UM GAMENSE NA CÂMARA FEDERAL?

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Líder comunitário, Juan Ricthelly.

2022 é ano eleitoral, onde a população terá a oportunidade de eleger seus deputados estaduais, distritais e federais, senadores, governadores e presidente da república. Embora a eleição seja somente em outubro, o debate político segue fervilhando, seja pelos temas que sempre surgem ou pelas pré-candidaturas que começam a se lançar.

E os perfis das candidaturas são bem diversos, indo de representantes de categorias profissionais, movimentos sociais, empresários, líderes religiosos e comunitários, dentro dos vários partidos que existem e seus espectros ideológicos.

Umas das novidades dessa eleição são as mudanças relativas às listas de candidatos dos partidos ou federações, agora a lista deve levar em consideração a quantidade de cadeiras em disputa somando-se mais um, de modo que, para a realidade do DF, as listas para deputados distritais deverão ter no máximo 25 candidaturas e para deputados federais 9 candidaturas.

E é nesse cenário que Juan Ricthelly, 31 anos, advogado, servidor público e líder comunitário gamense se lança como pré-candidato à deputado federal pelo PSOL, em entrevista ao Gama Cidadão tivemos a oportunidade de conversar sobre esse desafio, as lutas da cidade, a conjuntura local e as razões dessa escolha política.

Gama Cidadão: Você é uma liderança comunitária bastante identificada com o Gama e suas questões. Teria como falar um pouco dessa relação e como começou esse envolvimento com as questões da comunidade?

Juan Ricthelly: Eu nasci no Hospital Regional do Gama, estudei numa das primeiras turmas do CAIC Carlos Castello Branco, que hoje está passando por uma reconstrução, na Escola Classe 28 que é na Vila Roriz, na parte da cidade onde morei a maior parte da minha vida, no CEF 10, no CEM 02… Aqui eu construí a minha vida, tenho amigos do Jardim de Infância, amizades de 20 anos, pessoas que me viram nascer, crescer, constituir e uma família, costumo dizer que aqui é o meu lugar no mundo, já viajei por alguns países, quero viajar muito mais, mas o Gama é para onde sempre eu quero voltar depois de uma viagem longa, aqui é o meu lar, é o único lugar no mundo onde eu posso ter esse sentimento de pertencimento, onde faço parte de uma comunidade.

Então eu posso dizer tranquilamente que essa relação e envolvimento com o Gama fazem parte de mim e do que eu sou como ser humano, embora o meu envolvimento mais ativo com as questões políticas e comunitárias tenha começado bem depois.

GC: Teria como falar um pouco mais sobre esse ponto? Onde e como exatamente você começou a atuar como uma liderança comunitária?

JR: Acredita que o meu filho de 6 anos meio que me fez essa pergunta esses dias?

Ele perguntou:

“Pai, como é que uma pessoa vira um líder comunitário?”

E aquela pergunta me gerou uma reflexão sobre isso e um monte de memórias vieram como consequência.

Mas de forma bem objetiva, comecei a atuar em 2014, ainda estava na faculdade estudando Direito, quando uma amiga que estudou comigo no ensino médio, me convidou para ajudar com uma iniciativa relacionada às mudanças e transtornos que foram causados pela implantação do BRT aqui no Gama, o início daquilo foi um caos e deixou muita gente irritada, então começamos a reunir pessoas e criamos o Gama em Movimento.

Pedimos uma reunião com a Administração Regional e solicitamos uma reunião entre a comunidade e os responsáveis por aquela mudança, na época o administrador era o Adauto. Fizeram uma ponte com o DFTRANS que na época era comandado pelo Jair Tedeschi, e marcamos uma reunião no auditório do CILG. 

Nós fizemos um cartaz em A4, tiramos várias cópias e saímos pregando em todos os pontos de ônibus do Gama, no dia da reunião tinha umas 115 pessoas da comunidade, e foi onde ouvi falar pela primeira vez do Fórum Comunitário e de Entidades do Gama e do portal Gama Cidadão que estava cobrindo o evento. 

Depois chamamos outra reunião, com o tempo a pauta foi perdendo força e aquele grupo do Gama em Movimento se desarticulou. Mas uma vitória concreta que tivemos foi a volta da linha de ônibus pra UnB na época, e criamos esse ambiente de diálogo entre a comunidade e o poder público.

