Candidatos ao governo devem incluir urbanismo como política de nação

Urbanismo, participação e o papel do Estado na construção das cidades

É dever do governo governar em prol da manutenção do Estado. O Estado é composto por vida inteligente — gente. Portanto, governo absolutista, não. Por quê? Porque decisões tomadas de forma isolada tendem, comprovadamente, a perpetuar erros e vícios em setorizações socioculturais específicas, como na arquitetura e no urbanismo.

Coloco-me, portanto, contrário ao modelo de gestão adotado. Vejamos: o governo projeta, o governo aprova, o governo licita, o governo constrói — por meio da NOVACAP —, o governo fiscaliza e o governo recebe a obra. O governador, ou quem de direito, a inaugura, e nós, vida inteligente — gente, o Estado — apenas consumimos. Pergunto: o governo sabe tudo? Eu, sinceramente, discordo. E afirmo, com base no que conheço, que não sabe. Basta observar os logradouros públicos.

Para justificar esse modelo, o governo recorre ao argumento de que houve audiência pública. Mas por quê? Porque, mesmo que muitas vezes viciada, a audiência pública é considerada um processo democrático. No entanto, sua função deveria ser decidir o que fazer, e não como fazer. Por exemplo, pode-se deliberar sobre a construção de uma ponte, mas sua execução envolve diversas etapas técnicas e científicas, próprias da arquitetura, do urbanismo e da engenharia.

Esse preâmbulo serve para estender à comunidade gamense minha preocupação quanto ao destino do Cine Itapuã e de sua praça. A atividade ali desenvolvida deve estar integrada às dinâmicas comerciais do entorno. Minha inquietação se baseia em experiências anteriores do governo nas áreas sociocultural, ambiental, urbanística e viária. Enumerá-las seria longo e exaustivo, mas não podemos esquecer: a ciclovia que não funciona como ciclovia, a avenida “JK” que não se consolidou como tal, o Pró-DF, entre outros exemplos. São impactos, muitas vezes licenciados, que deixam marcas na cidade.

Concluo com duas reflexões: “o homem é eterno quando faz” e “a acessibilidade é tão necessária quanto a liberdade”.

Ariomar da Luz Nogueira

 

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