Eleições municipais deste ano poderão ser adiadas

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o Congresso Nacional discutirá o adiamento das eleições municipais deste ano – sem prorrogar o mandato dos atuais prefeitos. A intenção é aguardar até 30 de junho para saber como estará a situação da pandemia de Covid-19 no país e só depois dessa data propor uma solução.

Segundo Rodrigo Maia, na Câmara, a maioria dos líderes defende o adiamento, desde que os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores não sejam prorrogados. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro e o segundo turno, se houver, para o dia 25 do mesmo mês.

Cancelamento, nem cogitar

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP), deve criar um grupo de trabalho conjunto, formado por deputados e senadores, para decidir sobre a questão. No judiciário, o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, já deu o recado:

“as eleições somente devem ser adiadas se não for possível realizá-las sem risco para a saúde pública. Em caso de adiamento, ele deverá ser pelo prazo mínimo inevitável”. Para o magistrado, “prorrogação de mandatos, mesmo que por prazo exíguo, deve ser evitada até o limite. O cancelamento das eleições municipais, para fazê-las coincidir com as eleições nacionais em 2022, não é uma hipótese sequer cogitada”.

Um bom conselho do ministro

O ministro deu um conselho, principalmente, a alguns membros do primeiro escalão do governo. “A falta de educação produz vidas menos iluminadas, trabalhadores menos produtivos e um número limitado de pessoas capazes de pensar criativamente um país melhor e maior. A educação, mais que tudo, não pode ser capturada pela mediocridade, pela grosseria e por visões pré-iluministas do mundo. Precisamos armar o povo com educação, cultura e ciência”, enfatizou.

Contra a prorrogação

“Acho coerente”, acentuou o deputado Nereu Crispim (PSL/RS), lembrando que “a intenção é que as eleições sejam em novembro ou dezembro. Então, porque prorrogar? Os mandatos vão até primeiro de janeiro”. O parlamentar argumenta que “hoje, com a tecnologia disponível, o resultado das eleições, com as urnas eletrônicas, sai rapidamente. Não tem porque prorrogar mandato”.

Processo de desindustrialização

Leonardo Trevisan, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing, disse que “vivemos por muitos anos um forte processo de perda de indústria no Brasil, de desindustrialização”.

Afirmou que “na possibilidade em que você avança, e o dólar subindo, barateia o produto brasileiro. Nós vivemos lamentavelmente, não vou citar números, apenas um. Há quatro anos a indústria brasileira, toda ela, de transformação, de bens de capital, toda a indústria brasileira ela representava aproximadamente 15% do nosso PIB. A participação da indústria era essa”.

Emprego de qualidade

“Ano passado a indústria brasileira representou pouco mais de 11% do PIB. Isto é um sinal de que o emprego de melhor qualidade, o emprego na indústria é um emprego mais estável, é um emprego que sinaliza maior preparo e maior capacitação técnica do trabalhador. Esse emprego diminuiu. Então quando eu falo que a participação da indústria caiu, diminuiu o volume de empregos bons, de empregos de qualidade”, argumenta Trevisan.

Da redação do Gama Cidadão – 28/05/2020