Ainda tenho contato e amizade com praticamente todo mundo, mas posso dizer que foi aí que tudo começou.

GC: Quando o Gama em Movimento se desarticulou você perdeu aquele núcleo de atuação vinculado à pauta de mobilidade. Depois disso, pra onde você foi?

JR: Eu fiquei à deriva, já que eu não conhecia ninguém desse circuito de lideranças comunitárias, mas depois do Gama em Movimento fui convidado para fazer parte do Atitude no AR, um programa da Rádio Comunidade que funciona lá na Igreja de Nossa Senhora Aparecida.

Fomos entrevistados como Gama em Movimento, lá conheci o Adriano Couto que é meu amigo até hoje e trabalhamos juntos por algum tempo nesse programa de rádio, e isso me ajudou a conhecer pessoas.

Outro rumo que tomei foi em relação a pauta do meio ambiente, e comecei nisso de uma forma inusitada. Estava passando um dia pela feira e vi uns tratores preparando o terreno para a construção de um estacionamento, larguei o que estava fazendo, arranquei os piquetes e comecei a carregar pedras junto com um pessoal em situação de rua, formando no chão a frase “O PARQUE É NOSSO!”, com as pedras e cal para destacar.

Tirei umas fotos, escrevi um texto criticando mais aquela perda do Parque Ecológico do Gama e aquilo repercutiu, me fazendo chegar em lideranças comunitárias históricas que já atuavam naquela luta há décadas, como o presidente do Conselho Comunitário do Setor Norte do Gama, Alex Ribeiro, e a partir daí, acho que comecei a entrar no circuito de lideranças comunitárias.

Depois criei o Gama Verde, que é uma ONG não formalizada, voltada para o debate ambiental do Gama, onde mapeamos cachoeiras, trilhas e locais com potencial pró ecoturismo, oferecemos palestras em escolas para alunos, pais e professores, apoio técnico e informação para a comunidade em audiências públicas, ativismo judicial em defesa do meio ambiente, passeios eco turísticos comunitários, plantio de mudas, limpeza de leitos de rios, córregos e nascentes…

E com o tempo me aproximei do Fórum Comunitário e de Entidades do Gama e as coisas foram acontecendo.

GC: Você foi candidato a deputado distrital em 2018, fez uma campanha com um forte viés ecológico e com foco nas questões do Gama. Agora se lança como pré-candidato a deputado federal, quais as razões dessa escolha? E como você vai fazer para furar essa bolha?

JR: Ser candidato naquela ocasião foi uma experiência muito intensa, que me trouxe alguns aprendizados, doloridos até, mas também alguma maturidade política.

Fazer uma campanha eleitoral sem recursos, sem experiência, sem alguém experiente do lado para orientar e ajudar, só com a cara, a coragem, os sonhos e a vontade de mudar o mundo… É lindo na teoria, na prática a realidade é mais dura.

A minha equipe de campanha éramos eu e dois amigos de escola, uma pai desempregado com quatro filhas que morava em Santo Antônio do Descoberto, uma mãe solo negra e desempregada da Santa Maria, sou muito grato à eles, chego a chorar quando penso nisso, nós fizemos o melhor que podíamos dentro das nossas limitações financeiras, físicas e políticas, e por mais que não tenhamos sido eleitos, acho que foi uma boa campanha.

Hoje a conjuntura do país e do mundo é outra, eu também sou outra pessoa, que aprendeu muitas coisas e seguramente tem tantas outras para aprender, e acredito que o momento nos exige ousadia e coragem, dentro disso, uma candidatura a federal me possibilita pautar questões que eu não conseguiria como distrital.

A última vez que o Gama elegeu um federal foi o Agnelo Queiroz em 1995, quando ele morava na cidade, trabalhava como médico no HRG e fazia parte da vida política local. O Gama é uma cidade importante para essa região sul do DF e do Entorno, parte considerável da população dos municípios recorre aos equipamentos e serviços públicos daqui, trabalha do lado de cá dessa fronteira imaginária, compartilha e sofrem de problemas semelhantes aos nossos, votam aqui no DF embora vivam lá, e acho que a construção de uma pré-candidatura que faça esse diálogo e essa conexão, tem o potencial de furar essa bolha, uma parte considerável do eleitorado do Distrito Federal não mora aqui. E eu quero dialogar com essas pessoas.

