratório, nos teatro do Sesc, e projeto Circo Grock, na área externa do CCBB, animam os fãs de palhaço

O circo é o tema de dois grandes eventos de artes cênicas que chegam a Brasília em julho: o festival Palco Giratório, no Sesc, e o projeto Gargalhando com o Circo Grock, no Centro Cultural Banco do Brasil. A cultura circense é a homenageada da 21ª edição do Palco Giratório, com espetáculos e também com um tributo ao Palhaço Biribinha, conhecido em todo o mundo como “o mestre do picadeiro e do riso”.
“Biribinha foi lembrado recentemente no FestClow (festival internacional de palhaçaria promovido pelo Sesc), mas ele simboliza também o circo como um todo (o tradicional e o contemporâneo), por isso a homenagem agora”, explica Leonardo Braga, técnico de Cultura do Sesc Gama e curador do festival.
De acordo com Braga, o circo e suas ramificações estão na programação do Palco Giratório, que tem início hoje e segue até dia 29 com espetáculos e oficinas nos teatros Sesc Garagem (913 Sul), Newton Rossi (Ceilândia), Paulo Gracindo (Gama) e Paulo Autran (Taguatinga).
O curador aponta, por exemplo, o espetáculo A salto alto: Entre gentilezas e extermínio, do Circo no Ato, do Rio de Janeiro. “No viés contemporâneo, temos o A salto alto de um grupo de acrobacia de solo especializado nessa técnica e que possui uma recorrência na linguagem do circo”, conta. A montagem será apresentada dia 14, às 20h, no Gama, e conta a história de sete pessoas que ao terem acesso a outra maneira de viver se despedem das antigas vivências para uma nova realidade, fazendo uma crítica ao consumismo desenfreado da sociedade.
A programação do Palco Giratório tem outros espetáculos do tema, como Animo festas, da La Cascata Cia. Cômica (SP); Concerto em Ri Maior, da Cia dos Palhaços (PR); A salto alto: Entre gentilezas e extermínio, do Circo no Ato (RJ); Édipo Rei: O rei dos bobos, do Coletivo de Artistas do DF e convidados; e Clake, do Circo Amarillo.
No Centro Cultural Banco do Brasil, o picadeiro estará montado na área externa para receber o Circo Grock. Até 2 de setembro, a trupe traz o projeto Gargalhando com o Circo Grock a Brasília. No palco, os palhaços Espaguete (Nil Moura, que, além de atuar, dirige o espetáculo) e Ferrugem (Gena Leão) funcionam como mestres de cerimônia para um desfile de atrações circenses, como mágicos, malabares e monociclistas. Entre um número e outro, a dupla de palhaços diverte a plateia e assume os ares de protagonistas.
“As entradas dos palhaços são os grandes momentos do show. Apostamos numa visão de que o palhaço carrega uma história, dentro do que está acontecendo com as pessoas, com a realidade de quem está nos assistindo. Por isso, trabalhamos tanto com a linguagem do improviso, que estudamos durante 15 anos na Suécia e na Alemanha”, afirma Gena Leão, que está à frente do Grock há mais de 30 anos.
A intérprete de Ferrugem ressalta que o público de Gargalhando com o Circo Grock vai se divertir, claro, mas também vai ser levado à reflexão. “O palhaço tem esses dois lados. Ele faz as pessoas rirem e pensarem ao mesmo tempo. E na nossa história, a plateia pensa sobre as pequenas coisas que deixamos para trás durante nossa vida”, conta.

Teatro além do Plano

A descentralização é um dos motes do Festival Palco Giratório. Desde 2015, o evento incorporou a programação nas regiões administrativas do DF, com o objetivo de formar um novo público. “Excelentes espetáculos passarão apenas pelas regiões administrativas. Temos feito isso desde 2015 e, agora, o público está se acostumando. Isso cria uma maior circulação”, defende Leonardo Braga, técnico de Cultura do Sesc Gama e curador do festival.
Realizado nos quatro teatros Sesc do Distrito Federal, o evento, além de homenagear o circo, também valoriza a experiência cênica como um todo. E isso está exposto na diversidade da programação, que tem desde espetáculos musicais ao teatro de rua. “O maior desafio é buscar e ampliar as linguagens. As artes cênicas têm inúmeras linguagens e precisamos encontrar as interseções para trazer à tona a formação de plateia”, analisa o curador, que ainda completa ao dizer que o festival também busca atrações de diferentes estados além do DF. Só neste ano há montagens de Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas, Rondônia, Sergipe, Bahia, Goiânia e Rio Grande do Norte.
De hoje até 29 de julho, serão mais de 20 espetáculos encenados de forma gratuita nos teatros do Sesc espalhados pelo DF. Entre os destaques está a peça que abre a programação: Segunda pele, do Coletivo Lugar Comum, encenada hoje, às 20h30, no Teatro Sesc Garagem. “Elas atuam de forma coletiva e afetiva e tocam em assuntos que estão em voga, como a relação com o corpo, com os conceitos e tabus que estão sendo questionados pela sociedade”, explica Braga.

SERVIÇO

Gargalhando com o Circo Grock
Área externa do Centro Cultural Banco do Brasil. Até 2 de setembro. Em julho, de quinta a domingo, às 15h, 17h e 19h, exceto nos dias dos jogos do Brasil na Copa do Mundo; em agosto e setembro, quinta e sexta, às 19h e sábados e domingo, às 17h, 19h e 21h, exceto nos dias 4 e 11 de agosto. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Sessão do dia 12 de agosto gratuita, em homenagem ao Dia dos Pais. Classificação indicativa livre.
Palco Giratório
Teatros Sesc. De 7 a 29 de julho. Com espetáculos e atividades formativas. Entrada franca. Verifique a classificação indicativa de cada atividade.

Confira a programação do Palco Giratório

Dia 7/7
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
20h30 – Segunda pele
Dia 8/7
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
16h – Pensamento giratório
20h30 – Looping: Bahia overdub
11/07
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
17h – Voa
12/7
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
20h30 – O novo espetáculo (Tudo está à venda)
13/7
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
20h30 – Animo festas
Teatro Newton Rossi – Sesc Ceilândia
20h30 – Fauna
14/7
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
20h30 – Concerto em ri maior
Teatro Paulo Gracindo – Sesc Gama
20h – A salto alto: Entre gentilezas e extermínio
18/7
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
17h – Cuco: a linguagem dos bebês no teatro
19/07
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
20h30 – SIMILITUDO
20/07
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
20h30 – Como manter-se vivo?
Teatro Newton Rossi – Sesc Ceilândia
20h30 – Eles não usam tênis Naique
Teatro Paulo Gracindo – Sesc Gama
20h – Dança anfíbia
Teatro Paulo Autran – Sesc Taguatinga Norte
20h – As mulheres do Aluá
21/7
Teatro Garagem – Sesc 913 sul
20h30 – Os cavalheiros da triste figura
Teatro Newton Rossi – Sesc Ceilândia
08h às 12h e 14h às 18h – Oficina Trocas marginais
Teatro Paulo Gracindo – Sesc Gama
14h às 20h – Oficina dança anfíbia
17h – Plugue: um desvio imaginativo
Teatro Paulo Autran – Sesc Taguatinga Norte
14h às 20h – Oficina O ator criador e a cena
Fonte: Correio Braziliense – 07/07/2018 06:30
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