O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a PEC que acaba com a escala 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso por semana. O modelo alcançava 14,8 milhões de empregos com carteira assinada em dezembro de 2025, o equivalente a 29,9% dos vínculos formais do país (49,5 milhões), segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence. O texto é uma das bandeiras do presidente Lula (PT).
O contingente é maior que a população inteira da cidade de São Paulo ou do Paraná (11,9 milhões de habitantes cada). No mercado de trabalho como um todo, porém, o peso é menor: o Brasil somava 103,5 milhões de ocupados no trimestre encerrado em agosto, segundo o IBGE — número que inclui informais, autônomos e servidores.
A incidência da 6×1 varia por setor. A escala ultrapassava metade dos empregados formais no transporte aéreo (53,2%) e no alojamento (52%) em dezembro, mas ficava perto de 10% em eletricidade e gás (11,8%). Micro (34,5%) e pequenas empresas (36,2%) tinham proporções maiores que médias e grandes (32,9%) — que, em números absolutos, concentravam 7,9 milhões dos vínculos.
Com a PEC, a escala passa a ser 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução de salário. A jornada semanal cai de 44 para 42 horas 60 dias após a promulgação e, após 12 meses, para 40 horas.
O impacto, contudo, pode ser menor do que indicam os contratos. Entre os empregados com carteira, 73,8% tinham vínculos de 41 a 44 horas semanais em 2025, mas apenas 35,8% trabalhavam efetivamente essa carga no primeiro trimestre de 2026 — a maior fatia (39%) cumpria de 31 a 40 horas.
“A mensagem principal é a discrepância entre o que está no contrato e o que está sendo efetivamente trabalhado”, diz Imaizumi. “Boa parte desses trabalhadores não trabalha, mesmo com o contrato, 44 horas. Então, os efeitos tendem a ser menores.”
