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Gama fica sem assistência à Saúde Infantil

Quando reabriu o pronto atendimento infantil, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) prometeu alocar ali 22 profissionais do quadro da Secretaria de Saúde, em jornada de 40 horas semanais, e chamar vinte outros em contratos temporários

Placa da reforma do Posto de saúde nº 8, no valor de mais de R$ 3 milhões

Nos anos 1970, um clássico da música candanga, de Renato Matos, dizia que, para quem mora no Gama, um telefone era muito pouco. Mas é a isto que a população da cidade deve recorrer se precisar de socorro pediátrico. Ligar pro Samu ou pro Uber e correr pro Plano Piloto.

O governo do Distrito Federal decretou que as crianças do Gama não têm direito à Saúde. Na cidade de mais de 150 mil habitantes, dos quais cerca de 40 mil são crianças e adolescentes, o GDF simplesmente fechou integralmente a pediatria no Hospital Regional (HRG), uma das unidades clínicas mais tradicionais do DF e que ainda atendia uma parcela considerável de pacientes provenientes dos municípios goianos do Entorno.

Reinaugurado em março de 2017, com todas as festas que sugere o marketing político, o pronto socorro infantil, pouco mais de um ano depois, não existe mais. Todas suas instalações foram esvaziadas. Não sobrou uma maca sequer. Tudo foi levado para Santa Maria.

Rollemberg (2º à esq.) reinaugura, em 2017, o posto fechado agora

Promessas

Quando reabriu o pronto atendimento infantil, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) prometeu alocar ali 22 profissionais do quadro da Secretaria de Saúde, em jornada de 40 horas semanais, e chamar vinte outros em contratos temporários. A pediatria desempenhava cerca de cinco mil atendimentos por mês. O seu fechamento agora se dá, segundo o GDF, por falta de pessoal.

Onde foram parar os profissionais prometidos? Mais: O GDF acaba de anunciar a contratação de cerca de 1.500 profissionais de Saúde, sendo 108 pediatras. Por que não alocar parte desse contingente para a continuidade da assistência pediátrica no Gama?

A decisão foi centralizar em Santa Maria. Entretanto, na cidade vizinha, segundo reportagem do SBT, a pediatria ainda não está funcionando. O governador e sua equipe gestora da Saúde esquecem ainda o princípio básico da boa gestão de Saúde que é a regionalização da assistência. Os especialistas recomendam não centralizar os serviços, pois, além de dificultar a assistência de quem mora mais distante, o acúmulo de demanda não permite um atendimento digno e eficaz, pois sobrecarrega os profissionais.

Posto abandonado

Além de não poder contar mais com a Pediatria, a comunidade do Gama cobra a conclusão da reforma do Centro de Saúde nº 8 da cidade. Iniciada em maio de 2015, a um custo, à época, de R$ 3,273 milhões, com recursos da Caixa Econômica Federal, a obra deveria ter ficado pronta em maio de 2016. Agora, maio de 2018, o que se vê são ruínas, tomadas pelo abandono.

Não há um operário sequer no local. Moradores sem teto tomaram conta do espaço para sua moradia. O conselheiro de Saúde do Gama, João de Lima, atesta que o posto de Saúde desempenhava um importante trabalho e de qualidade.

A Câmara Legislativa já cobrou explicações da Secretaria de Saúde, mas não há respostas até o momento.

UPA esquecida

Local onde seria construída a UPA do Gama Leste. A obra foi iniciada no governo Agnelo e a previsão de entrega era em 2014

No Setor Leste do Gama, também foi abandonada a construção da UPA. No local, apenas vestígios das fundações. Projetada para atender uma população duas vezes maior do que a do Gama, a UPA teve sua obra, orçada em R$ 10 milhões, iniciada, em dezembro de 2013, pelo então governador Agnelo Queiroz (PT).

A previsão era ficar pronta em maio de 2014. Ali seriam realizados exames de imagem (Raios X), de laboratório, eletrocardiografia e atendimento em clínica médica e pediatria. Na campanha eleitoral, o governador Rodrigo Rollemberg chegou a assumir o compromisso de concluir as obras da UPA no Gama e construir outras sete.

Faltando poucos meses para o fim de sua administração, no Gama, só mesmo os “pitocos”, como são definidas as estacas de fundação pela população, permanecem no local. Os “pitocos” já consumiram R$ 1,4 milhão, mas obra nova por lá só a pintura de cal do meio fio.

Chico Sant’Anna
Brasília Capital – 10/05/2018 às 10:29

 

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