Carla Zambelli diz que Moro não se vendeu pois “já estava vendido”

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) chamou o ex-ministro da Justiça Sergio Moro de “vendido“, nesta quarta-feira (27/5). A parlamentar respondeu a um tuíte em que Moro mostrou mensagens de celular trocadas com o presidente Jair Bolsonaro e defendeu a autonomia da Polícia Federal.

Moro elogiou a operação de busca e apreensão da Polícia Federal realizada hoje, assim como a apuração dos desvios na saúde do Rio de Janeiro em operação de ontem, terça-feira (26). O ex-ministro escreveu:

Zambelli se referiu a uma conversa que ela teve com Moro por celular e que acabou revelada pelo ex-ministro. Na troca de mensagens, a parlamentar tentava convencer o ainda ministro a aceitar a troca de comando na Polícia Federal e, mais tarde, ir para o Supremo Tribunal Federal (STF). Moro então respondeu a ela que não estava à venda.

Autonomia da PF

Nesta quarta-feira, após a deflagração da operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes e que investiga uma rede responsável por disseminar fake news — que incluiria empresários, políticos e apoiadores de Bolsonaro —, Moro fez a postagem que irritou Zambelli.

“A Polícia Federal tem que trabalhar com autonomia. Que sejam apurados os supostos crimes no RJ e também identificados os autores da rede de fake news e de ofensas em massa. Diante das denúncias de interferência na PF, o Min. Alexandre manteve os delegados que estavam na investigação”, escreveu.

O tuíte vinha acompanhado do print de uma conversa de celular entre Moro e Bolsonaro. Na conversa, o presidente enviou uma reportagem cujo título dizia “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas” e, em seguida escreveu “Mais um motivo para a troca (na direção-feral da PF)”. A conversa é uma das evidências apresentadas por Moro de que o presidente queria interferir politicamente na PF.

Depoimento de deputados

Nesta quarta-feira, Alexandre de Moraes determinou que seis deputados sejam ouvidos pela PF no inquérito que apura a produção de fake news e ameaças à Corte. Zambelli é uma delas.

Os demais são: Bia Kicis (PSL-DF), Daniel Silveira (PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PSL-SP) e Cabo Junio Amaral (PSL-MG). Também devem depor os deputados estaduais por São Paulo Douglas Garcia (PSL) e Carteiro Reaça (PSL). O PSL é o partido pelo qual Bolsonaro foi eleito.

Da redação do Gama Cidadão – 28/05/2020