GC: Hoje a Administração Regional do Gama é controlada pelo Deputado Daniel Donizet e seu grupo político, você fez duras críticas ao deputado, a administração e sua gestão. Como você explica esse antagonismo com o deputado e seu projeto político pra cidade?

JR: Que pergunta! Mas vamos lá! Não sei nem por onde começar… (Risos)

Esse é um ponto com algumas questões que precisam ser abordadas e vamos começar primeiramente pela questão do respeito, acho que esse é um aspecto fundamental em qualquer âmbito da vida, principalmente quando estamos tratando de questões comunitárias, podemos não concordar em algumas coisas, mas o respeito é fundamental, ainda mais numa cidade como o Gama, onde todo mundo se conhece, a gente se esbarra na padaria, nos botecos, na feira, nas audiências públicas…

E a forma como o deputado chegou na cidade foi extremamente desrespeitosa, naquele episódio lamentável de puro destempero emocional, onde foi extremamente estúpido com a então administradora Juliana Navarro, que foi presidente da OAB Gama e Santa Maria.

E essa postura infelizmente reflete em como alguns de seus assessores atuam na cidade, é tanto que ninguém gosta deles, os caras conseguem unir a esquerda e à direita da cidade num ranço geral contra eles, por não respeitarem as pessoas e o trabalho delas como lideranças, são agressivos, se apropriam do trabalho alheio como se fosse deles, e isso é uma postura horrorosa. Basta ver o que estão fazendo agora com a Professora Maria Antônia, chega a ser criminoso.

Agora sobre o deputado em si, é uma pessoa que não tem vínculo de construção de trabalho junto à comunidade anterior à sua eleição, dos 9 mil votos que ele teve, só uns 400 vieram do Gama, não foi a nossa comunidade que o elegeu!

Mas aí, ele resolveu se autoproclamar o deputado da cidade, reivindicar a Administração Regional do Gama para si, e por um motivo bem simples. Ele se elegeu surfando na onda bolsonarista, era do PRP, foi pro PSL, depois pro PSDB e agora está no PL, o cara teve uma média de um partido por ano desde que se elegeu, é um sommelier de legenda partidária.

E como se elegeu surfando nessa onda, não tem base eleitoral sólida, então essa reivindicação da Administração Regional do Gama, essa tentativa artificial de colar a imagem dele como alguém da cidade, de se apropriar do trabalho e das lutas históricas da comunidade como uma conquista pessoal dele, faz parte dessa tentativa desesperada de ter essa base vinculada ao Gama e aos donos de gatos e cachorros.

E para além dessas questões ainda tem o elemento de cooptação de lideranças comunitárias legítimas, de meios de comunicação comunitários, como o Notícias do Gama que está nitidamente com ele, o grupo Nós que Amamos o Gama no Facebook, de instituições por meio de pessoas como a Coordenação Regional de Ensino do Gama.

Ele é um alienígena, não faz parte da comunidade, não é um deputado da cidade, ao contrário da Jacqueline Silva, que tem uma história com a Santa Maria por exemplo.

E por não ser alguém da cidade e da comunidade, ele não compreende algumas questões dessa comunidade, basta ver a postura dele em relação ao Posto 8 quando surgiu aquela ideia absurda de transformar o posto em estacionamento do Santa Lúcia, a ideia repercutiu mal na comunidade e ele teve que recuar.

Espero de coração que ele seja derrotado nesta eleição.

GC: Recentemente você fez uma publicação no Twitter, que republicou em suas outras redes sobre a condição da Professora Maria Antônia como legítima representante do Gama na CLDF, numa clara provocação ao deputado Daniel Donizet. No passado você teve alguns atritos com a Profª Maria Antônia, e agora faz essa sinalização de reconhecimento, como você explica isso?

JR: É um fato que tive as minhas diferenças com a Professora, em audiências públicas, reuniões e até cheguei a embargar uma obra pública na gestão dela como administradora regional do Gama, por meio de uma Ação Popular, mas eu nunca a desrespeitei como pessoa e sempre a reconheci como uma lideranças comunitária legítima em razão de todo o trabalho que ela desenvolveu na cidade ao longo de sua vida. É alguém que tem uma história com a nossa cidade, que podemos até discordar em um ponto ou outro, mas no fim acredito que ambos queremos o melhor para a nossa comunidade, e sim, ela pode dizer que é uma deputada do Gama, é verdade.

GC: Você fez uma menção ao Fórum Comunitário e de Entidades do Gama, que teve um protagonismo importante durante a questão do Posto 8 e vez ou outra surge como um ator social e político relevante nos debates da comunidade. Qual o papel do Fórum hoje na política da nossa cidade?

JR: O Fórum já tem mais de 10 anos de atuação, e é um espaço onde as principais lideranças comunitárias já passaram, pessoas de diversos seguimentos e até ideologias, e é na minha opinião um patrimônio da nossa comunidade.

Não tem um CNPJ, não tem um estatuto ou regimento, e ainda assim funciona aos trancos e barrancos há mais de uma década, não é um espaço formal e funciona com base em regras que foram estabelecidas lá atrás pelos fundadores, com pequenas variações.

Mas ainda assim, consegue articular a comunidade em torno de pautas comuns como saúde, meio ambiente, cultura… Se não fosse o Fórum, o Posto de Saúde 8, que hoje o autoproclamado deputado do Gama faz alarde como se fosse uma conquista dele, teria virado estacionamento do Hospital Santa Lúcia.

E aquele protagonismo do Fórum incomodou ele e os seus assessores, que naquela ocasião fizeram de tudo para sabotar o Fórum, e infelizmente foram bem-sucedidos nisso, no passado por exemplo, o teve uma plenária em Janeiro, depois uma com a OAB Gama e Santa Maria sobre a ideia absurda de retirar a Vara de Trabalho do Gama e mudar pra Taguatinga, depois disso o Fórum parou, e nessa reunião de Janeiro de 2021, o deputado teve a audácia de aparecer na plenária do Fórum e dar mais uma demonstração de seu já conhecido destempero emocional.

Tem algum tempo que estou no Fórum, já estive na Mesa Mediadora por diversas vezes, e agora voltei, está um pouco difícil pegar ritmo, já que o Fórum ficou quase um ano parado, mas nós vamos conseguir, ainda mais num ano tão decisivo como esse.

O Fórum já organizou atos, protestos, debates e é um espaço com muito potencial, que já fez muito por nossa comunidade e ainda vai fazer muito mais. O papel do Fórum é o de unir as lideranças comunitárias, dialogar com os movimentos sociais, a mídia alternativa local que cumpre um papel importantíssimo e o Estado.

GC: Já temos vários candidatos da cidade em pré-campanha, ao que tudo indica teremos a Profª Maria Antônia de volta ao jogo, o deputado Daniel Donizet tentando colher politicamente o trabalho que tentou fazer por aqui… Como você acha que vai ser a eleição aqui no Gama?

JR: Para federal até agora eu não sei de ninguém daqui, só a minha pré-candidatura até o momento, na última tivemos o meu amigo Roberto Tim, a minha amiga de infância Géssyca Alves e uma multidão de distritais da comunidade como o meu amigo Ailton Miranda, o Alexandre Tota, o Professor Edgard, a Professora Maria Antônia, o Allan Freire e outros que não me recordo agora.

Agora para distrital já temos esses dois que você mencionou, o autoproclamado, também conhecido como coveiro de CPI e a Professora Maria Antônia, que acho que vai vir forte. Tem a minha amiga Professora Flávia que é uma ambientalista que eu respeito muito e vai fazer um debate interessante sobre educação e meio ambiente, o Allan que saiu recentemente do NOVO e deve ir para o União Brasil, já que ele está enfatizando tanto essa palavra nos pronunciamentos dele, o Ailton Miranda que sempre consegue fazer uma boa votação, não sei se o Tota vem, mas faz um trabalho muito bonito e teve muitos votos na última, e também não sei se a Thabata vem.

Na Santa Maria a Jaqueline Silva vai estar muito forte, embora tenha um rival poderoso que disputa a mesma base, que o Daniel Radar, um cara que eu admiro muito.

Fora esses, seguramente teremos os candidatos forasteiros com estrutura e grana, que conseguem fazer campanha por todo o DF e já possuem uma base sólida de apoiadores, normalmente esses são os que conseguem serem eleitos.

GC: E para o GDF qual cenário você enxerga?

JR: A eleição para o GDF é sempre uma incógnita, levando em consideração que depois do Roriz, ninguém mais conseguiu ser reeleito, toda eleição aparece um salvador que logo depois se converte em vilão.

O Arruda nos “salvou” do Roriz, o Agnelo nos “salvou” do Arruda, o Rollemberg nos “salvou” do Agnelo, o Ibaneis nos “salvou” do Rollemberg, e seguramente vai aparecer alguém com a proposta de nos “salvar” do Ibaneis, e precisamos até. (risos)

GC: E a nominata dos partidos e PSOL? 

Objetivamente em relação às candidaturas, o PSOL possivelmente deve lançar a Keka Bagno, que foi a pessoa mais bem votada na última eleição pro Conselho Tutelar e é alguém muito inteligente, com uma história forte e bem articulada, o PT está entre a Professora Roseane e o Magela, o deputado Leandro Grass que estava na REDE, agora foi para o PV e estava se lançando como pré-candidato, não sei se vai manter, tem o IZALCI pelo PSDB que infelizmente teve uns votos e posicionamentos horrorosos, o Reguffe que na minha opinião foi um parlamentar insipiente e não tem nenhum carisma e o NOVO deve lançar algum anarcocapitalista que vai ter a destruição do Estado, das empresas públicas e do funcionalismo público como solução para os nossos problemas.

Vai ser uma campanha dura e acho que o Ibaneis não está reeleito, e espero que não seja mesmo.

GC: Para finalizar a nossa conversa que está ótima, gostaria de perguntar: Caso você venha a ser eleito como Deputado Federal pelo DF, quais serão as suas pautas prioritárias de atuação no Congresso Nacional?

JR: Para mim a questão ambiental é estruturante e perpassa tudo, pois sem o equilíbrio do meio ambiente, sem a capacidade de regeneração da natureza ser respeitada e os metabolismos do planeta sendo perturbados como têm sido, basta ver como o debate sobre a questão climática é algo urgente que está no centro dos debates mundiais, embora muito pouco esteja sendo feito, sem tudo isso que eu mencionei, não tem economia, não tem saúde, não tem qualidade de vida, primeiramente os mais pobres sofrem os efeitos desses desequilíbrios, mas é algo com potencial de impactar todos, a extinção da espécie humana está em curso e precisamos fazer algo para ontem.

Então em primeiro lugar eu coloco a questão ambiental, obviamente que no meu mandato não vou tratar apenas disso, os debates nacionais chegam num gabinete parlamentar e precisam ser tratados com seriedade, e para além disso, vou ser um aliado e estar sempre na linha de frente na luta pelos direitos das mulheres, dos LGBTs, dos povos originários, comunidades tradicionais e outras minorias, seguramente vou usar todos os meios ao meu alcance para apoiar e fortalecer a luta contra o racismo que é um problema estrutural da nossa sociedade, nos meus votos e intervenções vou defender as empresas públicas, o SUS que é um patrimônio coletivo nacional, as universidade públicas, os servidores e o serviço público em geral, a educação e o seu aperfeiçoamento respeitando e valorizando a importâncias dos professores.

Outra coisa que tenho bastante nítida, vou lutar pelos direitos dos trabalhadores e qualquer proposta de revisão ou revogação da Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e do Teto de Gastos que chegar, terá o meu apoio! Foi horrível o que fizeram com essas reformas, que alardearam como a solução para os nossos problemas, que ia gerar milhões de empregos, que até hoje não chegaram e nem vão, só serviram para desequilibrar as relações de trabalho no Brasil em proveito dos patrões e dificultar a vida da nossa população.

A integração real do DF com o Entorno também será um dos eixos mais importantes do meu mandato, precisamos acabar com esse empurra-empurra, onde o Estado de Goiás ignora e o Distrito Federal finge que não existe, e a população sofre no meio disso, precisamos discutir sobre integração no transporte, na educação, na saúde e em tudo o que for possível e necessário.

E embora a política externa seja tocada pelo Executivo, eu já adianto que sou simpático de uma política onde o Brasil se porte de forma soberana e autônoma, descolado dessa submissão aos EUA, e em diálogo e trabalho constante com a América Latina, a África, os BRICs e tudo o que represente uma alternativa à essa ordem mundial comandada pelos Estados Unidos e pela Europa.

Para finalizar, queria agradecer pela oportunidade dessa conversa e dizer que estou aberto ao diálogo com todo mundo que se sentir à vontade em debater. Obrigado!

Juan Ricthelly*

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